A Eslovénia (português europeu) ou Eslovênia (português brasileiro) (em esloveno: Slovenija, pronunciado AFI: [slɔˈʋèːnija]), oficialmente República da Eslovénia (em esloveno: Republika Slovenija, pronunciado AFI: [rɛˈpùːblika slɔˈʋèːnija] ()), é um pequeno país da Europa Central, limitado a norte pela Áustria, a leste pela Hungria, a leste e a sul pela Croácia e a oeste pela Itália e pelo mar Adriático. O país está localizado no encontro de quatro grandes regiões europeias: a região dos Alpes, a dinárica, a panónica e a mediterrânica.
Ao longo de sua história, o país fez parte do Império Romano, do Império Bizantino, da República de Veneza, do Ducado de Carantânia (o actual norte esloveno), do Sacro Império Romano-Germânico, da Monarquia de Habsburgo, do Império Austríaco (a partir de 1866, Império Austro-Húngaro), do Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos (depois Reino da Jugoslávia) e da República Socialista Federativa da Jugoslávia de 1945 até finalmente conquistar sua independência em 1991.
A sua capital é Liubliana, que também é a mais populosa cidade do país. Faz parte da União Europeia desde 2004, e é também o único ex-país comunista a fazer parte ao mesmo tempo da União Europeia, do Acordo de Schengen, da Zona Euro, da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, do Conselho da Europa e da Organização do Tratado do Atlântico Norte. Nos últimos anos, apresentou uma significativa melhoria em seus indicadores socioeconômicos, refletido por seu Índice de Desenvolvimento Humano, A Eslovênia ocupa a 21ª posição no ranking mundial de IDH em 2026, com um índice de 0,931. De acordo com a ONU name="IDH">Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), ed. (14 de março de 2013). «Relatório de Desenvolvimento Humano 2013 – Ascensão do Sul: progresso humano num mundo diversificado» (PDF). Consultado em 15 de março de 2013 </ref>
Pré-História à colonização eslava
O território esloveno foi povoado em tempos pré-históricos e há indícios de ocupação humana de há cerca de 250 mil anos. Talvez o mais importante achado é uma flauta, supostamente o mais antigo instrumento musical conhecido no mundo, descoberto na caverna Divje Babe perto de Cerkno, datado da era glacial Würm, quando a área era habitada pelos Neandertais.
No período de transição entre a Idade do Bronze à Idade do Ferro, a cultura floresceu. Numerosos vestígios arqueológicos que datam do período de Hallstatt foram encontrados na Eslovênia. Novo Mesto, um dos mais importantes sítios arqueológicos da cultura Hallstatt, foi apelidado de "Cidade de Situlas", após inúmeras situlas encontradas na área.
Na Idade do Ferro, a atual Eslovénia era habitada por tribos ilírias e celtas até ao século I a.C., quando os romanos conquistaram a região, estabelecendo as províncias da Panónia e Nórica. O que é hoje a Eslovénia ocidental foi incluído diretamente sob a Itália Romana, como parte da região X Venetia et Histria. Os romanos estabeleceram postos em Emona (Liubliana), Petóvio (Ptuj) e Celeia (Celje) e construíram rotas comerciais e militares que cortavam o território esloveno da Itália à Panônia.
Nos séculos V e VI, a área foi exposta a invasões de hunos e de germanos durante as suas incursões na península Itálica. Após a saída da última tribo germânica — os lombardos — para a Itália em 568 d.C., os eslavos orientais começaram a dominar a área. Após a resistência bem-sucedida contra os nômades asiáticos ávaros (623 626 d.C.), os eslavos uniram-se com a confederação tribal do rei Samo. A confederação desfez-se em 658 e os povos eslavos, localizados na atual Caríntia, formaram o Ducado Independente da Carantânia.
Os celtas chegaram à região durante os séculos IV e III a.C., fundando o Reino Nórico. Por volta do século I a.C., esse reino foi anexado pelo Império Romano, que fundou as cidades de Emona, Celeia e Petóvio. No século V d.C., ocorreu a divisão do Império Romano, fazendo com que o território esloveno ficasse, juntamente com o croata, no Império Romano do Ocidente. No século VI, chegaram os eslavos, povo que daria origem ao país. Estes fundaram o primeiro estado eslavo, o Ducado de Carantânia, na região da actual Caríntia.
Após o final da Segunda Guerra Mundial em 1945, As repúblicas da
Sérvia, Croácia, Montenegro, Bosnia e Herzegovina, Macedônia e Eslovênia formaram a República Socialista Federativa da Jugoslávia.
Em 1990, após a realização das primeiras eleições multipartidárias na Jugoslávia, a Eslovénia decidiu separar-se da Federação Jugoslava.
Em 1991, a Eslovénia foi reconhecida pela União Europeia, à qual aderiu em 1 de maio de 2004.
A Eslovênia tem uma extensão territorial de 20 273 km2, localizada no centro europeu. Faz fronteira com a Croácia (600 km), Áustria (299 km), Itália (218 km) e Hungria (94 km), e tem uma área costeira de 46,6 km, no mar mediterrâneo. Além da costa do mediterrâneo e uma planície no nordeste, a maior parte do território tem altitude elevada, com picos alpinos, planaltos e cordilheiras, e entre esses vales e bacias aráveis. Falhas tectônicas cruzam o país, responsáveis pelo terremoto ocorrido em 1895, que danificou a capital.
O país contém 4 principais zonas fisiográficas. Os Alpes são uma delas, ocupando 40% da área territorial. No norte e noroeste, ao longo da fronteira com a Áustria e a Itália, estão os altos alpes, onde é possível encontrar o ponto culminante do país, o monte Triglav, com 2 864 m de altitude. Em menor altitude comparado aos altos alpes, é possível encontrar uma região subalpina, na qual se destaca a serra de Pohorje, localizada ao sul do rio Drava. Ao sul dessa região, está situada a capital, assim como a cidade industrial de Kranj. Outra região fisiográfica é o Kras, ou Karst, na região sudoeste do país, caracterizada pelas cavernas e rios subterrâneos. Embora contenha 25% do território nacional, abriga apenas uma pequena parte da população eslovena. A região da subpanônia é uma área fértil, localizada no leste e nordeste da Eslovênia, que inclui os vales dos rios Sava, Drava e Mura. Abriga as cidades de Maribor e Celje. A última região é denominada Primorska, e consiste no litoral esloveno, abrigando a principal cidade portuária do país, Koper.
A maior parte dos rios eslovenos fluem em direção ao rio Danúbio. O rio Sava origina-se nos Alpes Julianos, passando por Ljubliana em direção à Croácia, seu vale servindo como corredor ferroviário que vai à Zagreb e Belgrado. O rio Drava entra na Eslovênia pelo estado austríaco da Caríntia, e o Mura pela Estíria. Ambos convergem na Croácia, onde fluem, assim como o Sava, para o Danúbio. No oeste, o rio Soča origina-se abaixo do monte Triglav, e desagua no golfo de Veneza, na Itália. Devido ao terreno relativamente íngremes do país, os rios têm curso rápido, o que cria potencial hidrelétrico. A poluição hídrica é um problema atual.
As condições climáticas da Eslovênia permitem a divisão em três zonas: uma de clima continental, no nordeste, clima alpino em regiões montanhosas e clima sub-mediterrâneo em áreas ao longo da costa. As maiores diferenças de temperatura ocorrem no nordeste do país, onde há a influência do clima continental; consequentemente, a área de menor variação térmica é a região litorânea. A região mais fria do país é a alpina. A inversão térmica é comum nas áreas mais continentais do território. Devido à diferença das zonas climáticas, há grande variação em relação à precipitação em diferentes regiões: há áreas com precipitação anual de 3 500 mm e outras com 800 mm. Os Alpes Julianos são a área com maior precipitação, e as regiões continentais tem a menor quantidade. O número de dias com pelo menos 1 mm de precipitação varia entre 90 e 130. A ocorrência de neve é comum, embora seja possível perceber uma redução da quantidade dela.
Embora receba precipitação suficiente, há a ocorrência de ocasionais secas de verão, havendo sido registradas 4 em um período de 15 anos. A região nordeste do país é a mais susceptível à secas, e no litoral na região de Karst secas de verão são comuns e ocorrem devido à fatores geológicos. As enchentes podem ocorrer em qualquer período do ano, porém são mais comuns durante o outono, e deslizamentos de terra são gerados ocasionalmente como consequência indireta dessas enchentes. O risco de geadas varia de acordo com a região, sendo mais comum em áreas planas e menos comum em áreas onde o relevo facilita a circulação do vento.