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Expedição de Magalhães

Expedição marítma espanhola do século XVI

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A expedição de Magalhães foi a primeira viagem ao redor do mundo registrada na história. Foi uma expedição espanhola do século XVI, planejada e liderada pelo explorador português Fernão de Magalhães às Molucas, que partiu da Espanha em 1519, e foi concluída em 1522 pelo navegador espanhol Juan Sebastián Elcano, após cruzar os oceanos Atlântico, Pacífico e Índico, culminando na primeira circum-navegação do mundo.

A expedição atingiu seu objetivo principal — encontrar uma rota ocidental para as Molucas, então conhecidas como Ilhas das Especiarias. A frota deixou a Espanha em 20 de setembro de 1519, navegou pelo oceano Atlântico e desceu a costa ocidental da América do Sul, descobrindo o estreito de Magalhães, permitindo-lhes passar para o oceano Pacífico (que Magalhães batizou). A frota completou a primeira travessia do Pacífico, parando nas Filipinas, e finalmente chegou às Molucas depois de dois anos. Uma tripulação muito esgotada liderada por Juan Sebastián Elcano finalmente retornou à Espanha em 6 de setembro de 1522, tendo navegado para o oeste através do grande oceano Índico, depois contornando o cabo da Boa Esperança através das águas controladas pelos portugueses e ao norte ao longo da costa da África Ocidental para finalmente chegar à Espanha.

A frota consistia inicialmente em cinco navios e cerca de 270 homens. A expedição enfrentou inúmeras dificuldades, incluindo tentativas de sabotagem portuguesa, motins, fome (apesar da grande quantidade de comida e vinho disponível inicialmente que, no entanto, foi aos poucos sendo perdida com os problemas da expedição), escorbuto, tempestades e encontros hostis com indígenas. Apenas 30 homens e um navio (o Victoria) completaram a viagem de volta à Espanha. O próprio Magalhães morreu em batalha nas Filipinas e foi sucedido como capitão-general por uma série de oficiais, com Elcano liderando a viagem de volta do Victoria.

A expedição foi financiada principalmente pelo rei Carlos I da Espanha, com a esperança de descobrir uma rota ocidental lucrativa para as Molucas, já que a rota oriental era controlada por Portugal sob o Tratado de Tordesilhas. Embora a expedição tenha encontrado uma rota, ela foi muito mais longa e árdua do que o esperado e, portanto, não foi comercialmente útil. No entanto, a expedição é considerada uma das maiores conquistas da marinharia e teve um impacto significativo na compreensão europeia do mundo.

As viagens de Cristóvão Colombo ao oeste (1492–1503) tinham como objetivo chegar às Índias e estabelecer relações comerciais diretas entre a Espanha e os reinos asiáticos. Os espanhóis perceberam rapidamente que as terras das Américas não faziam parte da Ásia, mas de outro continente. O Tratado de Tordesilhas de 1494 reservou para Portugal as rotas orientais que contornavam a África, e Vasco da Gama e os portugueses chegaram à Índia em 1498.

Dada a importância econômica do comércio de especiarias, Castela (Espanha) precisava urgentemente encontrar uma nova rota comercial para a Ásia. Após a conferência da Junta de Toro de 1505, a Coroa espanhola encomendou expedições para descobrir uma rota para o oeste. O explorador espanhol Vasco Núñez de Balboa chegou ao oceano Pacífico em 1513 depois de cruzar o istmo do Panamá, e Juan Díaz de Solís morreu no rio da Prata em 1516 enquanto explorava a América do Sul a serviço da Espanha.

Fernão de Magalhães foi um marinheiro português com experiência militar anterior na Índia, Malaca e Marrocos. Um amigo, e possível primo, com quem Magalhães navegou, Francisco Serrão, fez parte da primeira expedição às Molucas, partindo de Malaca em 1511. Serrão chegou às Molucas, passando a ficar na ilha de Ternate e casar. Serrão enviou cartas a Magalhães de Ternate, exaltando a beleza e a riqueza das Ilhas das Especiarias. Essas cartas provavelmente motivaram Magalhães a planejar uma expedição às ilhas e mais tarde seriam apresentadas às autoridades espanholas quando Magalhães buscou seu patrocínio.

Os historiadores especulam que, a partir de 1514, Magalhães pediu repetidamente ao rei D. Manuel I de Portugal que financiasse uma expedição às Molucas, embora os registros não sejam claros. Sabe-se que D. Manuel negou repetidamente os pedidos de Magalhães para um aumento simbólico de seu salário e que, no final de 1515 ou início de 1516, Manuel atendeu ao pedido de Magalhães para poder servir a outro mestre. Nessa época, Magalhães conheceu o cosmógrafo Rui Faleiro, outro vassalo português que nutria ressentimentos contra Manuel. Os dois homens atuaram como parceiros no planejamento de uma viagem às Molucas, que proporiam ao rei da Espanha. Magalhães mudou-se para Sevilha, na Espanha, em 1517, seguido por Faleiro dois meses depois.

Ao chegar a Sevilha, Magalhães contactou Juan de Aranda, feitor da Casa de Contratação das Índias. Com a chegada do seu sócio Rui Faleiro, e com o apoio de Aranda, apresentaram o seu projeto ao rei Carlos I da Espanha. O projeto de Magalhães, se bem-sucedido, concretizaria o plano de Colombo de uma rota de especiarias navegando para o oeste sem prejudicar as relações com os portugueses. A ideia estava em sintonia com a época e já havia sido discutida após a descoberta do Pacífico por Balboa. A 22 de março de 1518, o rei nomeou os capitães Magalhães e Faleiro para que viajassem em julho em busca das Ilhas das Especiarias. Ele os elevou ao posto de comendador da Ordem de Santiago. Eles chegaram a um acordo com o rei Carlos que lhes concedeu, entre outras coisas:

Monopólio da rota descoberta por um período de dez anos.

A sua nomeação como adelantado (corregedor) das terras e ilhas encontradas, com 5% dos ganhos líquidos resultantes, herdáveis pelos seus sócios ou herdeiros.

Um quinto dos ganhos da expedição.

O direito de enviar mercadorias no valor de 1 000 ducados das Molucas para a Espanha anualmente isento da maioria dos impostos.

Caso descobrissem mais de seis ilhas, um quinze avos dos lucros do comércio de duas ilhas de sua escolha, e um vigésimo quinto das demais.

A expedição foi financiada em grande parte pela Coroa espanhola, que forneceu navios com suprimentos para dois anos de viagem. Embora o rei Carlos I devesse pagar pela frota, ele estava profundamente endividado e se voltou para a Casa de Fugger.[carece de fontes?] Por meio do arcebispo Juan Rodríguez de Fonseca, chefe da Casa de Contratação das Índias, a Coroa obteve a participação do comerciante Cristóvão de Haro, que forneceu um quarto dos fundos e mercadorias para escambo.

Os cartógrafos especializados Jorge Reinel e Diogo Ribero, portugueses que começaram a trabalhar para o rei Carlos em 1518 como cartógrafos na Casa de Contratação, participaram do desenvolvimento dos mapas a serem usados na viagem. Vários problemas surgiram durante a preparação da viagem, incluindo falta de dinheiro, o rei de Portugal tentando impedi-los, Magalhães e outros portugueses incorrendo na suspeita dos espanhóis e a natureza difícil de Faleiro.

A frota, composta por cinco navios com provisões para dois anos de viagem, chamava-se Armada del Maluco, nome indonésio para as Ilhas das Especiarias. Os navios eram em sua maioria pretos, devido ao alcatrão que cobria a maior parte de sua superfície. A contabilidade oficial da expedição estimou o custo em 8.7 milhões de maravedis, incluindo navios, provisões e salários.

A comida era uma parte extremamente importante do abastecimento. Custou 1.2 milhão de maravedis, quase tanto quanto o custo dos navios. Quatro quintos da comida no navio consistiam em apenas dois itens – vinho e biscoitos duros.

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