As explosões de dispositivos eletrônicos no Líbano e na Síria em 2024 ocorreram em 17 e 18 de setembro de 2024, quando milhares de pagers e centenas de walkie-talkies usados pelo Hezbollah, um partido político e milícia libanesa, explodiram simultaneamente no Líbano e na Síria. Os serviços de inteligência israelenses interceptaram as entregas dos pagers e os equiparam com material explosivo. Pelo menos 37 pessoas foram mortas e mais de 3,4 mil ficaram feridas, principalmente membros do Hezbollah. O incidente foi descrito como a "maior violação da segurança da organização até agora".
A primeira onda de explosões ocorreu por volta das 15h30 EEST de 17 de setembro e matou 12 pessoas. Uma segunda onda de ataques ocorreu no dia seguinte, visando walkie-talkies fabricados pela Icom Incorporated, matando pelo menos 25 pessoas e ferindo 708. Outros eletrônicos, como dispositivos biométricos de impressão digital, também foram relatados como tendo explodido, mas ainda não foi confirmado se esses dispositivos pegaram fogo em outras explosões ou se detonaram. Uma fonte de segurança da Reuters disse que rádios portáteis foram comprados pelo Hezbollah cinco meses antes do ataque, aproximadamente ao mesmo tempo que os pagers.
As explosões também mataram civis e afetaram várias áreas no Líbano, incluindo o subúrbio de Dahieh, em Beirute, e no Vale do Beca, na fronteira com a Síria, que são considerados locais com presença do Hezbollah. Além disso, explosões foram relatadas em vários locais na Síria. Não está claro se apenas membros do Hezbollah estavam carregando os dispositivos eletrônicos. Cerca de 150 hospitais em todo o Líbano receberam vítimas do ataque, em meio a cenas caóticas. Entre os mortos estavam dois agentes do Hezbollah e duas crianças. O embaixador do Irã no Líbano foi ferido por um pager que explodiu.
Em fevereiro de 2024, o secretário-geral do Hezbollah, Hassan Nasrallah, disse aos membros do grupo para usarem pagers em vez de celulares, alegando que Israel havia se infiltrado em sua rede de celulares. O Hezbollah então comprou uma nova marca de pagers, modelos Gold Apollo AR924 importados de Taiwan.
Um dia após o Hamas ter lançado os seus ataques de 7 de Outubro contra Israel, a organização militante Hezbollah, apoiada pelo Irã, então não provocada, juntou-se ao conflito em apoio ao Hamas disparando contra cidades israelenses como Safed e Nahariya, e outras posições israelenses, declarando que não iria parar os ataques contra Israel até que Israel parasse as operações militares e os ataques em Gaza. Desde então, o Hezbollah e Israel estão envolvidos em trocas militares transfronteiriças que deslocaram comunidades inteiras em Israel e no Líbano, com danos significativos a edifícios e terrenos ao longo da fronteira. Em 5 de julho de 2024, Israel relatou ter matado aproximadamente 366 agentes do Hezbollah. De acordo com as Nações Unidas, mais de 90 000 pessoas no Líbano foram forçadas a fugir de suas casas, enquanto em Israel 60 000 civis foram evacuados. Israel e o Hezbollah mantiveram os seus ataques a um nível que causa danos significativos sem se transformarem numa guerra em grande escala. De 7 de outubro de 2023 a 21 de junho de 2024, Israel atacou o Líbano 6 124 vezes. O Hezbollah e outras forças libanesas atacaram Israel 1 258 vezes.
Alguns membros do Hezbollah usaram pagers durante anos antes dos ataques de 7 de outubro, mas mais membros começaram a usá-los depois dos ataques, quando o secretário-geral do Hezbollah, Hassan Nasrallah, disse a eles que Israel havia invadido sua rede de celulares. Em fevereiro de 2024, ele pediu aos membros para que parassem de usar smartphones, citando a capacidade de Israel de os infiltrar. Após esta declaração, o Hezbollah comprou os pagers, que eram uma marca nova e tinham sido importados recentemente para o Líbano. Os dispositivos que explodiram haviam sido adquiridos pelo Hezbollah cinco meses antes do incidente, com o objetivo de evitar rastreamento por Israel. Além disso, foi relatado que os dispositivos foram comprometidos no Irã antes de serem enviados para o Líbano. Os pagers eram do modelo AR-924 da empresa taiwanesa Gold Apollo. No entanto, o fundador da Gold Apollo, Hsu Ching-Kuang, disse que foram montados por uma empresa chamada BAC Consulting KFT na Hungria que tinha o direito à marca Gold Apollo, sob uma licença que estava em vigor há três anos.
A Sky News informou que uma fonte de segurança libanesa disse que o Hezbollah havia encomendado 5 000 dispositivos. As agências israelenses já realizaram operações que envolveram dispositivos de comunicação explosivos, notadamente o assassinato do agente do Hamas Yahya Ayyash em 1996.
O Centro Médico da Universidade Americana de Beirute havia atualizado sua "infraestrutura de sistema de paging" em abril de 2024, que entrou em operação em 29 de agosto de 2024. A mídia iraniana citou isso como prova do conhecimento prévio dos americanos sobre o ataque. O hospital negou que esta atualização estivesse relacionada às explosões.
No início de 17 de setembro de 2024, apenas algumas horas antes das explosões, o Gabinete de Segurança de Israel estabeleceu um novo objetivo de guerra: o retorno seguro dos residentes deslocados para o norte. Este objetivo foi acrescentado aos dois objetivos existentes: desmantelar o Hamas e garantir a libertação dos reféns feitos durante os ataques de 7 de outubro. A agência de segurança interna de Israel, Shin Bet, anunciou havia frustrado um plano do Hezbollah para assassinar um ex-oficial sênior da defesa usando um dispositivo explosivo.
Fontes do Líbano e dos Estados Unidos sugerem que o Mossad, a agência de inteligência israelense, pode ter colocado explosivos dentro desses dispositivos, sabotando a comunicação do Hezbollah. Segundo especialistas, as explosões podem ter envolvido um ataque sofisticado à cadeia de suprimentos, no qual os dispositivos foram adulterados durante sua fabricação ou transporte, algo que exigiria uma grande operação logística.
Em 17 de setembro de 2024 por volta das 15h30, horário local, muitos pagers de comunicação na Síria e no Líbano explodiram inesperadamente em um aparente ataque coordenado contra membros do Hezbollah, muitos dos quais ficaram gravemente feridos. Uma fonte de segurança do governo informou que os feridos eram “principalmente” membros do Hezbollah.
Um relatório da Associated Press indicou que os dispositivos foram possivelmente equipados com explosivos antes de chegarem ao Líbano. O New York Times também relatou que os serviços de inteligência israelenses interceptaram as entregas e equiparam os pagers com pequenas quantidades de explosivos. A Reuters relatou que uma fonte libanesa anônima alegou que os dispositivos tinham uma placa inserida que poderia detonar até três gramas de explosivo ao receber um código. Lesões faciais e oculares foram os efeitos mais comuns das explosões e, de acordo com Tracy Chamoun, os pagers emitiam um som para encorajar os usuários a pegar os dispositivos e erguê-los até a cabeça. Outros relatos dizem que o dispositivo vibrava e mostrava uma mensagem de erro na tela, e só detonava quando o usuário pressionava um botão para limpar o erro, aumentando a chance de que o operador do dispositivo estivesse segurando-o, e não outra pessoa.
As explosões ocorreram em várias áreas onde o Hezbollah tem uma forte presença, incluindo o seu reduto de Dahieh em Beirute; no sul do Líbano; e no Vale do Beqaa, onde foram registradas explosões nas cidades de Aali en Nahri e Riyaq. Na Síria, onde o Hezbollah está envolvido na guerra civil ao lado das forças governamentais, também foram relatadas explosões de pagers nas proximidades de Damasco. As explosões teriam persistido por até 30 minutos após as detonações iniciais, intensificando o caos resultante.
Testemunhas relataram ter visto várias pessoas sangrando devido aos ferimentos após as explosões. Em um caso, ocorreu uma explosão dentro dos bolsos das calças de um homem que estava do lado de fora de uma loja. Fotos e vídeos que circularam nas redes sociais e na mídia local nos subúrbios do sul de Beirute mostraram indivíduos caídos no chão com ferimentos nas mãos ou perto dos bolsos. O filho do deputado libanês Ali Ammar, membro do Hezbollah, foi morto; o primeiro-ministro libanês Najib Mikati visitou o sul de Beirute para lhe prestar homenagem a ele.