Edward Joseph Snowden (Elizabeth City, 21 de junho de 1983) é um analista de sistemas, ex-administrador de sistemas da CIA e ex-contratado da NSA que tornou públicos detalhes de vários programas que constituem o sistema de vigilância global da NSA americana. A revelação deu-se através dos jornais The Guardian e The Washington Post, fornecendo detalhes da Vigilância Global de comunicações e tráfego de informações executada através de vários programas, entre eles o programa de vigilância PRISM dos Estados Unidos. Em reação às revelações, o Governo dos Estados Unidos acusou-o de roubo de propriedade do governo, comunicação não autorizada de informações de defesa nacional e comunicação intencional de informações classificadas como de inteligência para pessoa não autorizada.
Em 2015, o filme Citizenfour foi o ganhador do Óscar na categoria de melhor documentário. O documentário dirigido por Laura Poitras aborda a extensão da vigilância global e espionagem pelos Estados Unidos, feitas através da NSA bem como, em filmagem feita durante o desenrolar dos eventos, documenta como se deram os encontros com Edward Snowden antes e depois da sua identidade ter sido revelada ao público.
Em 2015, Oliver Stone iniciou a produção da cinebiografia de Edward Snowden. O ator Joseph Gordon-Levitt foi o escolhido para interpretar Edward no filme Snowden.
Edward Joseph Snowden nasceu em Elizabeth City, Carolina do Norte, e cresceu em Wilmington, Carolina do Norte. Seu pai, Lonnie Snowden, residente da Pensilvânia, era um oficial da Guarda Costeira dos Estados Unidos, e sua mãe Elizabeth, conhecida como Wendy, residente de Baltimore, Maryland, é uma funcionária de um tribunal federal de Maryland.
Em 1999, Snowden mudou-se com a família para Ellicott City, Maryland. Estudou computação na Anne Arundel Community College para obter os créditos necessários para obter um diploma de ensino médio, mas não concluiu o curso. O pai de Snowden explicou que seu filho perdeu vários meses de escola devido a doenças e, ao invés de voltar, se propôs a fazer os exames e passou um General Educational Development em uma faculdade comunitária local. Snowden obteve mestrado on-line da Universidade de Liverpool em 2011. Tendo trabalhado em uma base militar dos EUA no Japão, Snowden criou um profundo interesse na cultura japonesa chegando a estudar o idioma japonês e mais tarde trabalhar em uma empresa de anime. Ele também disse ter um conhecimento básico de mandarim e estar profundamente interessado em artes marciais, listando também o Budismo como a sua religião.
No dia 7 de maio de 2004, Snowden alistou-se no Exército dos Estados Unidos, como um soldado das Forças Especiais, mas não completou o treino por ter quebrado as duas pernas num acidente de treino. Ele disse que queria lutar na Guerra do Iraque porque "sentiu que tinha a obrigação como ser humano de ajudar a libertar as pessoas da opressão". O seu emprego seguinte foi como guarda de segurança no Centro de Estudos Avançados de Língua na Universidade de Maryland, antes, ele disse ter-se reunido à Agência Central de Inteligência (CIA) para trabalhar em segurança de TI. Em maio de 2006, Snowden escreveu na Ars Technica, um site de notícias de tecnologia e informação, que não tinha problemas para conseguir trabalho, porque ele era um "gênio da computação". Em Agosto, ele escreveu sobre seu possível encaminhamento para um serviço no governo, talvez envolvendo China, que "simplesmente não parece ser tão "divertido" como "alguns dos outros lugares."
Do Hawaí, onde trabalhou na Booz Allen Hamilton e antes de revelar documentos secretos aos jornalistas, Snowden viajou para Hong Kong em 20 de maio de 2013. As autoridades norte-americanas ao tomarem conhecimento de sua presença em Hong Kong, solicitaram sem sucesso sua extradição.
Em Hong Kong, ele então se reuniu com o jornalista Glenn Greenwald e a cineasta e jornalista Laura Poitras e lhes entregou os documentos que comprovavam as suas afirmações da existência dos programas de Vigilância em massa.
Em 22 de junho de 2013, as autoridades federais dos Estados Unidos apresentaram acusações formais contra o ex-agente da CIA pelo vazamento de dados secretos do governo que revelaram detalhes do projeto de monitoramento global, denominado PRISM, que monitorou as conversas telefônicas e transmissões na internet de cidadãos dos EUA e de outros países. De acordo com a declaração de funcionários americanos à imprensa local, Snowden também foi acusado de espionagem, roubo e transferência de propriedade do governo em um documento confidencial, apresentado em um tribunal federal da Virgínia.
No dia 31 de outubro, o secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, admitiu que o país "foi longe demais" em alguns casos de espionagem, mas justificou as práticas de Inteligência e coleta de informações como parte da luta contra o terrorismo e a prevenção de atentados. Robert James Woolsey Jr., diretor da CIA em 1995, declarou: "Eu acho que dar-lhe anistia é ser idiota. ... Ele deve ser processado por traição. Se condenado por um júri ..., ele deve ser enforcado pelo pescoço até que ele esteja morto". Em uma entrevista à CNN, Woolsey disse que "o sangue de muitos desses jovens franceses está nas mãos dele."
Sarah Harrison e a saída de Hong Kong
Em 23 de junho de 2013, Snowden embarcou em um avião comercial da Aeroflot, de Hong Kong com destino a Moscou, sob os cuidados de Sarah Harrison, jornalista britânica, pesquisadora legal e editora de WikiLeaks. Sarah trabalha com a equipe de defesa legal de Julian Assange e da WikiLeaks.
Na manhã de 24 de junho de 2013, ficou detido na área de trânsito do Aeroporto Internacional Sheremetyevo enquanto Harrison trabalhava para obter asilo para Snowden juntamente com advogados russos. Em 1 de agosto de 2013, Snowden saiu do aeroporto Sheremetyevo após passar mais de um mês na zona de trânsito local.
Em 29 de Dezembro de 2013, no 30° Congresso de Comunicação Chaos, Sarah Harrison foi aplaudida por longo tempo por ser considerada como tendo salvo a vida de Snowden, bem como por sua participação ativa em tentar proteger os direitos de Chelsea E. Manning.
Em 23 de junho de 2013, o Ministro dos Negócios Estrangeiros equatoriano, Ricardo Patiño, informou pelo Twitter que Edward Snowden pediu asilo político ao Equador, que posteriormente não foi processado por dúvidas e complexidade.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, ofereceu asilo em seu país em 1 de julho de 2013, mas, para isso, exigiu que Edward Snowden parasse de divulgar segredos norte-americanos. Entre tempo enviou pedidos de asilo a 21 países, entre eles: Alemanha, Áustria, Bolívia, Brasil, China, Cuba, Finlândia, França, Índia, Itália, Irlanda, Países Baixos, Nicarágua, Noruega, Polônia, Espanha, Suíça e Venezuela.
No dia 5 de julho, Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, anunciou a aceitação do pedido de asilo político de Snowden.
Em 2 de julho, o avião em que viajava o presidente da Bolívia, Evo Morales, proveniente de Moscou, foi forçado a fazer um pouso de emergência, por falta de combustível, em Viena e a lá permanecer por 14 horas, depois de Portugal, França, Espanha e Itália revogarem as permissões de aterragem e sobrevoo dos seus espaços aéreos, sob pressão dos Estados Unidos, que suspeitavam que Snowden estivesse a bordo. Em 6 de julho, Evo Morales ofereceu asilo humanitário a Snowden.