Emílio Garrastazu Médici GColTE • GColSE (Bagé, 4 de dezembro de 1905 – Rio de Janeiro, 9 de outubro de 1985) foi um militar e político brasileiro. Foi o 28.º presidente do Brasil, sendo o terceiro do período da ditadura militar brasileira, entre 30 de outubro de 1969 e 15 de março de 1974. Participou da Revolução de 1930 liderada por Getúlio Vargas. Na sua carreira militar, atingiu o posto de General de exército.
Durante o seu governo, o país viveu o chamado "milagre econômico", caracterizado pelo crescimento de 55,84% do PIB (média de 11,16%) e 42,15% da renda per capita (média de 8,43%), mas triplicando a dívida externa com aumento de concentração de renda. Médici assumiu com a inflação em 19,31% e entregou a 15,54%. Entretanto, deve-se considerar que o aumento da taxa de crescimento deste período ocorreu por causa do aumento do total de investimento estrangeiro e de um amplo programa de investimentos do Estado, através da aplicação de fundos de instituições internacionais de crédito. Este último fator provocou uma elevação drástica na dívida externa, que de um total de 3,9 bilhões de dólares em 1968 saltou para mais de 12,5 bilhões de dólares em 1973.
No seu governo concluíram-se também projetos desenvolvimentistas como o Plano de Integração Nacional (PIN), que permitiu a construção das rodovias Transamazônica e a Ponte Rio-Niterói, entre outras, além de grandes incentivos fiscais à indústria e à agricultura, o PIS/PASEP, o acordo com o Paraguai para a construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu, até hoje a hidrelétrica de maior produtividade no mundo.[carece de fontes?]
Ao longo do governo de Médici, a ditadura militar atingiu seu pleno auge, com controle das poucas atividades políticas toleradas; a repressão e a censura às instituições civis foram reforçadas e qualquer manifestação de opinião contrária ao sistema foi proibida. Foi um período marcado pelo uso sistemático de meios violentos de repressão como a tortura e o assassinato. Seu período na presidência ficou conhecido historicamente como "Anos de Chumbo".[carece de fontes?]
Seus pais eram Emílio Médici e Julia Garrastazu, ambos nascidos no Uruguai. Seu pai era filho de imigrantes italianos, enquanto que sua mãe era descendente inteiramente de bascos, sendo seu lado paterno pelo lado espanhol (Guipúscoa) e o materno pelo lado francês (Baixa Navarra).
Emilio Garrastazu Medici foi casado com Scylla Gaffrée Nogueira e pai de Sérgio Nogueira Médici (um agropecuarista, falecido em maio de 2008) e de Roberto Nogueira Médici (um engenheiro e professor universitário). Ambos nasceram em Bagé, no Rio Grande do Sul, e foram Comendadores (20 de julho de 1972) e Grandes-Oficiais (26 de julho de 1973) da Ordem Militar de Cristo de Portugal.
Estudou no Colégio Militar de Porto Alegre. Formou-se oficial de cavalaria na Escola Militar de Realengo (1924–1927). Em 1927, foi promovido a segundo-tenente e a primeiro-tenente, em 1929. Contra os opositores à Revolução de 1930, foi o comandante do 12º Regimento de Cavalaria, razão pela qual Getúlio Vargas o promoveu a capitão, porém devolvido a segundo-tenente após a consolidação do Golpe de 1930 no mesmo ano. Defendeu o Governo Vargas contra a Revolução Constitucionalista de 1932.
Durante a década de 30, ele e sua esposa aderiram ao Integralismo, fazendo parte do núcleo de Bagé da Ação Integralista Brasileira.
Em 1934, galga definitivamente a patente de capitão, sendo designado ajudante-secretário na Escola de Estado-Maior em 1937, porém afastado do Rio de Janeiro em 1939 para o 8º Regimento de Cavalaria, situado em Uruguaiana (RS).
Em 1957, assumiu a Chefia do Estado Maior da 3.ª Região Militar, em Porto Alegre, a convite do general Arthur da Costa e Silva, então comandante daquela unidade, com quem estabeleceu forte amizade.
Foi promovido a general de brigada em 1961 e apoiou a posse do Presidente João Goulart, sob o regime parlamentarista. Não há indícios que tenha participado da conspiração para derrubar João Goulart. Em abril de 1964, por ocasião do golpe militar de 1964, Médici era o comandante da Academia Militar de Agulhas Negras, mobilizando momentaneamente os cadetes, quando avisado por telefonema de seu amigo General Costa e Silva. Posicionando-se em Resende (RJ), Médici angariou, isto é, pacificou as tropas paulistas do II Exército e dissuadiu o Ministro da Guerra Armando de Moraes Ancora (nomeado por João Goulart) da missão presidencial de ataque.
Posteriormente foi nomeado adido militar nos Estados Unidos, onde tinha problemas com o salário e com a coluna, e onde manteve-se retraído por ser monoglota. Em menos de dois anos retornou ao Brasil. Em 1967, sucedeu Golbery do Couto e Silva na chefia do Serviço Nacional de Informações, o órgão de inteligência da ditadura militar (SNI). Permaneceu no cargo por dois anos, período em que atuou de forma discreta; seus cartões de visita eram disputados - o ex-ministro Armando Falcão carregava um dentro da carteira numa capa de plástico. A única atividade social de Médici era ir aos estádios, com um rádio colado ao ouvido.
Durante sua gestão, o SNI participou da apuração de esquemas de fraude financeira e de remessas ilegais de lucros ao exterior envolvendo as empresas estrangeiras Mannesmann e Dominium. Sob seu comando, o órgão também ampliou suas atribuições, passando a desempenhar funções de assessoramento ao governo federal e a dedicar-se ao estudo de questões sociais e econômicas, além de suas atividades de segurança e informação.
Apoiou o Ato Institucional Número Cinco na reunião do Conselho de Segurança Nacional em que Costa e Silva assinou o ato.
Entre 16 de abril e 20 de outubro de 1969, comandou o III Exército, com sede em Porto Alegre.
Com o afastamento definitivo do presidente Costa e Silva por causa de um derrame cerebral, uma junta militar presidida pelo Almirante Augusto Rademaker assumiu a presidência provisória da república, pelo período de 60 dias. A junta fez uma consulta a todos os oficiais generais das forças armadas, para escolher entre ele e o general Albuquerque Lima. Médici foi eleito como novo presidente da república com a maioria dos votos. Antes da posse de Médici, a junta ainda outorgou uma emenda modificando o texto inicial da Constituição de 1967.
Médici exigiu que, para sua posse na presidência, o Congresso Nacional fosse reaberto. E assim foi feito: em 25 de outubro de 1969, Emílio Garrastazu Médici teve a escolha como presidente da república sacramentada por uma sessão conjunta do Congresso Nacional, obtendo 293 votos, com 75 abstenções. Tomou posse no dia 30 de outubro de 1969, tendo consciência do caráter de exceção do regime e prometendo restabelecer a democracia até o final de sua gestão, o que não ocorreu.
Médici, ao contrário dos presidentes anteriores (Castelo Branco e Costa e Silva) e de seu sucessor, Geisel, não cassou mandato eleitoral de nenhum político, conforme Delfim Neto, seu ministro da Fazenda, declarou à revista Isto É: