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Ernst Jünger

Filósofo alemão

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Ernst Jünger (Heidelberg, 29 de março de 1895 – Riedlingen, 17 de fevereiro de 1998) foi um militar, escritor, filósofo, radical aristocrata e entomologista alemão. Jünger manteve uma filosofia consistente ao longo de sua vida longeva (ele morreu em 1998, aos 102 anos). Ele se opôs ao que era e é comum a todas as ideologias modernas — a opressão espiritual do homem e a visão do homem como máquina, como instrumento para fins utópicos; apesar de ter escrito contra valores liberais, a democracia e a República de Weimar e seus livros terem sido populares entre os nazistas A filosofia de Jünger está alinhada com o "niilismo ativo" de Friedrich Nietzsche e o "império da técnica" de Heidegger, a quem Jünger influenciou profundamente.

Jünger terminou a vida como uma figura literária honrada, embora os críticos continuassem a acusá-lo de glorificar a guerra como uma experiência transcendental em algumas de suas primeiras obras. Ele foi um militarista fervoroso e uma das figuras mais complexas e contraditórias da literatura alemã do século XX

Depois de uma adolescência agitada e de uma fuga, em 1913, aos dezesseis anos, para se engajar na Legião Estrangeira, quando pode conhecer a África, acabou sendo trazido pelo pai, de volta à Alemanha. Em 1914, no início da Primeira Guerra Mundial, apresentou-se como voluntário ao exército alemão e serviu na Frente Ocidental durante todo o conflito, destacando-se por sua bravura. Promovido a suboficial e, depois, a oficial (tenente), foi ferido pelo menos sete vezes. Em 22 de setembro de 1918, aos 23 anos de idade, recebeu, a mais alta condecoração militar da Prússia - a cruz Pour le Mérite, informalmente chamada Blauer Max('Max Azul').

Após a guerra, publicou, em 1920, In Stahlgewittern ('Tempestades de Aço'), um romance em forma de diário, com lembranças de sua vida nas trincheiras e das experiências em combate, como comandante de companhia. Em uma voz desapaixonada e objetiva, Jünger descreve o heroísmo e o sofrimento dele e de seus companheiros, nos combates brutais na Frente Ocidental. Tempestades de Aço foi um sucesso de crítica e público na Alemanha e em outros países. André Gide chegou a escrever que a obra de Ernst Jünger era incontestavelmente o mais belo livro sobre a guerra de 1914 que ele havia lido.

Dois anos depois, publicou Der Kampf als inneres Erlebnis (“Combate como experiência interna”).

Após ser dispensado do exército em 1923, Jünger estudou zoologia e botânica nas universidades de Leipzig e Nápoles. Ele publicou mais lembranças e reflexões sobre suas experiências de guerra em Das Wäldchen (1925; “O Bosque”) e Feuer und Blut (1925; “Fogo e Sangue”).

Apesar de seu militarismo, sua preferência por um governo autoritário e seus ideais nacionalistas radicais, Jünger resistiu às ofertas de amizade de Adolf Hitler no final da década de 1920 e se recusou a aderir ao movimento nazista mesmo depois que o partido chegou ao poder na Alemanha em 1933. Além disso, durante a chancelaria de Hitler, ele escreveu uma alegoria crítica ao nazismo, sobre a devastação bárbara de uma terra pacífica no romance Auf den Marmorklippen (1939; On the Marble Cliffs ), que, surpreendentemente, passou pelos censores e foi publicado na Alemanha.

Sondado pelo partido nazista devido a seu passado de combatente e seus escritos políticos nacionalistas, ele recusou qualquer envolvimento. Depois de 1933 a Gestapo passou a vigiá-lo. Mudou-se para uma aldeia, Goslar, nas montanhas Harz; depois se radicou em Überlingen.

Em 1934 publica a sua primeira denúncia ao racismo fascista em seu texto "Blaetter und Steine" (Folhas e pedras). Em seguida realizou uma série de viagens: à Noruega em 1935, ao Brasil, Ilhas Canárias e Marrocos em 1936.

Durante a Segunda Guerra Mundial em Paris ocupada, mais precisamente desde 1941 Jünger freqüentou os salões literários e de fumadores de ópio, o que permitiu que aos poucos se ligasse aos oficiais insatisfeitos com Hitler.

Em 1943 ele se voltou abertamente contra o totalitarismo nazista e seu objetivo de conquista do mundo, como retratado em Der Friede (“A Paz”). Jünger foi demitido do exército em 1944 depois de ter sido indiretamente vinculado a oficiais que planejaram matar Hitler. Alguns meses depois, seu filho morreu em combate na Itália depois de ter sido condenado a um batalhão penal por motivos políticos.

No ano seguinte contactou com André Gide e Julien Green. Em 1939, mudara-se para Kirchhorst na Baixa Saxônia e é publicada a obra-prima Nos Penhascos de Mármore, romance alegórico que denuncia a barbárie perpetrada pelo nazismo. Mais do que a denúncia de um regime autoritário, o romance ilustra de maneira sutil as forças que se estabelecem num regime ditatorial.

Os fotolivros de Ernst Jünger são acompanhamentos visuais de seus escritos sobre tecnologia e modernidade. Os sete livros de fotografia que Jünger publicou entre 1928 e 1934 são representativos do período mais militarista e radicalmente de direita em sua escrita. Os primeiros fotolivros de Jünger, Die Unvergessenen (O Esquecido, 1929) e Der Kampf um das Reich (A Batalha pelo Reich, 1929) são coleções de fotografias de soldados mortos na Primeira Guerra Mundial e da frente da Guerra Mundial, muitas das quais ele mesmo tirou. Ele também contribuiu com seis ensaios sobre a relação entre guerra e fotografia em um fotolivro de imagens de guerra chamado Das Antlitz des Weltkrieges: Fronterlebnisse deutscher Soldaten (A Face da Guerra Mundial: Experiências de Frente dos Soldados Alemães, 1930) e editou um volume de fotografias que tratam da Primeira Guerra Mundial, Hier spricht der Feind: Kriegserlebnisse unserer Gegner (A Voz do Inimigo: Experiências de Guerra de nossos Adversários, 1931). Jünger também editou uma coleção de ensaios, Krieg und Krieger (Guerra e Guerreiros, 1930, 1933) e escreveu o prefácio de uma antologia fotográfica de aviões e vôo chamada Luftfahrt ist Not! (Voar é imperativo! [ou seja, uma necessidade], 1928).

Sobre as Falésias de Mármore, trad. Carlos Sampaio, Estúdios Cor, Lisboa, 1973. Existe outra tradução desta obra, de Rafael Gomes Filipe, publicada pelas Edições Vega, Lisboa.

Drogas Embriaguez e Outros Temas, trad. Margarida Homem de Sousa, rev. Rafael Gomes Filipe e Roberto de Moraes, Arcádia, Lisboa, 1977. Obra reeditada em 2001 pela Relógio d'Água.

Eumeswil, trad. Sara Seruya, Editora Ulisseia, Lisboa, s. d.

Heliópolis, trad. Aulyde Soares Rodrigues, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1981.

Um Encontro Perigoso, trad. Ana Maria Carvalho, rev. Rafael Gomes Filipe, Difel, Lisboa, 1987.

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