Neste Dia

Eucaristia

Rito cristão de memória por meio do consumo do pão e vinho

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Na teologia cristã, Eucaristia (do grego εὐχαριστία, "ação de graças") é um rito que é considerado um sacramento na maioria das igrejas. Os cristãos acreditam que o rito foi instituído por Jesus na Última Ceia, na noite anterior à sua crucificação, enquanto dava pão e vinho aos seus discípulos. Passagens do Novo Testamento afirmam que ele os ordenou "fazei isto em memória de mim", referindo-se ao pão como "meu corpo" e ao cálice de vinho como "meu sangue da nova aliança, que é derramado por muitos." (Lucas 22, 19-20; João 6, 53 - 58; 1 Coríntios 11, 23 - 32). Também é denominada de Sagrada Comunhão, Santíssimo Sacramento do Altar, Santa Ceia do Senhor, Santo Sacrifício, entre outros. É um dos sete sacramentos da Igreja Católica e parte central da vida eclesial do fiel católico. É também central entre as demais igrejas cristãs históricas e em muitas tradições protestantes.

Os elementos da Eucaristia são o pão e o vinho que são consagrados em um altar e consumidos em seguida. Os cristãos geralmente reconhecem uma presença especial de Cristo neste rito.

A Igreja Católica afirma que a Eucaristia é o corpo e o sangue de Cristo sob as espécies do pão e do vinho. Sustenta que, pela consagração, as substâncias do pão e do vinho se tornam realmente as substâncias do corpo e do sangue de Jesus Cristo (transubstanciação), enquanto as aparências ou "acidentes" do pão e do vinho permanecem inalteradas (por exemplo, cor, sabor, cheiro). A Igreja Ortodoxa concorda que ocorre uma mudança objetiva do pão e do vinho no corpo e sangue de Cristo. Os luteranos acreditam que o verdadeiro corpo e sangue de Cristo estão realmente presentes "em, com e sob" as formas do pão e do vinho (união sacramental). Os cristãos reformados acreditam em uma presença espiritual real de Cristo na Eucaristia.

As teologias eucarísticas anglicanas afirmam universalmente a presença real de Cristo na Eucaristia, embora os anglicanos evangélicos acreditem que esta é uma presença espiritual, enquanto os anglo-católicos defendem uma presença corpórea. Como resultado desses diferentes entendimentos, “a Eucaristia tem sido um tema central nas discussões e deliberações do movimento ecumênico”.

O Novo Testamento foi originalmente escrito na língua grega e o substantivo grego εὐχαριστία, que significa "ação de graças", aparece algumas vezes nele, enquanto o verbo grego relacionado εὐχαριστήσας é encontrado várias vezes nos relatos do Novo Testamento sobre a Última Ceia, incluindo a primeira dessas contas:

Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão;

E, tendo dado graças (εὐχαριστήσας), o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim.

O termo eucaristia (ação de graças) é aquele pelo qual o rito é referido na Didache (um documento do final do século I ou início do século II), nos escritos de Inácio de Antioquia (que morreu entre 68 e 107) e Justino Mártir (Primeira Apologia escrita entre 155 e 157).

A história da instituição da Eucaristia por Jesus na noite anterior à sua crucificação é relatada nos Evangelhos Sinópticos (Mateus 26, 26-28; Marcos 14, 22-24; e Lucas 22, 17-20) e na Primeira Epístola aos Coríntios (1 Coríntios 11, 23-25). Segundo os relatos do Evangelho, Jesus instituiu a eucaristia na Última Ceia, durante a refeição da Páscoa, quando ele abençoou o pão, que ele disse que era seu corpo, e o repartia com os seus discípulos. Ele então compartilhou um copo de vinho com seus discípulos e disse-lhes que "Isto é o meu sangue da nova aliança, que é derramado em favor de muitos." Segundo Lucas, Jesus convocou seus seguidores a repetir a cerimônia em sua memória.

O Didaquê (grego: Διδαχή) é um tratado da Igreja primitiva que inclui instruções para o Batismo e a Eucaristia. A maioria dos estudiosos o datam do final do século I. A Eucaristia é mencionada nos capítulos 9, 10 e 14.

Inácio de Antioquia (morreu em 110), um dos Padres Apostólicos, menciona a Eucaristia como "a carne de nosso Salvador Jesus Cristo":

Preocupai-vos em participar de uma só eucaristia. De fato, há uma só carne de nosso Senhor Jesus Cristo e um só cálice na unidade do seu sangue, um único altar, assim como um só bispo com o presbitério e os diáconos, meus companheiros de serviço. Desse modo, o que fizerdes, fazei-o segundo Deus. — Inácio aos Filadelfienses

Eles se afastam da eucaristia e da oração, porque não professam que a eucaristia é a carne de nosso Salvador Jesus Cristo, que sofreu por nossos pecados e que, na sua bondade, o Pai ressuscitou... Considerai legítima a eucaristia realizada pelo bispo ou por alguém que foi encarregado por ele. Onde aparece o bispo, aí esteja a multidão, do mesmo modo que onde está Jesus Cristo, aí está a Igreja católica. — Inácio aos Esmirniotas

Justino Mártir (nascido em 100, morreu em 165) menciona a este respeito:

Este alimento se chama entre nós Eucaristia, da qual ninguém pode participar, a não ser que creia serem verdadeiros nossos ensinamentos e se lavou no banho que traz a remissão dos pecados e a regeneração e vive conforme o que Cristo nos ensinou. De fato, não tomamos essas coisas como pão comum ou bebida ordinária, mas da maneira como Jesus Cristo, nosso Salvador, feito carne por força do Verbo de Deus, teve carne e sangue por nossa salvação, assim nos ensinou que, por virtude da oração ao Verbo que procede de Deus, o alimento sobre o qual foi dita a ação de graças — alimento com o qual, por transformação, se nutrem nosso sangue e nossa carne — é a carne e o sangue daquele mesmo Jesus encarnado. Foi isso que os Apóstolos nas memórias por eles escritas, que se chamam Evangelhos, nos transmitiram que assim foi mandado a eles, quando Jesus, tomando o pão e dando graças, disse: “Fazei isto em memória de mim, este é o meu corpo”. E igualmente, tomando o cálice e dando graças, disse: “Este é o meu sangue”, e só participou isso a eles. — Primeira Apologia

A doutrina da Igreja Católica ensina que Jesus, antes de morrer, já se referia a este ritual sacramental:«Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne. Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como pode este dar-nos a comer a sua própria carne? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos» (João 6:51–71). Isto é claro já nos primeiros escritos a respeito, como na carta de São Justino a respeito do tema.

Na Igreja Católica, a Eucaristia é um dos sete sacramentos.

Na Eucaristia, o mesmo sacrifício que Jesus fez apenas uma vez na cruz é feito presente em toda missa. Segundo o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, a Eucaristia é "o próprio sacrifício do Corpo e do Sangue do Senhor Jesus, que Ele instituiu para perpetuar o sacrifício da cruz no decorrer dos séculos até o seu regresso, confiando assim à sua Igreja o memorial da sua Morte e Ressurreição. É o sinal da unidade, o vínculo da caridade, o banquete pascal, em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é dado o penhor da vida eterna." (n. 271). A palavra Hóstia, em latim, quer dizer vítima, que entre os hebreus, era o cordeiro, sem culpa, imolado em sacrifício a Deus.

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