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Eugênia Ana dos Santos

Eugênia Ana dos Santos, Mãe Aninha, Ọbá Bii, (Salvador, 13 de julho de 1869 — Salvador, 3 de janeiro de 1938) Ialorixá,

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Eugênia Ana dos Santos, Mãe Aninha, Ọbá Bii, (Salvador, 13 de julho de 1869 — Salvador, 3 de janeiro de 1938) Ialorixá, fundadora do terreiro de candomblé Ilê Axé Opô Afonjá em Salvador e no Rio de Janeiro.

Eugênia Ana dos Santos nasceu no dia 13 de julho de 1869, às dez horas da manhã, na rua dos Mares 76, em Salvador, Bahia. Filha de afro-brasileiros da nação Gurunsi (ou Grunci): Sérgio José dos Santos (chamado, em gurunsi, Aniió) e Leonídia Maria da Conceição Santos (chamada, em gurunsi, Azambrió). Não há informação sobre os avós paternos e maternos. Seu registro de nascimento fora efetuado pela própria Eugênia Ana dos Santos, no cartório do subdistrito do Paço, rua do Tingui 97, CEP 40040-380, Salvador, Bahia, no dia 7 de junho de 1937.

Foi iniciada na nação Queto em 1884, aproximadamente, pela ialorixá Marcelina da Silva, Obá Tossi, na rua dos Capitães, residência de Maria Júlia de Figueiredo, Omoniquê. Maria Bibiana do Espírito Santo, Mãe Senhora, Oxum Muiuá, conta que depois da morte de Marcelina da Silva, Eugênia Ana dos Santos, fez santo Afonjá no Engenho Velho, com Tia Teófila, Bamboxê e Tio Joaquim. Indagada sobre essa segunda feitura no santo, Maria Bibiana do Espírito Santo afirmou que “isso tinha que ser feito, porque Xangô deu dois nomes na terra de Tapa, Ogodô e Afonjá”.

Fundou o Ilê Axé Opô Afonjá no Rio de Janeiro em 1895 e em Salvador em 1910. Em 1936, reinaugurou o Ilê Iá, instituiu o Corpo de Obás de Xangô (Ministros de Xangô) com Martiniano Eliseu do Bonfim, lançou a pedra fundamental no novo barracão Ilê N'Lá e fundou a Sociedade Cruz Santa, no Ilê Axé Opô Afonjá em Salvador. Em 1937, participou do II Congresso Afro-Brasileiro em Salvador, a convite do escritor e etnólogo Edison Carneiro. Influenciou Getúlio Vargas, na promulgação do Decreto-Lei 1.202, no qual ficava proibido o embargo sobre o exercício da religião do candomblé no Brasil - contou com a ajuda de Oswaldo Aranha, seu filho-de-santo e chefe da Casa Civil e do ogã Jorge Manuel da Rocha.

Começou a mostrar-se doente em junho de 1936. Seu último barco, com suas últimas filhas de santo, saiu no dia 13 de dezembro de 1937. No dia 3 de janeiro de 1938, às quinze horas, ela faleceu - vítima de arteriosclerose, conforme atestado apresentado por seu médico Dr. Rafael Menezes, na casa de Iá no Ilê Axé Opô Afonjá. Às dezenove horas, o corpo foi transportado, em carro mortuário, do Ilê Axé Opô Afonjá para a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no centro histórico de Salvador, Pelourinho, onde ficou exposto até as quinze horas do dia seguinte, quando saiu o cortejo fúnebre. No dia 4 de janeiro de 1938 foi sepultada no Cemitério da Quinta dos Lázaros, Irmandade de São Benedito, com todas as formalidades de praxe do candomblé e da religião católica. Então, seguiu-se o axexê no Ilê Axé Opô Afonjá.

Em 3 de janeiro de 1945, foi realizada a obrigação de Acú (ou obrigação dos sete anos), o último dos compromissos da Sociedade para que a sua Iá Obá Bii obtivesse luzes e descanso eterno. Eugênia Ana dos Santos repousa num mausoléu, oferecido pela Sociedade Cruz Santa Opô Afonjá, no Cemitério da Quinta dos Lázaros, Irmandade de São Benedito, Salvador, Bahia.

Segundo Marcos Santana, as possibilidades de pesquisa sobre os processos de iniciação de Eugênia Ana dos Santos "ainda não foram esgotadas". Em seu livro 'Mãe Aninha de Afonjá: um mito afrobaiano', escreve:"(...) é de aceitação universal que a jovem Eugênia Ana dos Santos teria sido iniciada na nação Queto em 1884, aproximadamente, pela insigne Ialorixá Marcelina da Silva, Obá Tossi, na rua dos Capitães, residência de Maria Júlia de Figueiredo, Omoniquê."

Maria Salete Joaquim cita Mãe Stella:

"Para se tornar mãe-de-santo tem que nascer, é uma escolha do Orixá. Ser mãe-de-santo é dom, porque a pessoa tem que ser dotada para exercer o cargo. Se a pessoa não for dotada ela pode saber o máximo, mas nunca será Mãe."

Os pais de Eugênia Ana dos Santos imprimiram-lhe um sentido religioso profundo, advindo das antigas tradições gurunsis. Segundo Agenor Miranda Rocha, Pai Agenor:"Foi iniciada ainda criança para Iá Grimborá, divindade da nação Grunci, de seus pais africanos"

Mãe Stella, em seu livro 'Meu Tempo é Agora' escreve:"A Ialorixá era descendente de africanos gurunsis. Foi iniciada no culto aos Orixás iorubás, popularmente chamado Queto, cultuando, também, as divindades familiares, gurunci. Construiu uma casa para Iá, Orixá Obinrim correspondente à Iemanjá dos iorubás. Outras divindades grunci são cultuadas na casa de Iá; um culto à parte, diferenciado.""(...) Mãe Aninha era de Xangô, filha de santo de Iá Marcelina - Obá Tocim, do Candomblé do Engenho Velho, o Axé Iá Nassô Ocá."

Dentro do Ilê Axé Opô Afonjá de Salvador existe naquele espaço sagrado a casa de Iá - Imenajá dos iorubás, de Grunci, local onde Mãe Aninha faleceu na presença de algumas de suas filhas de santo, dentre elas a Mãe Preta do Brasil, Senhora de Oxum. Mãe Agripina a Ialorixá que substituiu Mãe Aninha no Opô Afonjá do Rio de Janeiro, tinha o desejo de trazer os assentamentos de Iá para a casa carioca, a todo pedido de Mãe Agripina, a Matriarca Iá Obá Bii dispensava atenção, no entanto, não tomava a providência sem consulta ao Orixá, e recebeu de Iá-Iemanjá que somente sairia de onde estava para a casa que estava sendo construída em São Gonçalo, ou seja, no Opô Afonjá de Salvador. O antropólogo e professor emérito da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Vivaldo da Costa Lima, em seu texto 'Candomblés da Bahia na década de 30' escreve:"Utilizo aqui as informações que me foram confiadas pela ialorixá Senhora, Maria Bibiana do Espírito Santo, filha-de-santo de Aninha e bisneta-de-sangue de Marcelina Obatossi: – “Depois da morte de minha vó Marcelina é que minha mãe fez santo no Engenho Velho. Fez Afonjá, com minha tia Teófila, Bamboxê e Joaquim”. Indagada sobre essa segunda feitura no santo, Senhora me respondeu que “isso tinha que ser feito, porque Xangô deu dois nomes na terra de Tapa, Ogodô e Afonjá”. Senhora me disse ainda que o ajibonã de sua mãe-de-santo “foi homem, não foi mulher – Pedro do Cabeça, marido da finada Tia Tiana, Oloxun, mãe-de-santo de Popó, que morava na rua das Campelas."

Deoscóredes Maximiliano dos Santos, Mestre Didi, em seu livro 'História de Um Terreiro Nagô', escreve:"Fez Xangô à Rua dos Capitães, em casa de Maria Júlia de Figueiredo (filha de Ianassô), que chefiava a casa, junto com Marcelina da Silva (Obá Tossi) e tio Rodolpho Martins de Andrade (Bamboxê), conhecido também como Êssa Obotikô. O Xangô de Aninha deu-lhe o nome de Obá Bii."

"Passados alguns anos, quando chegou o tempo determinado e Aninha completou os sete anos de iniciada, foram feitas novas obrigações, conforme determinação dos orixás, de modo que ela obtivesse poderes suficientes para exercer o cargo de uma das zeladoras do culto afro da Bahia, ou seja, para que fosse Ialorixá do tradicional Axé de Queto, de acordo com a história, ficando conhecida como Iá Obá Bii.

Eis por que, mesmo sendo descendente da nação gurunsi, fez Xangô Ogodô e Afonjá na nação Queto."

Resumo do percurso religioso de Mãe Aninha:

Tinha como atividade civil o comércio de quitutes, artesanato e produtos rituais africanos, com estabelecimento na Ladeira da Praça, no Pelourinho. Foi uma empreendedora muito bem sucedida. Segundo Marcos Santana:"Diversos relatos dão conta de que Mãe Aninha era uma comerciante bem sucedida que ajudava os mais necessitados amparando-os e encaminhando-os para trabalhar na sua residência. Essa posição social iria refletir na aquisição em 1909, das terras no alto de São Gonçalo para a criação definitiva do Axé de Xangô Afonjá."

Deoscóredes Maximiliano dos Santos, Mestre Didi, em seu livro 'História de Um Terreiro Nagô', descreve:"(...) Iá Obá Bii voltou a Salvador, para sua casa, à Ladeira do Pelourinho, onde tinha uma quitanda bem sortida de todos os ingredientes africanos e brasileiros para seu próprio uso e para vender também às pessoas que precisavam e procuravam comprar em suas mãos, para os devidos fins, nos respectivos terreiros de seitas africanas."

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