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Efrém da Síria

Teólogo e hinógrafo do século IV

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Efrém da Síria ou Efrém, o Sírio (em siríaco: ܐܰܦ݂ܪܶܝܡ ܣܽܘܪܝܳܝܳܐ; romaniz.: Ap̄re(y)m Suryoyo; em grego: Ἐφραίμ ὁ Σῦρος; romaniz.: Ephrem hó Syros; c. 306 — 9 de junho de 373) foi um prolífico compositor de hinos e teólogo do século IV, venerado por cristãos do mundo inteiro, especialmente pela Igreja Ortodoxa Síria, como um santo. Nascido em Nísibis, foi discípulo de Tiago de Nísibis na famosa escola da cidade.

Escapando do avanço do exército sassânida, fugiu para Edessa onde lecionou por muitos anos. Autor de uma grande variedade de hinos, poemas e sermões de exegese bíblica, em verso e em prosa. Suas obras são exemplos de uma teologia prática voltadas para defesa da igreja em tempos turbulentos e tornaram-se tão populares que, por séculos após a sua morte, autores cristãos escreveram centenas de trabalhos pseudepígrafes em seu nome.

Por suas obras, foi declarado Doutor da Igreja pelo papa Bento XV em 1920. Efrém tem sido considerado o mais importante de todos os padres da Igreja na tradição siríaca da igreja.

Efrém nasceu por volta de 306 na cidade de Nísibis (moderna Nussaibine, na Turquia, perto da fronteira com a Síria), que tinha se tornado parte do Império Romano apenas oito anos antes, em 298. Evidências internas da hinódia de Efrém sugerem que seus pais eram parte da crescente comunidade cristã da cidade, embora hagiógrafos posteriores tenham defendido que seu pai seria um sacerdote pagão. Diversas línguas eram faladas em Nísibis na época, a maior parte delas dialetos do aramaico, enquanto a comunidade cristã utilizava-se de um dialeto siríaco. A cultura local estava sujeita a influências pagãs, judaicas e das seitas do início do cristianismo.

Tiago (em latim: Jacobus), o segundo bispo de Nísibis e um dos signatários do Concílio de Niceia, foi consagrado em 308 e Efrém cresceu durante seu episcopado; foi batizado ainda menino e, quase certamente, tornou-se um "filho da aliança", uma forma pouco comum do proto-monasticismo siríaco. Tiago indicou Efrém como professor (em siríaco: malp̄ānâ, um título que ainda inspira grande respeito entre os cristãos siríacos), e ele foi ordenado diácono no seu batismo ou em seguida; Efrém começou a compor seus hinos e escrever comentários sobre a Bíblia como parte de sua função de educador. Em seus hinos, ele às vezes se refere a si mesmo como um "boiadeiro" (ܥܠܢܐ, ‘allānâ), ao seu bispo como o "pastor" (ܪܥܝܐ, rā‘yâ) e à sua comunidade como "rebanho" (ܕܝܪܐ, dayrâ). Tradicionalmente, acredita-se que Efrém tenha sido o fundador da Escola de Nísibis, que, nos séculos posteriores, foi o centro do conhecimento do cristianismo oriental.

Em 337, morreu o imperador Constantino (r. 306–337), que legalizou e promoveu a prática do cristianismo no Império Romano. Aproveitando a oportunidade, Sapor II iniciou uma série de ataques no norte da Mesopotâmia romana. Nísibis foi cercada em 338, 346 e 350. Durante o primeiro cerco, Efrém creditou ao bispo Tiago ter defendido a cidade com suas preces. No terceiro, em 350, Sapor desviou o rio Migdônio para minar as muralhas da cidade, porém os habitantes rapidamente a consertaram enquanto a cavalaria de elefantes persa se via atolada no solo úmido. Efrém celebrou o que entendeu ser uma salvação milagrosa da cidade num hino que retratou Nísibis como a Arca de Noé, flutuando em segurança durante o dilúvio.

Uma ligação física importante com a época de Efrém é o batistério de Nísibis. A inscrição dedicatória diz que ele foi construído durante o episcopado do bispo Vologeses em 359. Naquele ano, Sapor atacou novamente e as cidades na vizinhança de Nísibis foram todas destruídas, uma por uma, e seus habitantes foram mortos ou deportados. Constâncio II (r. 337–361) estava incapacitado de responder à agressão, e a campanha de Juliano, o Apóstata (r. 360–363), terminou com a sua morte no campo de batalha. Seu exército então elegeu Joviano como novo imperador e, para resgatar seu exército de uma desgraça maior, ele foi forçado a entregar Nísibis para os sassânidas, além de ser obrigado a permitir que toda a população cristã fosse expulsa.

Efrém, com outros fugitivos, seguiu primeiro até Amida (Diarbaquir) e se assentou finalmente em Edessa (moderna Xanleurfa) em 363. Com quase sessenta anos, dedicou-se ao ministério em sua nova igreja e parece ter continuado a lecionar, talvez na Escola de Edessa. A cidade sempre esteve no coração do mundo siríaco e estava repleta de filosofias e religiões rivais. Em suas obras, Efrém comentou que os cristãos ortodoxos nicenos eram chamados simplesmente de "palutianos" em Edessa, em homenagem a um bispo anterior. Arianos, marcionitas, maniqueístas, bardesanistas e várias seitas gnósticas proclamavam-se como a verdadeira igreja. Nesta confusão, Efrém escreveu um grande número de hinos defendendo a ortodoxia nicena. Um escritor siríaco posterior, Jacó de Batnas, escreveu que ele ensaiava seus coros, todos compostos apenas por mulheres, para que cantassem no ritmo das canções siríacas mais populares no fórum de Edessa. Após um período de dez anos morando ali, Efrém sucumbiu à peste enquanto ministrava às suas vítimas. A data mais confiável de sua morte é 9 de junho de 373.

Mais de quatrocentos hinos compostos por Efrém ainda existem. Dado que muitos devem ter se perdido, não há dúvidas sobre sua produtividade. O historiador da Igreja Sozomeno acredita que Efrém tenha escrito mais de três milhões de linhas. Efrém combina em seus textos três heranças principais: ele se baseia em modelos e métodos do antigo judaísmo rabínico, utiliza com habilidade a filosofia e ciência gregas e se delicia na tradição mesopotâmica do simbolismo oculto.

As mais importantes entre suas obras são os seus hinos edificantes e líricos (ܡܕܖ̈ܫܐ, madrāšê). Estes hinos estão cheios de um imaginário rico e poético baseado em fontes bíblicas, nas tradições populares, em outras religiões e na filosofia. Os madrāšê foram escritos em estrofes de versos silábicos e empregam mais de cinquenta diferentes esquemas métricos. Cada madrāšâ tinha seu qālâ (ܩܠܐ), uma canção tradicional identificada por seu verso inicial. Todos estes qālê se perderam atualmente. Parece que Bardesanes e Manes também compuseram madrāšê e Efrém percebeu que esta mídia seria uma ferramenta adequada para combater seus adversários e suas alegações. Os madrāšê se juntavam em vários ciclos hínicos, cada grupo com um título - Carmina Nisibena, Sobre a Fé, Sobre o Paraíso, Sobre a Virgindade, Contra Heresias - mas alguns deste títulos não fazem jus a todos os hinos da coleção (por exemplo, apenas a primeira metade da Carmina Nisibena é sobre Nísibis). Cada madrāšâ geralmente tinha um refrão (ܥܘܢܝܬܐ, ‘ûnîṯâ), que era repetido após cada estrofe.

Particularmente influentes foram seus "Hinos contra as heresias". Efrém os utilizava para alertar seu rebanho das heresias que ameaçavam dividir a igreja primitiva. Ele lamentava os fiéis que eram "atirados de um lado para o outro e carregados em cada nova doutrina, pela esperteza humana, por suas habilidades e desejos enganadores". Ele também compôs hinos carregados com detalhes da doutrina para inocular os cristãos que pensavam corretamente contra heresias como o docetismo. Os "Hinos contra as heresias" empregam metáforas coloridas para descrever a encarnação de Cristo como sendo tanto totalmente humana e, ao mesmo tempo, divina. Efrém afirma que a unidade de Cristo com a humanidade e a divindade representa a paz, perfeição e a salvação. Em contraste, o docetismo e outras heresias procuravam dividir ou reduzir a natureza de Cristo.

Efrém também escreveu homilias em verso (ܡܐܡܖ̈ܐ, mêmrê). Estes sermões em poesia existem em quantidade muito menor que os madrāšê. Os mêmrê foram escritos em pares heptossilábicos (pares de linhas com sete sílabas cada). A terceira categoria de escritos de Efrém foi a obra em prosa. Ele escreveu comentários sobre o Diatessarão, sobre o Gênesis e sobre o Êxodo. Já sobre o Novo Testamento, ele comentou sobre os Atos dos Apóstolos e as Epístolas Paulinas. Ele também escreveu refutações contra Bardesanes, Mani, Marcião e outros.

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