O Essuatíni (em suázi: eSwatini; em inglês: Eswatini), oficialmente Reino de Essuatíni (em suázi: Umbuso weSwatini; em inglês: Kingdom of Eswatini), tradicionalmente Ngwane (Derivado do Epónimo rei Ngwane III) e anteriormente conhecido como Suazilândia, é um país da África Austral, limitado a leste por Moçambique e em todas as outras direções pela África do Sul. Suas capitais são Mebabane (administrativa) e Lobamba (legislativa). O país e seu povo recebem seus nomes de Mswati II, um rei do século XIX em cujo reinado o território de Essuatíni foi expandido e unificado.
Essuatíni é um país em desenvolvimento com uma economia pequena, baseada na agropecuária. Porém o país não é autossuficiente na produção de alimentos, sendo exportador da cana-de-açúcar e abrigando importantes reservas de carvão mineral. Seu PIB per capita é de US$ 9 714, classificando a nação com renda média-baixa. Como membro da União Aduaneira da África Austral e do Mercado Comum da África Oriental e Austral, o seu principal parceiro comercial local é a África do Sul (a fim de garantir a estabilidade econômica, a moeda essuatiniana, o lilanguéni, está indexada ao rand sul-africano, que também é moeda oficial de Essuatíni). Os principais parceiros comerciais no exterior são os Estados Unidos e a União Europeia. A maior parte do emprego do país é fornecida pelos setores agrícola e manufatureiro. Essuatíni é membro da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, da União Africana, da Commonwealth e das Nações Unidas.
A saúde pública enfrenta uma catástrofe, com um terço da população adulta sendo portadora do vírus da AIDS (SIDA em português europeu) — uma das mais altas taxas de contaminação do mundo). A população suázi é bastante jovem, com uma idade média de vinte anos e pessoas com catorze anos ou menos, que constitui 37% do seu total de habitantes. A taxa atual de crescimento populacional no país é de 1,2%. O país possui a décima segunda menor expectativa de vida do mundo, 58 anos.
Esse pequeno e montanhoso país do sul da África, sem saída para o mar, é uma das poucas monarquias remanescentes no continente, sendo esta uma diarquia absoluta, governada conjuntamente pelo Ngwenyama ("rei", o chefe de Estado administrativo) e pela Ndlovukati ("rainha mãe", a chefe de Estado nacional) desde 1986. A sociedade, patriarcal e formada por clãs, admite a poligamia.[carece de fontes?] A atual constituição foi adotada em 2005. Em abril de 2018, o país mudou o seu nome de Reino da Suazilândia para Reino de Essuatíni, que significa "terra dos suázi" na língua suázi (ao invés de Swaziland, proveniente do inglês), durante os eventos de comemoração dos 50 anos de independência do país.
A etimologia de "Essuatíni" está ligada à etnia suazi, que é a população predominante no país. O nome "Essuatíni" é uma tradução do inglês "Eswatini", que significa "terra dos suazi". O nome "Essuatíni", por sua vez, é a forma suazi do mesmo conceito, também significando "terra dos suazi".
Artefatos indicam atividades humanas na região de Essuatíni, datadas do início da Idade da Pedra, cerca de 200 000 anos atrás. Estes artefatos foram encontrados em por todo o país. Pinturas pré-históricas de arte rupestre, que datam de c. 27 000 anos atrás até o século XIX, também foram encontradas em vários partes do país.
Os primeiros habitantes conhecidos da região foram caçadores-coletores de origem Khoisan. Eles foram amplamente substituídos pelos Nguni durante as grandes migrações bantas. Esses povos são originários das regiões dos Grandes Lagos da África oriental e central. As evidências da agricultura e do uso do ferro datam de cerca do século IV. Pessoas que falam línguas ancestrais às atuais línguas Sotho e Nguni começaram a se estabelecer no mais tardar no século XI.
Segundo a tradição, a origem dos suázis data do século XVI e resultou de um grupo que, sob a hegemonia do clã Dlamini, se separou do conjunto de bantos que então migravam para o sul, ao longo da costa de Moçambique. O grupo se fixou numa região entre Pongola e o rio Usutu. O rei Sobhuza I morreu em 1836, acredita-se que seu sucessor, Mswati (Mswazi) II, deu seu próprio nome à tribo. A expansão branca na região, porém, levou o rei ceder as terras ao norte do rio dos Crocodilos à República do Lydenburg, em 1846. Nessa época o rei Mswazi foi forçado a buscar ajuda britânica contra os zulus.
A partir de 1880, a penetração branca resultou em numerosas concentrações de terras, minérios, pastagens e até estradas de ferro e iluminação pública, facilitadas pelo rei Mbandzeni. Em 1888, os suázis consentiram no estabelecimento de um governo local provisório, formado por representantes do governo britânico, sul-africano e suázi, mas em 1893 recusaram uma proposta para instituir ali uma administração sul-africana. No ano seguinte, no entanto, foi assinado um acordo que estabelecia a administração sul-africana em anexação do território suázi.
Após a Guerra dos Bôeres e a instituição do controle britânico sobre Transvaal em 1903, os suázis passaram a ser administrados pelo governador do Transvaal e, em 1906, pelo alto comissário britânico para a Basutolândia, Bechuanalândia e Suazilândia. Os britânicos negaram, em 1949, o pedido de incorporação da Suazilândia pela União-Sul-Africana. Em 1963 promulgou-se na Suazilândia uma constituição que concedia aos suázis uma autonomia limitada. Quatro anos depois, foi proclamado o Reino da Suazilândia sob proteção britânica. Finalmente em 6 de setembro de 1968, o país conquistou plena independência.
Em 1973 e novamente em 1977 o rei Sobhuza II dissolveu o Parlamento e aboliu a constituição, que, em ambas as ocasiões, foi substituída por uma nova num prazo de dois anos. Após a morte do monarca, em 1982, seu filho adolescente Makhosetive foi nomeado príncipe herdeiro e coroado como o rei Mswati III apenas em 1986. Sob sua liderança o país ingressou numa fase de relativo progresso econômico, com um importante incremento dos investimentos estrangeiros e da atividade turística. Pressionado pela oposição, o rei iniciou um processo de democratização no país, com uma série de alterações no sistema eleitoral. Em 1993, realizaram-se as primeiras eleições pluripartidárias do país.
Em 1996, uma conflituosa greve geral exigiu o fim da monarquia absolutista. Mswati III nomeou como primeiro-ministro Barnabas Dlamini e instalou um Comitê de Revisão Constitucional (CRC). Em novembro de 2000, mais uma greve geral por democracia foi duramente reprimida pela polícia. A oposição rejeitou, em janeiro de 2001, o projeto de reformas elaborado pelo CRC. Em maio, o governo proibiu a circulação de duas publicações independentes. A decisão é considerada ilegal pela Alta Corte de Justiça, que a anula. Em junho, decreto real concede poderes ao governo para proibir livros, jornais e revistas. A medida provoca fortes reações contrárias, e o governo dos Estados Unidos ameaçou retirar a ajuda econômica ao país. Em julho, o primeiro-ministro anunciou a revogação do decreto.
Em 2002, Mario Masuku, líder da oposição, foi inocentado da acusação de incentivar rebelião contra o Estado. A Alta Corte de Justiça ordenou sua libertação, após dois anos preso. Na sequência, o Parlamento derrotou a proposta de compra de um jato de 45 milhões de dólares para o rei. O valor era mais que o dobro do orçamento nacional de saúde. Em 2003, os sindicatos chamam greve geral pela redução dos poderes do rei.
Em julho de 2005, o rei assinou a nova Constituição, que entrou em vigor em fevereiro do ano seguinte. O texto mantém a proibição de partidos e impede processos contra a monarquia. Em setembro de 2005, Mswati escolhe uma moça de 17 anos para ser sua 13º mulher. Poucas semanas antes, ele havia anulado a proibição de prática de sexo por mulheres de menos de 18 anos, vigente por quatro anos no país para combater a AIDS.
Em 19 de abril de 2018, Mswati oficialmente mudou o nome da Suazilândia para Essuatíni durante as comemorações do quinquagésimo aniversário da independência do país. O novo nome, Essuatíni, significa "terra dos suázis" em suázi.