Eduardo VII, nascido Alberto Eduardo; (Londres, 9 de novembro de 1841 – Londres, 6 de maio de 1910) foi o Rei do Reino Unido e da Irlanda, dos Domínios Britânicos e Imperador da Índia de 1901 até sua morte. Filho mais velho da rainha Vitória e do príncipe Alberto de Saxe-Coburgo-Gota, seu reinado de mais de nove anos ficou conhecido como a era eduardiana. Foi também o primeiro monarca britânico da Casa de Saxe-Coburgo-Gota, que anos depois foi rebatizada como Casa de Windsor por seu filho, Jorge V.
Eduardo foi o segundo herdeiro aparente que por mais tempo sustentou o título de Príncipe de Gales em toda a história. Durante o longo reinado de sua mãe, foi afastado dos assuntos de Estado e personificou a elite ociosa, tão em voga na época. Eduardo viajou pelo reino realizando vários deveres cerimoniais e representou o Reino Unido no exterior. Suas viagens pela América do Norte em 1860 e pela Índia em 1875 foram grandes sucessos, porém sua reputação de príncipe libertino corroeu a relação com sua mãe.
Ascendeu ao trono em 1901 e o período de seu reinado ficou conhecido como era eduardiana. Eduardo desempenhou um importante papel na modernização da marinha e na reorganização do exército após a Segunda Guerra dos Bôeres. Reinstituiu cerimônias tradicionais e ampliou a gama de pessoas com quem socializava. Eduardo promoveu boas relações entre a Grã-Bretanha e os outros países europeus, especialmente com a França, onde ficou popularmente conhecido como "o Pacificador", porém tinha uma relação ruim com seu sobrinho o imperador Guilherme II da Alemanha. Eduardo morreu em 1910 no meio de uma crise constitucional que foi resolvida no ano seguinte com o Decreto Parlamentar de 1911.
Albert Edward nasceu às 10h48min do dia 9 de novembro de 1841 no Palácio de Buckingham, Londres. Era o segundo filho, primeiro homem, da rainha Vitória do Reino Unido e seu marido o príncipe Alberto de Saxe-Coburgo-Gota. Foi batizado em 25 de janeiro de 1842 na Capela de São Jorge, Castelo de Windsor. Seus padrinhos foram o rei Frederico Guilherme IV da Prússia, a esposa de seu avô paterno a duquesa Maria de Württemberg (representada por sua avó materna a princesa Vitória de Saxe-Coburgo-Saalfeld), seu tio-avô o príncipe Adolfo, Duque de Cambridge, a esposa de seu bisavô a princesa Carolina Amália de Hesse-Cassel (representada por sua tia-avó a princesa Augusta de Hesse-Cassel), sua tia-avó a princesa Sofia do Reino Unido (representada por sua prima a princesa Augusta de Cambridge) e seu tio-avô o príncipe Fernando de Saxe-Coburgo-Gota. Recebeu o nome de Alberto em homenagem ao pai e o de Eduardo em homenagem ao avô materno, o príncipe Eduardo, Duque de Kent e Strathearn. Durante toda a vida, a família chamou-lhe Bertie.
Quando foi criado o Duque da Cornualha e o Duque de Rothesay, Eduardo tornou-se automaticamente o mais velho dos filhos varões da soberana. Como filho do príncipe Alberto, também tinha os títulos de Príncipe de Saxe-Coburgo-Gota e Duque da Saxônia. Foi criado Príncipe de Gales e Conde de Chester em 8 de dezembro de 1841, Conde de Dublim em 17 de janeiro de 1850, Cavaleiro da Ordem da Jarreteira em 9 de novembro de 1858 e Cavaleiro da Ordem do Cardo-selvagem em 24 de maio de 1867. Eduardo renunciou em 1863 seus direitos de sucessão ao Ducado de Saxe-Coburgo-Gota em favor de seu irmão mais novo, o príncipe Alfredo.
Vitória e Alberto estavam determinados a que seu filho mais velho e herdeiro tivesse uma educação que o preparasse para ser um modelo de monarca constitucional. Eduardo começou aos sete anos um rigoroso programa educacional planejado por seu pai e supervisionado por vários professores. Entretanto, diferentemente de sua irmã mais velha Vitória, Princesa Real, não sobressaia nos estudos. O príncipe tentava alcançar as expectativas dos pais, porém em vão. Apesar de Eduardo nunca ter sido um aluno diligente – seus talentos verdadeiros eram o charme, sociabilidade e tato – o primeiro-ministro Benjamin Disraeli o descreveu como informado, inteligente e de boas maneiras.
Eduardo realizou uma viagem de estudos a Roma nos primeiros meses de 1859 e depois passou algum tempo no mesmo ano estudando na Universidade de Edimburgo, tendo professores como o químico escocês Lyon Playfair. Matriculou-se na Christ Church, Oxford, em outubro. Eduardo finalmente tomou gosto em estudar e pela primeira vez teve resultados satisfatórios em suas provas agora que estava livre das restrições educacionais impostas por Vitória e Alberto. O príncipe se transferiu em 1861 para Trinity College, Cambridge, onde teve Charles Kingsley como seu professor de história. Os esforços de Kingsley produziram os melhores resultados acadêmicos da vida de Eduardo, com o príncipe na verdade aguardando suas aulas.
Eduardo realizou em 1860 a primeira viagem de um herdeiro britânico para a América do Norte. Seu bom humor e cordialidade fizeram da visita um grande sucesso. Em Montreal, Canadá, inaugurou a Victoria Bridge sobre o rio São Lourenço e colocou a pedra fundamental da Colina do Parlamento em Ottawa. Nos Estados Unidos o príncipe viu Charles Blondin cruzar as Cataratas do Niágara sobre um fio e passou três dias na Casa Branca hospedado pelo presidente James Buchanan. Os dois foram para Mount Vernon prestar homenagens a George Washington em sua tumba. As multidões eram grandes em todos os lugares. Encontrou-se com o poeta Henry Wadsworth Longfellow, o filósofo Ralph Waldo Emerson e o médico Oliver Wendell Holmes. Orações pela família real foram realizadas na Igreja da Trindade em Nova Iorque pela primeira vez desde 1776. A viagem de quatro meses aumentou consideravelmente a autoestima e confiança de Eduardo e gerou muitos benefícios diplomáticos para o Reino Unido.
Eduardo esperava seguir uma carreira no Exército Britânico, porém sua mãe vetou qualquer atividade militar. Suas patentes eram honorárias; foi feito tenente-coronel em 1858 sem nenhuma experiência de combate ou exames. Foi enviado para a Alemanha em setembro de 1861 a fim de supostamente assistir manobras militares, porém na verdade o objetivo era um encontro entre ele e a princesa Alexandra da Dinamarca, filha do então príncipe Cristiano da Dinamarca e sua esposa Luísa de Hesse-Cassel. Vitória e Alberto já tinha se decidido que seu filho se casaria com a princesa dinamarquesa. O par encontrou-se no dia 24 de setembro em Speyer sob os auspícios de sua irmã Vitória, que havia se casado em 1858 com Frederico Guilherme, Príncipe Herdeiro da Prússia. A princesa Vitória, agindo sob as instruções da mãe, havia conhecido Alexandra em junho e teve uma impressão bem favorável da jovem princesa. Eduardo e Alexandra eram amigáveis desde o início; o encontro foi bom para ambos os lados e os planos de casamento avançaram.
Eduardo ganhou a partir dessa época a reputação de playboy. Compareceu a atividades militares na Irlanda determinado a ganhar alguma experiência militar, tempo em que passou três dias com a atriz Nellie Clifden, que havia sido colocada no campo por seus colegas oficiais. Seu pai, mesmo doente, ficou horrorizado: enviou uma carta ao filho dizendo: «Sabia-te irrefletido e fraco, mas nunca te pensei depravado», e foi visitá-lo em Cambridge para o reprimir. Alberto acabou por morrer duas semanas depois em dezembro de 1861. Vitória ficou inconsolável, passou a usar roupas pretas de luto pelo resto da vida e culpou Eduardo pela morte do pai. Inicialmente ela considerava o filho como frívolo, indiscreto e irresponsável. Escreveu à sua filha Vitória: «Não posso, nem poderia, olhá-lo sem estremecer».
Uma vez viúva, Vitória retirou-se totalmente da vida pública. Ela fez com que Eduardo embarcasse em uma longa viagem pelo Oriente Médio logo depois da morte de Alberto, passando pelo Egito, Jerusalém, Damasco, Beirute e Constantinopla. Parcialmente pela política, o governo britânico queria que o príncipe ficasse amigo de Sa'id Pasha do Egito a fim de impedir que os franceses tomassem controle do Canal de Suez se o Império Otomano caísse. Foi a primeira viagem real acompanhada por um fotógrafo oficial, Francis Bedford. Assim que retornou à Grã-Bretanha, iniciaram-se os preparativos para o seu noivado, que foi selado em Laeken, Bélgica, no dia 9 de setembro de 1862. Eduardo e Alexandra casaram-se na Capela de São Jorge em 10 de março de 1863.