Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen (nome pessoal em alemão: Stephanie Josepha Friederike Wilhelmine Antonia von Hohenzollern-Sigmaringen; Krauchenwies, 15 de julho de 1837 – Lisboa, 17 de julho de 1859) foi a esposa do Rei D. Pedro V e Rainha Consorte de Portugal e Algarves de 1858 até sua morte.
Faleceu aos 22 anos, vítima de difteria, apenas um ano após o casamento, provocando intenso luto entre o povo português e mergulhando o rei em profunda tristeza.
Nascida uma princesa alemã da Casa de Hohenzollern-Sigmaringen, Stephanie Josepha Friederike Wilhelmine Antonia nasceu em 15 de julho de 1837, no Castelo de Krauchenwies, na localidade de mesmo nome. Permaneceu em Sigmaringen até 1852, quando, aos quinze anos de idade, mudou-se com a família para Düsseldorf. Nessa cidade, seu pai passou a exercer um alto cargo militar, após ter, em 1849, cedido seus domínios soberanos à Prússia.
A formação de Estefânia foi marcada por forte orientação religiosa e pelo interesse pelo aprendizado intelectual e artístico. O contato com a produção artística local e com obras de pintores reconhecidos contribuiu para o desenvolvimento de sua educação estética.
Frequentou a Academia de Belas-Artes de Düsseldorf (Kunstakademie Düsseldorf), instituição na qual teve acesso a um acervo significativo de obras pictóricas. Recebeu aulas de desenho do professor Alucke. Segundo o autor Viale, "os seus progressos nessa área, bem como sua capacidade de apreciação crítica da produção artística das diferentes escolas, foram posteriormente reconhecidos por Wagner, diretor da Real Galeria de Berlim, durante uma visita realizada em fevereiro de 1858".
Viale também registra os conhecimentos linguísticos de Estefânia. Além do francês, que dominava com fluência oral e escrita, aprendeu com facilidade as línguas italiana e inglesa. Demonstrava familiaridade com obras poéticas de destaque nessas línguas, às quais recorria em momentos livres de suas atividades regulares, dedicadas principalmente às práticas religiosas e às ações de beneficência.
Estefânia dedicava parte significativa de seu tempo a atividades assistenciais e ao cumprimento de deveres religiosos. Costumava visitar doentes e pessoas em situação de necessidade, oferecendo auxílio material. Essas ações contribuíram para que fosse amplamente estimada pela população local.
A partir da primavera de 1852, residiu de forma regular em Düsseldorf. Anualmente, entre os meses de setembro e 4 de dezembro, passava cerca de três meses com a família em uma propriedade situada em Weinburg, na Suíça, nas proximidades do lago Constança. Antes de se estabelecerem em Düsseldorf, a família permaneceu durante dezoito meses alternadamente em Basileia e em Neisse, na Silésia. Foi em Düsseldorf que Estefânia se encontrava quando, em 8 de julho de 1857, seu pai lhe comunicou que o rei D. Pedro V de Portugal a havia escolhido como futura esposa.
Quando o rei D. Pedro V atingiu a maturidade, a questão de seu casamento passou a ser tratada como uma questão de Estado no cenário político europeu. A rainha Vitória do Reino Unido e seu consorte, o príncipe Alberto, demonstraram particular interesse no futuro matrimônio do rei, que era seu primo. Diversas candidatas foram consideradas, entre elas Isabel da Espanha, Princesa das Astúrias, Vitória, Princesa Real do Reino Unido, e a princesa Carlota da Bélgica. Ao final das negociações, a escolha recaiu sobre Estefânia.
A participação do príncipe Alberto e da rainha Vitória na negociação do casamento entre D. Pedro e Estefânia é registrada em correspondência da época. Registros documentais indicam que ambos desempenharam papel relevante na concretização do matrimônio e na ascensão de Estefânia ao trono de Portugal.
D. Pedro não teve contato prévio com Estefânia antes do casamento. O primeiro encontro ocorreu em 17 de maio de 1858, quando ele a visitou a bordo da corveta Bartolomeu Dias, logo após sua chegada a Lisboa.
O pedido formal de casamento da princesa foi realizado em Düsseldorf, em 15 de dezembro de 1858.
Em 18 de março de 1858, o duque da Terceira foi designado para celebrar e formalizar o auto de recepção da nova rainha. O casamento por procuração realizou-se em 29 de abril, às duas horas da tarde, na Igreja de Santa Edviges, em Berlim, com D. Pedro representado por seu cunhado, o príncipe Leopoldo.
Ainda no mesmo dia, conforme o programa oficial, realizou-se um almoço no palácio do príncipe herdeiro do Prússia, durante o qual foram feitos brindes formais às casas reais de Portugal e da Prússia. Com exceção do rei Guilherme I, que se encontrava enfermo, toda a família real prussiana esteve presente, assim como a embaixada portuguesa e convidados pertencentes à alta nobreza e aos principais cargos do reino.
Após os compromissos oficiais, Estefânia seguiu viagem para Plymouth, Inglaterra, onde embarcou na corveta Bartolomeu Dias com destino a Portugal.
Em 18 de maio de 1858, salvas de artilharia ao amanhecer comunicaram oficialmente à população de Lisboa a realização das cerimônias do casamento do rei D. Pedro V. A corveta Bartolomeu Dias, que havia transportado a noiva, encontrava-se fundeada em frente à Praça do Comércio. Às nove horas e doze minutos foi anunciada a saída do monarca do Paço das Necessidades, e pouco antes das dez horas o cortejo real chegou à Praça do Comércio, conforme o programa publicado na folha oficial.
Às 13 horas e 35 minutos, o cortejo real dirigiu-se à Igreja de São Domingos. A Rua do Ouro, por onde o cortejo passou, encontrava-se decorada para a ocasião. Perante o Cardeal-Patriarca de Lisboa, o casamento entre D. Pedro V e Estefânia foi celebrado, tornando-a rainha consorte de Portugal.
Após cumpridas as exigências da corte, os cônjuges reais partiram para Mafra para passar a lua de mel.