Fabiana de Almeida Murer (Campinas, 16 de março de 1981) é uma fisioterapeuta e atleta brasileira, campeã mundial, pan-americana, recordista brasileira e sul-americana do salto com vara. Duas vezes campeã mundial da prova, em 2010 na pista coberta e em 2011 ao ar livre, seus recordes sul-americanos foram estabelecidos em São Bernardo do Campo, no Troféu Brasil de Atletismo de 2016 – 4,87 m ao ar livre – e no Meeting Top Perche em Nevers, na França, em 2015 – 4,83 m em pista coberta. Foi eleita principal atleta do mundo no ranking elaborado pela Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAFF) de 2014.
Fabiana nasceu em Campinas, cidade localizada no interior de São Paulo, no ano de 1981.
Fabiana começou no salto com vara aos dezesseis anos, depois de praticar ginástica artística por nove anos, desde a infância; parou com este esporte por causa da altura, que fazia com que em alguns exercícios, como as barras assimétricas, seus pés encostassem no colchão do solo, tornando impraticável o exercício, sendo necessário remover colchões de apoio para os movimentos serem completados, e porque aos 16 anos já se considerava "velha" para o esporte. Foi seu pai que a levou para o atletismo, depois de ver no jornal um anúncio para testes numa escolinha de atletismo de Campinas. Neste teste, composto de corrida de 50 m, 1000 m e salto em distância, ela teve bom desempenho; o selecionador, Elson Miranda – ex-campeão brasileiro da prova e depois seu técnico como adulta – ao saber que ela tinha como base a ginástica artística, levou-a para o salto com vara. Fabiana só conhecia essa modalidade pela televisão, mas com um ano de treinamento conseguiu o índice para o Campeonato Mundial de Atletismo Júnior e a partir daí dedicou-se exclusivamente ao salto com vara. Ela se mudou de Campinas para São Paulo e passou a integrar a equipe do Clube de Atletismo Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo (BM&FBOVESPA), uma das maiores equipes brasileiras de atletismo. Deixou na cidade natal a família e as fotografias de seus ginastas estadunidenses favoritos.
Por uma grande coincidência, Fabiana descobriu, anos depois, que sua grande rival e amiga e o maior nome de sua prova, a bicampeã olímpica e recordista mundial russa Yelena Isinbayeva, também começou no esporte praticando ginástica artística e passou para o salto com vara pelo mesmo problema, altura e idade limite para aquele esporte, as duas fazendo isto na mesma época, a milhares de quilômetros e metade do mundo de distância.
Entre os anos de 1998 e 2000, foi tricampeã sul-americana júnior da prova, atingindo um recorde pessoal de 3,90 m. Passou então para a categoria adulta, mas subitamente suas marcas pararam de melhorar quando trocou de categoria. Isso se deu a dois fatos combinados: ela começou a cursar Fisioterapia na Universidade do Grande ABC (UNIABC) dedicando um tempo bem menor aos treinamentos e seu novo conselheiro técnico, o russo Vitaly Petrov (ex-técnico de Sergei Bubka) recomendou que ela mudasse completamente sua técnica, durante treinos feitos na Rússia, com a qual Fabiana teve que se acostumar por dois anos. Formou-se em fisioterapia, no ano de 2004. Realizou uma especialização em Aparelho Locomotor no Esporte pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
No ano de 2003, apesar de não conseguir índice para o Jogos Pan-americanos de Santo Domingo, ultrapassou a marca dos 4 metros pela primeira vez e no ano seguinte elevou-a para 4,25 m; não pode, porém, participar dos Jogos Olímpicos de Verão de 2004, em Atenas porque a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) exigiu que ela ultrapassasse a marca uma segunda vez o que ela não conseguiu. No ano seguinte, mesmo depois de sofrer rompimento dos ligamentos do pé esquerdo, o da impulsão, ao cair no colchão durante um treino, saltou 4,40 m, recorde brasileiro, e conseguiu uma vaga para o Mundial de Helsinque 2005, onde igualou a mesma marca mas insuficiente para chegar à final. O ano de 2006, foi o ano de Fabiana Murer despontar no circuito internacional. Ela quebrou o recorde sul-americano (4,55 m) e derrotou uma das maiores saltadoras do mundo, a polonesa Monika Pyrek, no GP de Monte Carlo, elevando sua marca para 4,66 m; nesta competição chamou a atenção de todos por disputar a prova usando óculos escuros. Igualou a marca semanas depois no GP da Bélgica, etapa da Diamond League.
No início de 2007, quebrou o recorde sul-americano indoor (4,66 m), a mesma marca que então tinha ao ar livre, e em julho conquistou a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 2007 realizado no Rio de Janeiro, onde quebrou o recorde da competição saltando 4,60 m, na frente do público brasileiro; semanas depois foi sexta colocada no Campeonato Mundial de Atletismo de 2007, realizado em Osaka no Japão, saltando 4,65 m, apenas um centímetro abaixo de sua melhor marca pessoal.
Com vistas à preparação para os Jogos Olímpicos de Verão de 2008, em Pequim, na China, Fabiana passou por um período de treinamento em Fórmias, na Itália, sob os cuidados de Vitaly Petrov. Sua participação em Pequim 2008, foi aquém do esperado; classificada para a final, uma de suas varas favoritas e específicas para determinada altura desapareceu de seu saco de varas, fazendo-a perder totalmente a concentração para os saltos. Fabiana tentou até interromper a prova, reclamando com os árbitros e postando-se na frente da atleta chinesa Gao Shuying, impedindo-a de saltar e exigindo que sua vara fosse encontrada; sem nada conseguir, com a concentração e a vara específica para saltar acima de 4, 60 m perdidas, ela falhou nas três tentativas de superar os 4,65 m e terminou apenas em 10º lugar. Naquela mesma noite após a prova, sua vara foi encontrada junto com as varas de outras atletas eliminadas. O Comitê Organizador dos Jogos enviou uma carta à delegação brasileira pedindo desculpas formais pelo incidente.
No Campeonato Mundial de Atletismo em Pista Coberta de 2010, em Doha, no Catar, Fabiana realizou a até então melhor campanha de sua carreira, ao se tornar campeã mundial indoor do salto com vara, saltando 4,80 m, a primeira atleta brasileira campeã em pista coberta. No mesmo ano venceu a prova no Meeting de Atletismo de Zurique, na Suíça, com 4,81 m, e conquistou o título da IAAF Diamond League. Tratando-se de brasileiros, anteriormente, apenas os atletas Maurren Maggi, Zequinha Barbosa, Robson Caetano e Claudinei Quirino, conseguiram esse feito. Neste ano, um dos melhores de sua carreira, terminou como a 2ª melhor atleta do mundo na modalidade, tanto em pistas cobertas quanto ao ar livre. Durante o mandado do governador de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB), foi agraciada com a comenda da Ordem do Ipiranga pelo Governo do Estado de São Paulo, a mais alta honraria concedida pelo estado.
No Campeonato Mundial de Atletismo de 2011, em Daegu, na Coreia do Sul, Fabiana Murer realizou feito histórico ao ser campeã, derrotando a recordista mundial e bicampeã olímpica Yelena Isinbayeva, a campeã mundial Anna Rogowska e toda a elite do esporte presente, igualando o recorde sul-americano com 4,85m. Esta foi a primeira medalha de ouro do Brasil num Campeonato Mundial de Atletismo.
No mesmo ano, ao participar dos Jogos Pan-americanos de 2011, em Guadalajara, no México, foi surpreendida pela atleta cubana Yarisley Silva, que até 2010 tinha como melhor marca apenas 4,70m, ultrapassada apenas uma única vez, mas em Guadalajara conseguiu saltar 4,75m, batendo o recorde de Cuba e o da competição. Fabiana, embora tenha feito a boa marca de 4,70m – 10 centímetros acima de seu próprio recorde pan-americano anterior na Rio 2007 – ficou apenas com a medalha de prata, numa dos maiores revezes brasileiros do Pan de 2011.
Apesar das altas expectativas geradas para os Jogos Olímpicos de Verão de 2012, realizado em Londres, sua segunda participação em Jogos Olímpicos acabou se tornando tão frustrante quanto a primeira. Se em Pequim 2008, a culpa foi das varas sumidas, em Londres foi "o vento". Fabiana foi eliminada ainda na fase de classificação, ao não conseguir superar os 4,50m nas três tentativas, segundo ela por causa do vento que a todo momento durante seus saltos mudava de direção e força, prejudicando a corrida e a impulsão. Mesmo assim, ela admitiu ser a culpada por seu baixo rendimento na mais importante competição esportiva do mundo, alegando que realmente "estava saltando muito mal".