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Estêvão III da Hungria

Político húngaro

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Estêvão III (em húngaro: István; em cree: Stjepan; em esloveno: Štefan; verão de 1147 – 4 de março de 1172) foi rei da Hungria e Croácia entre 1162 e 1172. Foi coroado rei no começo de junho de 1162, logo após a morte de seu pai Géza II. Contudo, seus tios Ladislau II e Estêvão IV, que estavam na corte do Império Bizantino, desafiaram seu direito à coroa. Apenas seis anos após sua coroação, o imperador Manuel I (r. 1143–1180) lançou uma expedição à Hungria, forçando os senhores húngaros a aceitar o governo de Ladislau. Estêvão procurou refúgio na Áustria, mas retornou e tomou Bratislava. Ladislau, que morreu em janeiro de 1163, foi sucedido pelo tio mais jovem e homônimo de Estêvão, Estêvão IV, sem resistência, mas seu governo era impopular. O jovem Estêvão derrotou seu tio em 19 de junho de 1163 e expulsou-o da Hungria.

Estêvão IV tentou reconquistar seu trono com apoio de Manuel, mas o último fez a paz com Estêvão III, que concordou em enviar seu irmão mais jovem Bela a Constantinopla e permitiu que os bizantinos tomassem o ducado de Bela, que incluía a Croácia, Dalmácia e Sírmio. Numa tentativa de recapturar esses territórios, Estêvão lutou uma guerra contra o Império Bizantino entre 1164 e 1167, sem sucesso. Os historiadores atribuem-lhe a criação das "leis de Székesfehérvár", o primeiro exemplo de privilégios extensivos concedidos a uma cidade no Reino da Hungria. Ele concluiu uma concordata com os Estados Pontifícios em 1169, renunciando o controle da nomeação dos prelados. Morreu sem filhos vivos.

Estêvão era o filho mais velho de Géza II e sua esposa Eufrosina de Quieve. Nasceu no verão de 1147, quando os cruzados franceses estavam marchando através da Hungria em direção a Terra Santa. O rei Luís VII custeou seu batismo. Uma dama chamada Margarida, que escreveu seu último desejo em 1152, mencionou que "o rei Géza reinou junto de seu filho, o duque Estêvão" naquele ano, indicando que o rei oficialmente nomeou Estêvão como herdeiro. Contudo, sua posição como sucessor de seu pai permaneceu insegura, especialmente após seus dois tios, Estêvão e Ladislau, deixarem a Hungria no final dos anos 1150. Eles se assentariam na corte do imperador Manuel I (r. 1143–1180) em Constantinopla. Géza concedeu a Dalmácia, Croácia e Sírmio a seu filho mais jovem Bela como apanágio pouco antes de sua morte.

Géza II morreu em 31 de maio de 1162. O arcebispo Lucas de Estrigônio corou Estêvão, então com 15 anos, sem atraso. Ao ouvir da morte de Géza, Manuel dirigiu-se às pressas à Hungria, pois "colocou alto valor na soberania" do país, segundo o historiador bizantino João Cinamo. Outro historiador bizantino, Nicetas Coniata, escreveu que o imperador decidiu apoiar o tio mais jovem e homônimo do rei na sua tentativa de conseguir o trono na esperança de "poder receber a posse indiscutível e garantida" de Sírmio e Zemuno de seu protegido. Quando apoiou a reivindicação do irmão mais velho do rei, referiu-se à "lei húngara" que prescrevia que a coroa deveria passar "sempre aos irmãos sobreviventes", segundo Cinamo.

Manuel enviou um exército à Hungria que avançou tão longe quanto Haram, onde seus emissários abriram negociações com os barões húngaros. Subornados pelos bizantinos e temerosos de uma invasão, os magnatas concordaram em aceitar Ladislau, que era o mais velho dos dois tios do rei, como um "candidato de compromisso". O exército de Estêvão foi repelido em Capuvária. Fugiu da Hungria e procurou refúgio na Áustria seis meses após sua coroação. O arcebispo Lucas foi um dos poucos que permaneceram leais ao jovem monarca, se recusando a coroar seu tio. Depois do arcebispo Miguel de Coloca realizar a coroação de Ladislau, Lucas excomungou o usurpador, alegando que este tomou ilegalmente a coroa de seu sobrinho.

Estevão III retornou da Áustria e capturou Bratislava. Não pôde tomar vantagem da morte de seu tio em 14 de janeiro de 1163, pois Ladislau foi sucedido por seu irmão mais jovem, Estevão IV. No entanto, o apoio de Estêvão IV aos interesses do Império Bizantino causou insatisfação entre os barões húngaros. O jovem Estêvão reuniu um exército de barões que desertaram seu tio e aumentou-o com mercenários germânicos. Estêvão III derrotou o tio em Székesfehérvár em 19 de junho de 1163. O Estêvão mais velho foi capturado, mas Estêvão III libertou-o sob conselho de Lucas. O arcebispo, junto com a rainha viúva Eufrosina, permaneceram como os principais conselheiros do jovem durante seu reinado. O Estêvão destronado fugiu ao Sacro Império Romano Germânico, mas partiu pouco depois ao Império Bizantino, onde Manuel novamente prometeu seu apoio.

Guerras com o Império Bizantino (r. 1164–1167)

Manuel enviou um exército à Hungria para ajudar Estêvão IV a readquirir o trono. O jovem Estêvão procurou assistência do rei da Boêmia Ladislau II (r. 1140–1172) contra seu tio e os bizantinos, mas os barões boêmios recusaram-se lutar. Depois, Estêvão III enviou emissários a Manuel, mas "eles prometeram nada genuíno", segundo Cinamo. O imperador continuou sua campanha, mas logo "percebeu que era então impossível para" seu protegido "governar a terra dos húngaros" e abriu negociações com Estêvão III. Segundo seu tratado de paz, Manuel reconheceu o governo do jovem Estêvão, e o último concordou em enviar seu irmão Bela à Constantinopla. Estêvão III também prometeu que permitiria aos bizantinos tomar controle do ducado de Bela.

Abandonado por Manuel, Estêvão IV aproximou-se de imperador Frederico I. Em torno da mesma época, um grupo de barões húngaros e prelados enviou uma carta a Frederico, alegando que desejavam aceitar sua suserania. Estêvão III também enviou seus emissários a Frederico, que decidiu não intervir, mas ordenou aos seus vassalos — o rei da Boêmia, o duque da Áustria e o marquês da Estíria — ficassem de olho na situação política na Hungria. O filho de Ladislau II da Boêmia, Esvatopluque, casou-se com a irmão de Estêvão III, Odola. O noivado de Estêvão III com uma filha de nome incerto de Jaroslau Osmomislo da Galícia também ocorreu nessa época.

No ano seguinte, Estêvão quebrou seu tratado com Manuel e "usurpou a herança de Bela", segundo Cinamo. Um cartuxo de 1164 do arcebispo Pedro de Espalato foi datado em referência ao governo de Estêvão III e seu bano Ompudino, sugerindo que ao menos uma parte do ducado de Bela — a Dalmácia Central — estava sob governo de Estêvão naquele tempo. Por outro lado, o tio destronado de Estêvão invadiu Sírmio, onde massas de resistentes celebraram seu retorno. Acompanhado por forças do rei boêmio Ladislau, e tropas auxiliares da Áustria e Galícia, Estêvão lançou uma campanha contra ele. Manuel, que estava a ponto de marchar contra o Reino Armênio da Cilícia, retornou ao Danúbio e atacou a Hungria, avançando tão longe quanto Baco. Ele contactou Ladislau e persuadiu-o a negociar um acordo de paz com Estêvão. Abandonado por seu aliado mais importante, Estêvão foi obrigado a renunciar Sírmio em favor do Império Bizantino, mas apenas após o imperador prometer que nunca apoiaria seu tio. Mesmo assim, Manuel permitiu ao destronado ficar em Sírmio.

Logo, Estêvão invadiu a Dalmácia, embora prometeu ao doge Vital II Miguel (r. 1156–1172) que ele se retiraria das cidades dálmatas. Após a chegada de Estêvão, os cidadãos de Zadar repeliram o governador veneziano e aceitaram sua suserania. Ele novamente atacou Sírmio e sitiou seu tio em Zemuno na primavera de 1165. Manuel decidiu fazer um contra-ataque, mas uma rebelião de seu primo Andrônico Comneno evitou que marchasse ao Danúbio. No entanto, Manuel enviou emissários aos monarcas que antes apoiavam Estêvão, persuadindo-os a permanecerem neutros no conflito. O tio de Estêvão morreu de envenenamento durante o cerco em 11 de abril. A fortaleza logo caiu para Estêvão. Os bizantinos iniciaram o contra-ataque no final de junho. Um exército sob comando de Manuel sitiou Zemuno e recapturou-a; uma outra força bizantina invadiu e ocupou a Bósnia e Dalmácia. A marinha veneziana interveio ao lado dos bizantinos na Dalmácia, forçando Zadar a novamente aceitar o governo do doge. Estêvão poderia apenas concluir um novo acordo de paz com Manuel após renunciar a Sírmio e à Dalmácia.

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Estêvão III da Hungria | World in Stories