Um fanzine (aglutinação de fã e magazine) é uma publicação não profissional e não oficial, produzido por entusiastas de uma cultura particular, para o prazer de outros que compartilham o mesmo interesse. Podendo ser dedicado a uma determinada franquia, trazendo informações ou fanfics.
Normalmente, editores, escritores e outros contribuidores de artigos ou ilustrações para fanzines não são pagos. Fanzines são tradicionalmente divulgados gratuitamente ou por um pequeno valor para custear as despesas postais ou de produção. As cópias muitas vezes são oferecidas em troca de publicações similares, ou por contribuições de arte, artigos ou cartas, que são então publicadas.
Alguns fanzines são digitados e fotocopiados por amadores que utilizam equipamentos caseiros. Alguns fanzines têm se desenvolvido em publicações profissionais (às vezes, conhecidas como prozines), e muitos escritores profissionais foram publicados pela primeira vez em fanzines; alguns continuam a contribuir para eles depois de estabelecer uma reputação profissional. Se há uma equipe por trás de sua publicação profissionalizada e ela consegue obter benefícios, já estamos falando de uma revista como tal, embora nela não haja um grupo editorial, uma distribuição nacional ou internacional ou uma gestão correta para estabelecer seu ISSN. O termo "fanzine", por vezes, é confundido com a expressão "revista de fãs" (fan magazine), mas a última expressão, na maioria das vezes, refere-se a publicações comercialmente produzidos para (em vez de por) fãs.
O termo fanzine deu origem a outros neologismos: zine, corruptela difundida pelo movimento punk, semiprozine, fanzine de qualidade profissional, adzine, criado com a junção das palavras advertising (publicidade) e zine, um fanzine criado para anunciar outros fanzines,splitzine, um fanzine dividido em dois, slimzine, um fanzine pequeno, graphzine, um fanzine com dedicado a artes gráficas e ilustrações, fanálbum, um álbum de quadrinhos independente, sendo álbum, um termo para histórias em quadrinhos publicado no formato de livro, podendo ser uma edição encadernada ou um romance gráfico. Uma biblioteca de fanzines é chamada de fanzinoteca ou fanzineteca. Um editor de fanzines pode ser chamado de fanzinester, fanzineiro ou faneditor. Hoje, graças ao advento da editoração eletrônica e da autopublicação, muitas vezes há poucas diferenças entre a aparência de um fanzine e uma revista profissional.
Fanzines são publicações não-profissionais produzidas por seguidores de um fenômeno cultural específico (como um gênero literário, musical ou histórias quadrinhos) para outros que tenham os mesmos interesses. O termo é uma aglutinação das palavras "fã" e "magazine", cunhado em outubro de 1940 por Russ Chauvenet, popularizado dentre fãs de ficção científica, posteriormente adotado por outras comunidades.
Sua vantagem indiscutível é ter especialistas em um determinado assunto, publicando de forma livre e direta, sem vínculos ou interesses com terceiros. A esta "ausência de restrições editoriais" (o editor normalmente dá liberdade de expressão), devemos acrescentar outra vantagem para um autor de fanzines: "A possibilidade de se ser conhecido por um grupo de aficionados mais ou menos amplo e ser descoberto por um editor profissional que a qualquer momento possa dar-lhe a tão esperada oportunidade profissional". Com isso, o fanzine é" ao mesmo tempo um bom campo de tiro e uma plataforma de lançamento imbatível para o campo profissional". Com isso, o fanzine é "ao mesmo tempo um bom terreno e uma imbatível plataforma de lançamento para o campo profissional". Na opinião do teórico Antonio Lara, os fanzines desempenharam "um papel fundamental na evolução geral da mídia e, mais especificamente, das formas culturais marginalizadas pelas instituições oficiais", como "quadrinhos, álbuns de figurinhas, animação, literatura popular, telefilmes e outros ".
Os problemas endêmicos dos fanzines são a sua dependência de colaboradores altruístas em trabalho não remunerado a ser obtido tempo livre e alcançar o público alvo. Ao contar com o tempo e os esforços abnegados de seus criadores eles não costumam durar muito tempo, porque esses não recebem qualquer compensação monetária. É possível que, se o trabalho realizado for sobre um campo muito específico, no qual não há publicações comerciais, ele possa continuar cobrindo uma lacuna e até se tornar profissional.
Muitos traçam a linhagem dos zines desde o excepcionalmente popular panfleto Common Sense de Thomas Paine (1775), a revista literária de Benjamin Franklin para pacientes psiquiátricos em um hospital da Pensilvânia e The Dial (1840-1844) de Margaret Fuller e Ralph Waldo Emerson. Uma outra origem remontam aos grupos literários do século XIX nos Estados Unidos que formaram Amateur Press Associations (APA) para publicar coleções de histórias, poesia e comentários amadores, como a United Amateur, que teve o escritor H.P. Lovecraft como membro.
Quando Hugo Gernsback publicou a primeira revista de ficção científica, Amazing Stories, em 1926, permitiu que a seção de cartas, lançada no ano seguinte, criasse uma interação entre os leitores, que passaram a trocar correspondências. O nome pulp veio do material usado nessas revistas, a polpa de celulose, um material barato assim como o papel jornal.
Em 1929, aos 14 anos, Jerry Siegel teria criado um dos candidatos a primeiro fanzine de ficção científica dos Estados Unidos, Cosmic Stories, um publicação produzida de forma amadora pelo próprio Siegel usando uma máquina de escrever e um hectógrafo, contudo, não há registros se a revista chegou a ser comercializada. Já na década de 1930, a Science Correspondence Club produziria The Comet em Chicago. O fanzine era editado por Raymond A. Palmer e Walter Dennis. Não havia muita profissionalização ou estudo do que estava acontecendo à época. O termo fanzine, cunhado para designar essas publicações amadoras, só surgiria em outubro de 1940, assim denominado por Russ Chauvene.
As histórias em quadrinhos eram citadas e discutidas já no final dos anos 1930 nos fanzines de ficção científica. A primeira versão do Superman (um vilão careca) apareceu em 1933 na terceira edição do fanzine Science Fiction: The Advance Guard of Future Civilization, de Jerry Siegel e Joe Shuster, num conto ilustrado chamado The Reign of the Superman. Mais tarde, o personagem seria reformulado como um herói para o formato de histórias em quadrinhos. O repórter Forrest Ackerman foi uma homenagem a um colaborador de mesmo nome, que mais tarde ser tornaria um editor de quadrinhos e ficção científica. As revistas eram distribuída através dos correios para outros fãs de ficção científica, numa época em que essas histórias ainda eram considerados um gênero inferior e marginalizado da literatura. Em 1936, surge aquele que é visto como o primeiro fanzine de histórias em quadrinhos, The Fantasy World, editado por David Kyle, que continha histórias em quadrinhos produzidas pelo próprio Kyle.
Em 1937, surge a Fantasy Amateur Press Association (Associação de Impressa Amadora de Fantasia), criada por Donald A. Wollheim. Uma Amateur Press Association (APA) é conhecida por produzir apazines, fanzines apenas para um pequeno grupo membros, um contraponto aos genzines, fanzines para o público em geral. Em um apazine, os membros são obrigados a enviar uma quantidade de material para continuar recebendo a publicação.
Em outubro de 1947, Malcolm Willits e Jim Bradley lançaram The Comic Collector's News, o primeiro fanzine sobre quadrinhos. Em 1952, Ted White havia mimeografado um panfleto de quatro páginas sobre o Superman, e James Taurasi emitiu, durante um curto período, o Fantasy Comics. Em 1953, Bhob Stewart publicou The EC Fan Bulletin, um fanzine sobre a editora EC Comics, notória pelos quadrinhos de terror e ficção científica. Poucos meses depois, Stewart, White e Larry Stark produziram Potrzebie, planejado como um jornal literário de comentário crítico sobre a EC por Stark. Entre a onda de fanzines sobre a EC que se seguiu, o mais conhecido era Hoo-Hah!, de Ron Parker. Depois disso, surgiram fanzines dos seguidores das revistas satíricas editadas por Harvey Kurtzman: Mad (que passou a ser o foco da EC após ser perseguida pelas histórias de terror e ficção científica), Trump e Humbug. Editores destes fanzines incluíram futuras estrelas do quadrinhos underground como Jay Lynch e Robert Crumb.