Evaristo de Macedo Filho (Rio de Janeiro, 22 de junho de 1933) é um ex-treinador e ex-futebolista brasileiro que atuava como atacante. É, até hoje, o único jogador a fazer uma "manita" (ou seja, a marcar cinco gols numa mesma partida) com a camisa da Seleção Brasileira. Isso ocorreu no Campeonato Sul-Americano de Futebol de 1957, quando o Brasil goleou a Colômbia por 9–0. Também é o maior artilheiro brasileiro do Barcelona, bem como foi por décadas o maior goleador barcelonista (com onze gols) em jogos de torneios da UEFA, recorde que ainda era dele em 1992.
Jogou também pelo Madureira, Flamengo e Real Madrid, sendo um dos melhores jogadores brasileiros de todos os tempos. Após brilhar pelas equipes cariocas, conseguiu a façanha de se tornar respeitado em dois rivais na Espanha, defendendo os catalães entre 1957 a 1962 e os madrilenhos entre 1963 e 1965. Evaristo figurou por ambos em elencos que chegaram em finais da Liga dos Campeões da UEFA (em 1961 e em 1964). Foi com gol dele que, justamente em El Clásico, o Barcelona provocou em 1961 a primeira eliminação europeia do arquirrival, até então campeão de todas as edições; a fotografia do lance é considerada como a mais "lendária" do Camp Nou, bem como "das mais belas" e "icônicas" da equipe azul e grená, e do próprio duelo. Enquanto esteve na Catalunha, ajudou o Barça a isolar-se como maior vencedor do campeonato espanhol (com oito conquistas) e chegou em Madrid precisamente na temporada em que os blancos ultrapassaram os blaugranas em títulos nesse torneio.
Ainda pelo Barcelona, Evaristo fora justamente o primeiro brasileiro a vencer um torneio europeu, na Liga Europa da UEFA de 1958, quando ela ainda chamava-se Taça das Feiras. Porém, calhou de brilhar no exterior em tempo em que o Brasil não convocava quem atuasse fora do país, o que lhe custou vagas na Copa do Mundo FIFA de 1958 e na Copa do Mundo FIFA de 1962, da qual ele ausentou-se também por recusar proposta de naturalização da Seleção Espanhola. Podendo jogar com os renomados húngaros László Kubala, Zoltán Czibor, Sándor Kocsis (no Barcelona) e Ferenc Puskás bem como com o argentino Alfredo Di Stéfano (no Real), assim como com os espanhóis Luis Suárez Miramontes (no primeiro) e Francisco Gento (no segundo), contextualizou em 1979 que os ataques que integrou em La Liga não deixavam a dever em qualidade ao com o qual fora tricampeão carioca como flamenguista na década de 1950. Na próprio ano de 1962, ele já havia afirmado a jornais da Espanha, surpresos com seu sumiço da Seleção Brasileira, que o nível do futebol carioca era superior.
Evaristo também teve uma carreira respeitada como treinador, inclusive com título sobre o próprio Flamengo, com a Copa do Brasil de 1997 pelo Grêmio. É considerado o maior dessa função no Santa Cruz, pelos três títulos pernambucanos e um 5º lugar de Brasileirão comemorados na década de 1970; e no Bahia, pelo Brasileirão de 1988 e outros sete títulos acumulados em diversas passagens, a ponto de dar nome ao CT do clube. Consagrou-se também no Oriente Médio, treinando o Catar vice-campeão do Mundial Sub-20 de 1981, eliminando até o Brasil; e comandando o Iraque na única Copa do Mundo FIFA que o país disputou a de 1986. Em 2018, entrevistado pela revista Corner, definiu assim suas duas carreiras no esporte: "como treinador eu fui razoável, mas como jogador eu era fera. Jogava bem. Não era bom cabeceador, mas fazia gols de cabeça porque me antecipava. E eu chutava bem com as duas, não fazia diferença. Driblava bem também".
Ele nasceu na então capital federal, no Engenho Novo, sendo criado no Grajaú. Evaristo de Macedo, seu pai, fora goleiro que integrou o elenco do Fluminense nos últimos anos do amadorismo no futebol do Rio de Janeiro, inclusive precisando empreender uma loja de material de construção para a subsistência familiar. Pela parte da mãe, Luísa, Evaristo de Macedo Filho era também sobrinho de ex-jogadores do America, até a década de 1950 ainda um clube de patamar equiparável aos quatro grandes, cujos duelos com os rubros eram vistos como clássicos naquele período.
Apesar dessas relações familiares com outros clubes, desde a infância ele fez-se torcedor do Flamengo. Na Gávea, chegou a ser testemunha ocular do jogo em que Agustín Valido marcou gol do primeiro tricampeonato carioca seguido do clube, em 1944, vindo inclusive a narra-lo para homenagem oficial flamenguista feita para os oitenta anos da ocasião, em 2024.
Casado com Norma Brito, tiveram filho também chamado Evaristo (de Macedo Neto), nascido já em Barcelona, uma filha nascida por sua vez em Madrid (Maria Mercedes) e outro no Rio (Luís Augusto), em férias que a família teve em 1959 na cidade de origem. Evaristo Neto, que curiosamente fez-se botafoguense, faleceu em março de 2023, de causa não revelada.
Evaristo despertou para o futebol ainda no Instituto Metodista Granbery, em Juiz de Fora, Minas Gerais, onde fez o curso ginasial. Na volta ao Rio, realizou testes no Madureira, onde aos 17 anos começou a carreira de jogador, em 1950. Pelos juvenis, foi bicampeão da Taça Paulo Goulart de Oliveira e, no time de cima, fez duas partidas pelo Campeonato Carioca de 1951; na época, era preciso autorização paterna para que menores de 18 anos pudessem jogar pelo time principal e o pai de Evaristo recusava-se a dá-la. Seu pai tinha grande influência como longevo dirigente não só no clube, mas também na Federação Carioca: foi tesoureiro dela na década de 1950 e de 1960, onde também era representante do Madureira. Vice-presidente do clube em 1971, Evaristo pai também veio a presidir o Madureira, além de ser visto nas décadas anteriores como sucessor natural de outros dirigentes no cargo.
Evaristo Filho, conciliando o futebol com o serviço militar obrigatório (onde chegou a tenente) e a aprovação no vestibular para Direito na então Universidade do Brasil, integrou no início de 1952 o elenco principal do Madureira em uma excursão pela América do Sul, chegando a balançar as redes numa goleada de 6–1 sobre o Everest, do Equador. No segundo semestre, fez um ótimo Campeonato Carioca como titular do "Tricolor Suburbano", onde foi o artilheiro do clube com 11 gols - apenas dois a menos do que Ademir de Menezes, astro do campeão Vasco da Gama.
Ainda como jogador do Madureira, Evaristo foi chamado às Olimpíadas de 1952, vencidas justamente por futuros colegas de clube dele: o Time de Ouro da Hungria reunia Ferenc Puskás, Sándor Kocsis e Zoltán Czibor.
Cobiçado por Vasco da Gama e Fluminense, Evaristo acertou com o Flamengo, seu clube de coração, assinando em 11 de março de 1953 seu primeiro contrato profissional, já que ainda atuava como amador no Madureira. Sua estreia aconteceu no mês seguinte, no Maracanã, contra o Santos pelo Torneio Rio-São Paulo, quando o time perdia por 2–1 a apenas sete minutos do fim do jogo. Evaristo, na reserva, foi chamado para entrar no lugar do centroavante Adãozinho, marcou o gol de empate e deu o passe para a virada para 3–2.
Seu primeiro ano na Gávea coincidiria com seu curso no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva e teve a rotina dividida entre o serviço militar e os treinos e jogos. Ao longo do ano de 1953, entre jogos de competição e amistosos, Evaristo somaria 18 partidas e cinco gols pelo Fla, ainda sendo coadjuvante na conquista do campeonato carioca de 1953, no qual chegou a marcar em Fla-Flu. Foi derrotado na ocasião por 3–2, mas no ano seguinte desfrutou a autoria do quinto gol em vitória por 5–2 sobre o Fluminense. Havia se tornado titular absoluto a partir de excursão flamenguista à Europa e não a perdeu mais, exceto quando lesionado.
Também em 1954, Evaristo marcou duas vezes em vitória de 4–1 em clássico com o Vasco da Gama pelo Rio-São Paulo daquele ano. E foi, sobretudo, protagonista dos dois títulos seguintes do tricampeonato estadual carioca; aquela conquista de 1953 foi seguida pelas de 1954 e de 1955, sob o comando do paraguaio Fleitas Solich.
Nas 27 partidas do título de 1954, Evaristo participou de vinte e contribuiu com quatorze gols. Três deles saíram em dois clássicos com o Botafogo (1–1 e duas vezes em vitória por 3–2), goleado naquele mesmo ano com outro de Evaristo em 4–1 amistoso. Mas não se limitasse ao ataque: reconhecido pela versatilidade (sendo posicionado em quatro lugares diferentes só no ataque), chegou a sobressair-se ao ser escalado por Solich também em papéis defensivos – em especial, ao impedir efetividade do consagrado Ademir de Menezes em clássico com o Vasco da Gama em que a conquista rubro-negra pôde ser assegurada com antecipação.