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Enver Hoxha

Revolucionário, estadista e político albanês (1908–1985)

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Enver Halil Hoxha (Gjirokastër, 16 de outubro de 1908 – Tirana, 11 de abril de 1985) foi um revolucionário comunista albanês, estadista e teórico político que liderou a Albânia de 1944 até sua morte, em 1985.

Hoxha foi professor no liceu francês de Korçë até a invasão italiana da Albânia, em 1939, quando foi demitido por recusar-se a ingressar no recém-formado Partido Fascista Albanês. Em seguida, abriu uma tabacaria em Tirana que se tornou ponto de encontro de militantes comunistas. Em 1941, participou da fundação do Partido Comunista da Albânia, posteriormente denominado Partido do Trabalho da Albânia. Durante a Segunda Guerra Mundial, atuou como secretário do Comitê Central do partido e comissário do Exército de Libertação Nacional, que combateu as forças de ocupação do Eixo e grupos rivais no país. Entre 1944 e 1954 foi primeiro-ministro da Albânia e, como líder do Partido do Trabalho da Albânia, exerceu a direção efetiva do Estado até sua morte.

Sob sua liderança, a Albânia passou por um processo de industrialização, expansão da educação e coletivização da agricultura. Seu governo também promoveu a nacionalização da economia, restringiu progressivamente as atividades religiosas — proibidas em 1967 — e manteve um sistema político de partido único. O período foi marcado tanto por avanços em indicadores sociais quanto por repressão política, restrições às liberdades civis e perseguição a opositores.

A política externa de Hoxha caracterizou-se pelo alinhamento ao marxismo-leninismo antirrevisionista e pelo crescente isolamento internacional. Após romper relações com a União Soviética no início da década de 1960 e com a República Popular da China no final da década de 1970, desenvolveu uma corrente ideológica conhecida como hoxhaísmo, adotada por diversos partidos e organizações comunistas em diferentes países.

Enver Hoxha (pronuncia-se: ɛnˈvɛɾ ˈhɔdʒa) nasceu em Ergiri, hoje denominada como Gjirokastër, uma cidade no sul da Albânia que abrigou muitas famílias importantes. Era filho do comerciante de roupas Tosk Bektashi, que viajou pela Europa e pelos Estados Unidos. Aos 16 anos de idade ajudou a fundar e se tornou secretário da Sociedade dos Estudantes de Gjirokastër, que protestava contra o governo monarquista. Após a Sociedade ter sido banida pelo governo, deixou sua cidade e se mudou para Korçë, dando continuação a seus estudos em uma escola de francês. Lá, aprendeu sobre história, literatura e filosofia francesas. Nesta cidade, leu pela primeira vez o Manifesto Comunista. Enver tomou estas ideias para si com uma grande intensidade, especialmente depois que o Rei Zog subiu ao poder, em 1928.

Em 1930, Hoxha foi estudar na Universidade de Montpellier, na França, por meio de uma bolsa de estudos do Estado, concedida a ele pela rainha-mãe para o curso de ciências naturais. Compareceu às aulas e conferências da Associação de Trabalhadores, organizadas pelo Partido Comunista Francês, mas logo deixou de frequentá-las porque desejava se formar em direito ou em filosofia. Após um ano, sem muito interesse por biologia, deixou Montpellier em direção a Paris, com o objetivo de continuar seus estudos universitários. Cursou filosofia na Sorbonne (no ambiente marxista da capital francesa) e colaborou com L’Humanité, escrevendo artigos sobre a situação na Albânia sob o pseudônimo de “Lulo Malësori”. Também se envolveu com o Grupo Comunista Albanês sob a tutelagem de Llazar Fundo, que também lhe dava aulas de direito. Logo abandonou os estudos novamente e, de 1934 a 1936, foi secretário no consulado albanês em Bruxelas, ligado ao escritório pessoal da rainha-mãe Sadijé. Ele foi demitido após o cônsul ter descoberto que seu funcionário guardava materiais e livros marxistas em seu escritório. Voltou à Albânia e se tornou um professor de gramática em Korçë. Em consequência de sua extensa educação, Hoxha era fluente em francês e tinha conhecimento profundo do italiano, sérvio, inglês e russo. Como líder, muitas vezes citaria o Le Monde e o International Herald Tribune.

Hoxha foi demitido de seu emprego como professor após a invasão italiana por se recusar a entrar para o Partido Fascista Albanês. Em seguida, abriu uma tabacaria em Tirana chamada Flora, onde um pequeno grupo de comunistas passou a se reunir. Por fim, o governo fechou a tabacaria.

Em 8 de novembro de 1941, o Partido Comunista da Albânia (renomeado em 1948 como Partido Trabalhista da Albânia) foi fundado. Hoxha foi escolhido como um dos sete membros do Comitê Central provisório. Depois da conferência de setembro de 1942 em Pezë, a Frente de Libertação Nacional foi fundada com o propósito de unir os albaneses antifascistas, independentemente de ideologia ou classe.

Em março de 1943, a primeira Conferência Nacional do Partido Comunista elegeu Hoxha formalmente como o primeiro secretário. Durante a guerra, o papel da União Soviética foi insignificante, fazendo da Albânia a única nação ocupada durante a Segunda Guerra Mundial cuja independência não foi determinada por uma grande potência. No dia 10 de julho de 1943, os grupos partisans albaneses foram organizados em unidades regulares de companhias, batalhões e brigadas e nomeados como o Exército Albanês de Libertação Nacional. O Quartel General foi criado com Spiro Moisiu como comandante e Enver Hoxha como comissário político. Os partisans comunistas da Iugoslávia tiveram um papel muito mais prático, ajudando a planejar ataques e trocando suprimentos, mas a comunicação entre eles e os albaneses estava limitada a cartas, que muitas vezes chegariam tarde demais, algumas vezes logo após um plano ter sido aprovado pelo Exercito de Libertação Nacional sem que os partisans Iugoslavos fossem consultados. Em agosto, um encontro secreto foi realizado entre a Balli Kombëtar (Frente Nacional) — que era anticomunista e antifascista — e o Partido Comunista. O resultado deste encontro foi um acordo com o objetivo de as forças na luta contra os italianos. A fim de encorajar a Balli Kombëtar a cooperar, foi aprovado o plano de uma Grande Albânia, que incluía o Kosovo (então parte da Iugoslávia) e Çamëria (parte da Grécia).

Um problema se desenvolveu no entanto, quando os comunistas iugoslavos discordaram do plano de uma Grande Albânia e pediram aos comunistas na Albânia para que se retirassem do seu acordo. De acordo com Hoxha, Josip Broz Tito concordou que “Kosovo era albanesa”, mas a oposição por parte dos sérvios fez da transferência uma opção inviável. Após os comunistas albaneses terem repudiado a ideia da Grande Albânia, a Balli Kombëtar condenou os comunistas, que por sua vez acusaram a Balli Kombëtar de ficar ao lado dos italianos. A Balli Kombëtar, entretanto, tinha pouco apoio popular. Após concluírem que os comunistas eram uma ameaça imediata ao país, a Balli Kombëtar passou a apoiar os alemães, arruinando fatalmente a sua imagem entre aqueles que combatiam os fascistas. Os comunistas rapidamente incluíram em suas fileiras muitas dessas pessoas desiludidas com a Balli Kombëtar e tomaram a dianteira na luta pela libertação.

O Congresso Nacional de Përmet, realizado naquela mesma época, decidiu em favor de uma “nova e democrática Albânia para o povo.” O rei Zog foi proibido de visitar a Albânia novamente, o que fortaleceu ainda mais o controle dos comunistas. O Comitê Antifascista pela Libertação Nacional foi fundado, com Hoxha sendo seu líder. No dia 22 de outubro, após um encontro em Berat, o comitê se tornou o governo provisório da Albânia e Hoxha foi escolhido como primeiro-ministro interino. Tribunais foram convocados para julgar supostos criminosos de guerra que foram designados como “inimigos do povo”, e foram presididos por Koçi Xoxe.

Após a libertação da ocupação fascista no dia 29 de novembro de 1944, muitos partisans albaneses cruzaram a fronteira com a Iugoslávia ocupada pela Alemanha Nazista, onde lutaram ao lado dos partisans de Tito e do Exército Vermelho soviético em uma campanha conjunta que repeliu com sucesso o que restava da resistência alemã. O marechal Tito, durante uma conferência na Iugoslávia nos seus últimos anos, agradeceu a Hoxha pela assistência dada pelos partisans albaneses durante a Guerra pela Libertação Nacional (Lufta Nacional Çlimrimtare). Os albaneses celebram o Dia da Independência no dia 28 de novembro (que é a data na qual eles declararam sua independência do Império Otomano, em 1912), ao passo de que na antiga República Popular Socialista da Albânia as festividades da Libertação Nacional se comemoravam no dia 29 de novembro. A Frente Democrática sucedeu a Frente de Libertação Nacional em agosto de 1945 e as primeiras eleições na Albânia pós-guerra foram realizadas no dia 2 de dezembro. A Frente Democrática era a única organização autorizada a concorrer às eleições e relatos do governo indicam que 93% dos albaneses votaram nela.

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