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Edward Jenner

Médico criador da vacina

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Edward Jenner FRS (Berkeley, 17 de maio de 1749 – 26 de janeiro de 1823) foi um naturalista e médico franco-inglês pioneiro no conceito de vacinas incluindo a invenção da vacina contra a varíola, em 1796.

Os termos vacina e vacinação são derivados de Variolae vaccinae (varíola das vacas), termo usado por Jenner para descrever a varíola. Ele usou o termo pela primeira vez em 1798, no título de seu trabalho Inquiry into the Variolae vaccinae known as the Cow Pox, no qual descreve o efeito protetor da varíola bovina quando comparada com a varíola humana.

No Ocidente, Jenner é conhecido como o "pai da imunologia" e seu trabalho é reconhecido como um "salvador de vidas, mais do que qualquer outra pessoa". Na época de Jenner, a varíola aniquilou 10% da população, com a porcentagem chegando até 20% nas cidades onde a doença se espalhava mais facilmente. Em 1821, ele foi indicado como médico extraordinário pelo rei Jorge IV, além de ter sido eleito prefeito de Berkeley e juiz de paz. Membro da Royal Society na área de zoologia, ele foi a primeira pessoa a descrever o parasita de ninhada. Em 2002, seu nome foi incluído na lista de 100 maiores britânicos da BBC.

Jenner nasceu em 6 de maio de 1749, em Berkeley. Era o oitavo entre os nove filhos do reverendo Stephen Jenner, vigário de Berkeley, e sua esposa, Sarah Jenner. Jenner recebeu uma rígida educação quando criança, tendo estudado em Wotton-under-Edge e Cirencester. Por volta dessa época, ele passou pela variolização, processo de inoculação contra a varíola, o que lhe causou problemas de saúde para o resto da vida. Quando Jenner tinha 14 anos, tornou-se aprendiz por sete anos de Daniel Ludlow, um cirurgião de Chipping Sodbury, onde ganhou a experiência necessária para se tornar um cirurgião.

Em 1770, aos 21 anos, Jenner se tornou aprendiz de cirurgia e anatomia do cirurgião John Hunter, tendo também trabalhado com outros especialistas do Hospital de St. George, em Londres. Hunter se tornou um bom amigo nos anos seguintes, com quem Jenner trocou várias correspondências ao longo dos anos. Hunter também o indicou para a Royal Society. Jenner retornou para sua cidade em 1773, onde se tornou um médico da família e cirurgião famoso na região.

Junto de outros médicos, Jenner formou a Sociedade Médica de Fleece ou de Gloucestershire, chamada das duas formas porque as reuniões geralmente aconteciam no salão de Fleece Inn, em Rodborough, em Gloucestershire. Os membros jantavam juntos e liam artigos da área médica. Jenner contribuiu com artigos sobre a angina, oftalmia e doença cardiovascular, tecendo comentários também sobre a varíola bovina. Em 30 de dezembro de 1802, ele se tornou mestre maçom.

Edward Jenner foi eleito membro da Royal Society em 1789, depois de sua publicação descrevendo um estudo cuidadoso sobre a antes incompreendida vida do cuco-canoro, incluindo observação, experimentação e dissecação. Jenner descreveu como o cuco recém-nascido empurrava os ovos de seu hospedeiro e os filhotes novatos para fora do ninho (ao contrário da crença existente de que o cuco adulto é que fazia isso). Tendo observado esse comportamento, Jenner demonstrou uma adaptação anatômica para o filhote, que tem uma depressão nas costas, não presente após 12 dias de vida, que lhe permitia pegar ovos e outros filhotes. O adulto não permanece tempo suficiente na área para realizar esta tarefa. As descobertas de Jenner foram publicadas em Philosophical Transactions of the Royal Society em 1788.

Sua compreensão sobre o comportamento do cuco não foi inteiramente aceito até que a pintora escocesa, Jemima Blackburn, observadora da vida selvagem, viu o cuco recém-nascido empurrando os ovos de seu hospedeiro para fora do ninho. Sua descrição e ilustração do evento foram suficientes para convencerem Charles Darwin a revisar uma edição posterior de A origem das espécies.

Seu interesse em zoologia teve grande papel em seu primeiro experimento com a inoculação. Ele não apenas tinha um conhecimento profundo da anatomia humana devido ao seu treinamento médico, como também entendia a biologia animal e seu papel nas fronteiras transespécies na transmissão de doenças. Na época, não havia como saber a importância dessa conexão para a história e a descoberta das vacinas. Tal conexão é vista hoje, onde muitas vacinações atuais incluem partes de animais de vacas, coelhos e ovos de galinha, o que pode ser atribuído ao trabalho de Jenner e sua vacinação contra a varíola bovina e varíola humana.

Jenner se casou com Catherine Kingscote (morta em 1815 devido à tuberculose), em março de 1788. Ele provavelmente a conheceu enquanto ele e seus colegas faziam experimentos com balões. O balão usado por Jenner desceu em Kingscote Park, na propriedade do pai de Catherine, Anthony Kingscote.

Jenner obteve o diploma de médico pela Universidade de St Andrews, em 1792.

A inoculação já acontecia na Ásia e era uma prática padrão, ainda que envolvesse riscos sérios. Um deles era o medo de que os inoculados passassem a transmitir a doença aos que os cercavam, por se tornarem portadores da doença. Em 1721, Lady Mary Wortley Montagu importou a técnica da variolização para a Grã-Bretanha depois de observar o procedimento em Constantinopla. Ainda que Johnnie Notions tenha tido sucesso com sua auto-inoculação, que alegava não ter perdido nenhum paciente seu método era limitado às Ilhas Shetland.

Voltaire escreveu que nessa época 60% da população se contaminou com varíola e 20% da população morreu por causa dela. Também escreveu que os circassianos usavam a inoculação desde tempos imemoriais e que o costume tinha sido emprestado dos turcos. Em 1766, Daniel Bernoulli analisou a mortalidade da varíola e as taxas de mortalidade para demonstrar a eficiência da inoculação.

Em 1768, o médico inglês John Fewster percebeu que uma infecção prévia pela varíola bovina levava a uma imunidade da pessoa contra a varíola. Na década de 1770, pelo menos cinco pesquisadores da Inglaterra e da Alemanha (Sevel, Jensen, Jesty 1774, Rendell, Plett 1791) fizeram testes em humanos, com sucesso, utilizando a vacina bovina contra varíola humana. Por exemplo, o fazendeiro Benjamin Jesty, de Dorset, foi vacinado com sucesso e teria gerado imunidade na esposa e em seus dois filhos na epidemia de 1774, mas só com o trabalho de Jenner é que o processo foi compreendido. É provável que Jenner tivesse conhecimento dos procedimentos de Jesty. Uma observação similar sobre o processo de inoculação foi feito na França, por Jacques Antoine Rabaut-Pommier, em 1780.

Jenner notou que as jovens ordenhadeiras eram, geralmente, imunes à varíola. Assim, ele supôs que o pus das bolhas das ordenhadeiras, infectadas com a varíola bovina (doença similar, porém menos virulenta), poderia proteger contra a varíola humana. A hipótese de Jenner é que a doença começava com cavalos, que transmitiam às vacas, que depois transmitiam aos trabalhadores da fazenda, manifestando-se como varíola bovina. Em 14 de maio de 1796, Jenner testou sua hipótese, inoculando o menino James Phipps, de 8 anos, filho do jardineiro da propriedade. Raspou o pus das bolhas de uma das ordenhadeiras, Sarah Nelmes, que tinha contraído a varíola bovina de uma vaca chamada Blossom e inoculou os dois braços do menino no mesmo dia. James teve febre e algum mal-estar, mas não desenvolveu a varíola. Depois que o menino se recuperou, Jenner injetou-lhe material da varíola humana, no processo de variolização comum da época e nenhuma doença se desenvolveu. O menino foi testado com vários materiais contendo varíola humana vindas de outras pessoas e nunca desenvolveu a doença. O caso de James Phipps foi o 17.º caso descrito no primeiro artigo de Jenner sobre a vacinação.

Jenner continuou sua pesquisa e a relatou à Royal Society, que não publicou seu artigo inicial. Após revisões e pesquisas adicionais, ele publicou suas descobertas sobre os 23 casos de inoculação, incluindo seu filho de 11 meses, Robert. Algumas de suas conclusões estavam corretas, outras erradas; métodos microbiológicos e microscópicos modernos tornariam seus estudos mais fáceis de reproduzir. A comunidade médica deliberou longamente sobre suas descobertas antes de aceitá-las. Eventualmente, a vacinação foi aceita e, em 1840, o governo britânico proibiu a variolação — o uso da varíola para induzir imunidade — e providenciou a vacinação com varíola bovina gratuitamente.

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