Neste Dia

Ellen G. White

Escritora norte-americana e pioneira da Igreja Adventista do Sétimo Dia

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Ellen Gould White (Gorham, 26 de novembro de 1827 — Santa Helena, 16 de julho de 1915) foi uma autora americana e co-fundadora da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Junto com outros líderes adventistas, como Joseph Bates e seu marido James White, ela foi influente dentro de um pequeno grupo de primeiros adventistas que formaram o que ficou conhecido como Igreja Adventista do Sétimo Dia. White é considerada uma figura importante na história vegetariana dos Estados Unidos. A revista Smithsonian nomeou Ellen G. White entre os "100 americanos mais significativos de todos os tempos".

White afirmou ter recebido mais de 2 000 visões e Sonhos de Deus em reuniões públicas e privadas ao longo de sua vida, que foram testemunhadas pelos pioneiros adventistas e pelo público em geral. Ela descreveu verbalmente e publicou para consumo público o conteúdo de cada visão. Os pioneiros adventistas viam essas experiências como o dom bíblico de profecia conforme descrito em Apocalipse 12:17 e Apocalipse 19:10, que descrevem o testemunho de Jesus como o "Espírito de profecia". Sua série de escritos O Grande Conflito procura mostrar a mão de Deus na história bíblica e na História da Igreja. Este conflito cósmico, referido pelos teólogos adventistas do sétimo dia como o "Grande Conflito", tornou-se fundamental para o desenvolvimento da Teologia adventista do sétimo dia. Seu livro sobre a vida cristã bem-sucedida, Caminho a Cristo, foi publicado em mais de 140 idiomas. O livro Orientação da Criança, uma compilação de seus escritos sobre cuidados, treinamento e educação infantil, tem sido usado como a base para o sistema escolar adventista do sétimo dia.

White era considerada uma figura controversa por seus críticos, e grande parte da controvérsia centrava-se em seus relatos de experiências visionárias e no uso de outras fontes em seus escritos. O historiador Randall Balmer descreveu White como "uma das figuras mais importantes e coloridas da história da religião americana". Walter Martin a descreveu como "uma das personagens mais fascinantes e controversas que já apareceram no horizonte da história religiosa". Arthur L. White, seu neto e biógrafo, escreve que Ellen G. White é a autora de não ficção mais traduzida na história da literatura, bem como a autora americana de não ficção mais traduzida em geral. Seus escritos cobriram uma ampla gama de assuntos, incluindo religião, relacionamentos sociais, profecia, publicações, nutrição, criacionismo, agricultura, teologia, evangelismo, estilo de vida cristão, educação e saúde. Ela defendia o vegetarianismo. Ela promoveu e foi instrumental na criação de escolas e centros médicos em todo o mundo, sendo os mais renomados a Universidade Andrews em Michigan e a Universidade Loma Linda e Centro Médico na Califórnia.

Durante sua vida, ela escreveu mais de 5 000 artigos em periódicos e 40 livros. Em 2019, mais de 200 títulos de White estão disponíveis em inglês, incluindo compilações de suas 100 000 páginas de manuscritos publicadas pelo Ellen G. White Estate, que são acessíveis no Adventist Book Center. Seus livros mais notáveis são Caminho a Cristo, O Desejado de Todas as Nações e O Grande Conflito.

Ellen e sua irmã gêmea Elizabeth nasceram no dia 26 de novembro de 1827. O nascimento ocorreu numa pequena fazenda no nordeste dos Estados Unidos, na cidade de Gorham. Os pais de Ellen, o fazendeiro Robert Harmon e sua esposa Eunice, tinham mais seis filhos além das gêmeas.

Poucos anos depois do nascimento das gêmeas, Robert Harmon abandonou o trabalho da fazenda e se mudou para a cidade de Portland, onde se dedicou aos negócios exercendo a profissão de chapeleiro. Quando Ellen tinha nove anos de idade, sofreu um grave acidente que quase lhe causou a morte. Ela atravessava a praça da cidade na companhia de sua irmã gêmea e de uma colega quando uma pedra, arremessada por uma garota de aproximadamente treze anos, lhe atingiu o nariz fazendo-a desmaiar. Após acordar tentou ir caminhando para casa, mas sentiu-se atordoada e teve que ser carregada por sua irmã e pela colega. Por conta do acidente, Ellen acabou ficando inconsciente durante três semanas e ninguém além de sua mãe acreditava que ela seria capaz de se restabelecer. Entretanto, Ellen conseguiu recobrar a consciência e foi recuperando as forças vagarosamente. Nos anos seguintes, Ellen sofreu grandemente como resultado deste sério ferimento no nariz, especialmente no que se refere à educação.

Durante dois anos, Ellen não podia respirar pelo nariz e pouco frequentou a escola. Ela não conseguia reter na memória o que aprendia. A mesma menina que lhe arremessou a pedra foi nomeada monitora pela professora para ajudar Ellen com os estudos. A menina era meiga e paciente com Ellen e se mostrava triste ao ver Ellen lutando com as dificuldades para aprender. Ellen sofria com o sistema nervoso abalado, mãos trêmulas, tontura e tosse. A mais forte luta da juventude de Ellen foi decidir seguir o conselho dado por suas professoras de abandonar a escola e não retomar os estudos antes de sua saúde melhorar. Ela mesma descreve esta experiência:

Minhas professoras me aconselharam a parar de frequentar a escola e não continuar os estudos até melhorar de saúde. A luta mais terrível da minha infância foi me ver obrigada a ceder à minha fraqueza corporal e decidir que era necessário deixar os estudos e renunciar a toda esperança de educação.

A educação de Ellen foi limitada aproximadamente aos 10-11 anos.

Em 1840 sua família se envolveu com o Movimento Millerita. Enquanto frequentava as palestras de William Miller, ela se sentia culpada por seus pecados e estava cheia de terror por estar eternamente perdida. Ela descreveu passar noites em lágrimas e orações e estar nessa condição por vários meses. No mesmo ano, Ellen e seus pais participaram de uma reunião campal da Igreja Metodista em Buxton, Maine, e Ellen, na ocasião com 12 anos de idade, entregou seu coração a Deus. Em 26 de junho de 1842, a seu pedido, ela foi batizada por imersão em Casco Bay, Portland. No mesmo dia, Ellen foi aceita como membro da Igreja Metodista. Nos seus últimos anos, ela se referiu a este como o período mais feliz da sua vida. No entanto, o envolvimento de sua família com o Millerismo causou a sua desassociação pela igreja Metodista local.

Ellen White relatou sobre sua primeira experiência visionária em dezembro de 1844, aos 17 anos, não muito tempo depois do Grande Desapontamento de 22 de outubro de 1844.

"Nesta época visitei a irmã Haines, uma irmã em Cristo cujo coração estava cingido ao meu. Éramos cinco pessoas, todas mulheres, reverentemente curvadas ante o altar da família. Enquanto orávamos, o poder de Deus desceu sobre mim como antes não o experimentara ainda. Pareceu-me estar rodeada de luz, e ir-me elevando acima da Terra." (Testemunhos Seletos, vol. 2, p. 270)

A primeira visão da Irmã White tinha por objetivo erguer os cristãos desencorajados e fragmentados a fim de uni-los novamente. Ela viu o "povo do advento" viajando em um alto e reto caminho em direção à Nova Jerusalém. "Tinham uma luz brilhante colocada por trás deles no começo do caminho, a qual um anjo me disse ser o "clamor da meia-noite". Alguns dos viajantes ficaram cansados e foram encorajados por Jesus; outros negavam a existência da luz que os guiava e "caíam do caminho para baixo, no mundo tenebroso e ímpio". A visão continuou com cenas da segunda vinda de Cristo, seguida da entrada do povo do advento na Nova Jerusalém; e termina com o retorno de Ellen White à Terra, sentindo-se solitária, desolada e almejando um "mundo melhor". Como Godfrey T. Anderson salienta, "Com efeito, a visão garantiu ao povo adventista um eventual triunfo, a despeito do imediato desespero no qual eles haviam mergulhado.

A segunda visão de White relacionava-se às visões de Crozier sobre O desapontamento de 22 de outubro. Ela tornou-se conhecida como a visão do "Noivo"; Ellen White a recebeu em Exeter, Maine, em fevereiro de 1845. Juntamente com a terceira visão, onde White viu a nova terra, essas visões "Deram um contínuo significado à experiência de outubro de 1844 e apoiou o desenvolvimento do pensamento racional sobre o santuário. Além disso, as visões desempenharam um importante papel no combate às visões espirituais de muitos adventistas fanáticos, retratando Deus e Jesus como seres literais e o Céu como um lugar físico."

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