Fausto Cardoso de Figueiredo GOMAI • GCMAI (Baraçal, Celorico da Beira, 17 de Setembro de 1880 – Estoril, Cascais, 6 de Abril de 1950) foi um empresário, capitalista, industrial hoteleiro e grande animador do turismo português.
Nasceu a 17 de setembro de 1880, na Freguesia de Baraçal, em Celorico da Beira, filho de António Cardoso de Figueiredo, Professor, e de sua mulher Maria José de Almeida, daí naturais e aí casados.
A 9 de Maio de 1910, casou na capela da Quinta das Calvanas, na freguesia do Lumiar, em Lisboa, com Clotilde Ferreira do Amaral (Santana, ilha de São Tomé, 13 de Abril de 1891 – Estoril, Cascais, 13 de Outubro de 1955), filha de José Ferreira do Amaral (Campelo, Figueiró dos Vinhos, 23 de Janeiro de 1842 – Lisboa, Lumiar, Janeiro de 1915) e de sua mulher Maria do Rosário da Silveira (Tomar, 5 de Outubro de 1869 – 15 de Fevereiro de 1930), da qual teve, entre outros, Fausto José do Amaral de Figueiredo. Foi padrinho de casamento Ernesto Driesel Schröeter e José Luís Constantino Dias, 1.º Marquês de Vale Flor.
Morreu a 6 de Abril de 1950, na sua Moradia "Pinhal Manso", no Estoril, cujo arruamento tem o seu nome, Avenida Fausto de Figueiredo.
Foi sepultado no Cemitério dos Prazeres, tendo o seu funeral sido concorrido por centenas de pessoas, incluindo vários funcionários da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses e da Sociedade Estoril, e os Bombeiros Voluntários e o Ateneu Ferroviário do Barreiro; junto ao jazigo, discursaram, em sua honra, o General Raul Augusto Esteves, em nome dos Caminhos de Ferro Portugueses, e Guilherme Cardim, que representou a Sociedade Estoril.
Formação e carreiras profissional e política
Veio para Lisboa ainda muito novo, tendo concluído o curso de Farmácia diplomado com a Licenciatura na Escola Superior de Farmácia de Lisboa. Exerceu, durante alguns anos, a profissão de Farmacêutico, antes de se ter tornado administrador de empresas e industrial hoteleiro. Mas o seu nome encontra-se, sobretudo, ligado ao desenvolvimento turístico do Estoril, de que foi o grande dinamizador.
Mais tarde, ingressou no Conselho de Administração da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, tendo chegado a ser Vice-Presidente e Presidente daquela organização; nessa qualidade, e ao seu serviço, realizou diversas, largas e extensas viagens ao e pelo estrangeiro, nelas adquirindo vastos conhecimentos sobre turismo, que o seu rasgado espírito de iniciativa lhe fez ambicionar introduzir em Portugal. Apresentou a demissão do cargo de presidente em 16 de Agosto de 1949, por motivos de saúde, tendo a Companhia decidido nomeá-lo como presidente honorário.
Após a Implantação da República Portuguesa, entre 21 de Março de 1911 e 3 de Junho de 1913, na qualidade de Vice-Presidente, foi Presidente em Exercício da Câmara Municipal de Cascais.
Foi iniciado na Maçonaria em data desconhecida de 1913, na Loja Acácia, de Lisboa, afecta ao Grande Oriente Lusitano, com o nome simbólico de Adamastor.
Foi, novamente, Presidente Efectivo da Câmara Municipal de Cascais de 29 de Julho de 1913 a 31 de Dezembro de 1913 e de 16 de Junho de 1919 a 31 de Dezembro de 1922.
Também exerceu as posições de Administrador e Presidente do Conselho de Administração da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses da Beira Alta, região da qual era oriundo, e da Companhia de Cimentos Brancos (CIBRA), de administrador da Sociedade de Estudos Técnicos.
Distinguiu-se pela grande obra de fomento turístico que realizou no Estoril, criando a Sociedade Estoril Plage e a Sociedade Estoril. Desse modo, radicou-se nele a ideia e concebeu o projeto de fazer do Estoril uma estância turística de nível internacional e mundial, expondo-o na Câmara dos Deputados. Mesmo diante da difícil conjuntura materializada pela Primeira Guerra Mundial, constituiu em 1915 a Sociedade Estoril para implementá-lo. Esta, no início de 1916, lançou a primeira pedra do Casino Estoril.
Adquiriu uma extensa propriedade, então conhecida pela Quinta do Vianinha, que pertencia a José Viana da Silva Carvalho, e começou a sua obra, cedendo terrenos para construções, financiando mesmo muitas destas.
Uma coisa havia, porém, que se reconhecia indispensável para fazer do Estoril a fantasiada zona de turismo elegante: a electrificação da linha férrea que a servia. Um contrato de arrendamento feito com a C.P., proprietária dessa linha de Cascais, permitiu-lhe enveredar deliberadamente pela efetivação do seu sonho, a qual não foi isenta de dificuldades. Em 1918, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses concedeu à referida sociedade a exploração e electrificação da Linha de Cascais, obra que foi por si concluída em 1926. Para comprometer nessa grande iniciativa os capitais indispensáveis, forçoso era que houvesse uma segura garantia de êxito, e essa residia, apenas, na regulamentação do jogo. Uma combinação ou acordo com a Empresa Exploradora dos Casinos do Monte Estoril, L.da, à frente da qual estava Guilherme Cardim, proporcionou-lhe ensejo de activar as suas diligências.
Viria a ser irradiado da Maçonaria em 1922, por falta de pagamento das respectivas quotas.
Em 1923 foi Provedor da Assistência Pública.
Em Dezembro de 1927, a sua obtenção da concessão da regulamentação do jogo permitiu o avanço num ritmo mais acelerado, fazendo do Estoril a primeira zona do turismo internacional no país.