Febrônio Índio do Brasil (Jequitinhonha, 14 de janeiro de 1895 — Rio de Janeiro, 27 de agosto de 1984) foi um assassino em série brasileiro.
Nascido na cidade que então se chamava São Miguel de Jequitinhonha, Minas Gerais, era o segundo de catorze filhos de um casal de lavradores. Desde cedo, Febrônio, que tinha pai alcoólatra, testemunhou a violência doméstica sofrida por sua mãe, o que o levou a fugir de casa aos 12 anos. Depois de vaguear pelas localidades próximas, chegou a Diamantina, onde foi alfabetizado e trabalhou como copeiro. Mais tarde, mudou-se para Belo Horizonte e depois para o Rio de Janeiro, onde começou a cometer crimes.
Em 1920, durante uma detenção na Colônia Correcional Dois Rios, Febrônio teve uma visão em que uma mulher loira o escolhia como o Filho da Luz e o incumbiu de tatuar rapazes com as iniciais D C V X V I, que significavam Deus, Caridade, Virtude, Santidade, Vida, e Ímã da vida. Depois da visão, Febrônio começou a escrever o livro As Revelações do Príncipe do Fogo, que foi publicado em 1926.
Febrônio cometeu vários crimes, incluindo assassinato, estupro, fraude, chantagem, suborno, furto, roubo e vadiagem. Ele foi detido pela polícia diversas vezes entre 1916 e 1929.
Febrônio nasceu na cidade de São Miguel de Jequitinhonha, atual Jequitinhonha, estado de Minas Gerais, provavelmente em 14 de janeiro de 1895. Era o segundo de catorze filhos do casal Theodoro Simões de Oliveira e Reginalda Ferreira de Mattos. Seu provável nome verdadeiro era Febrônio Ferreira de Mattos, mas ganhou fama como Febrônio Índio do Brasil, o Filho da Luz, pois assim se apresentava para policiais, jornalistas, autoridades judiciárias e psiquiatras forenses.
Seu pai, Thedorão, como era mais conhecido, trabalhava como lavrador, mas exercera durante algum tempo o ofício de açougueiro. Era alcoólatra e, com muita frequência, agredia violentamente sua esposa. Várias vezes Febrônio presenciou os espancamentos de sua mãe. Thedorão era também violento com os filhos.
Provavelmente em 1907, aos 12 anos de idade, Febrônio fugiu de casa, na companhia de um caixeiro-viajante. Ficou vagando pelas localidades vizinhas à sua cidade natal, até que chegou a Diamantina, onde foi alfabetizado e ganhou a vida como copeiro. Mais tarde, passou a morar em Belo Horizonte, sobrevivendo graças ao trabalho de engraxate e de auxiliar de serviços domésticos.
Provavelmente em 1909, Febrônio, com 14 anos, foi para o Rio de Janeiro, então Capital Federal. Retornou à capital do estado de Minas Gerais em 1916, quando foi identificado como Pedro de Souza, mas logo regressou ao Rio de Janeiro.
O início da vida criminosa e as revelações místicas
Desde que voltou ao Rio de Janeiro, Febrônio começou a delinquir, tendo sido registradas, entre 1916 e 1929, dezenas de passagens pela polícia por fraude, chantagem, suborno, furto, roubo e vadiagem.
Numa dessas detenções, em 1920, na Colônia Correcional Dois Rios, na Ilha Grande, Febrônio, que passara a ler a Bíblia nos intervalos da praxiterapia e durante a noite, teve uma visão na qual uma mulher de longos cabelos loiros o escolheu como o Filho da Luz, título que lhe trazia a incumbência de declarar a todos que Deus não havia morrido. Segundo a visão, ele deveria tatuar-se e tatuar meninos, ainda que com emprego de força física, com o símbolo D C V X V I, que significava Deus, Caridade, Virtude, Santidade, Vida, Ímã da vida. A tatuagem serviria como talismã para aqueles que a exibissem no corpo. Agindo conforme o que lhe fora ordenado na visão, Febrônio tatuou a frase Eis o Filho da Luz em seu tórax e, em toda a circunferência de seu tronco, as letras D C V X V I. Febrônio, então, começou a escrever o livro As revelações do Príncipe do Fogo, que foi publicado em 1926, o qual traz mensagens incompreensíveis, tiradas dos mistérios oníricos que lhe eram transmitidos.
Em 1921, ao sair da Colônia Correcional, Febrônio montou uma cooperativa médica nomeada A Auxiliadora Médica, anunciada nos classificados do jornal Correio da Manhã. O anúncio foi lido pelo dentista Bruno Ferreira Gabina, que se associou à cooperativa. Febrônio, apresentando-se como Joaquim Índio do Brasil, alugou um consultório para o odontólogo e passou, então, a auxiliá-lo em seus atendimentos, mas os dois abandonaram o local um mês depois, sem pagar o valor da locação.
Em 1922, após apoderar-se do diploma do Dr. Bruno Gabina, Febrônio abriu um consultório odontológico próprio, na Rua Visconde do Rio Branco, bem no Centro do Rio de Janeiro, onde demonstrava comportamento sádico ao extrair, subsequentemente, vários dentes sadios daqueles que buscavam sua assistência. Devido à má reputação adquirida, transformou seu consultório em agência de empregos, com a qual enganou as pessoas que, à procura de trabalho, depositaram dinheiro como caução a Febrônio. Perseguido pela polícia, mudou-se para a Bahia em 1925, onde atuou como falso dentista mediante o nome de Dr. Febrônio Simões de Melo Índio do Brasil. De lá veio a instalar-se em Mimoso do Sul, no estado do Espírito Santo, local em que atuava como falso médico, sob o nome de Dr. Bruno Ferreira Gabina, onde não ficou muito tempo em virtude da morte de duas crianças para quem ele havia prescrito medicamentos. Depois, na cidade mineira de Rio Casca, apresentando-se como Dr. Uzeda Filho, continuou a atuar como falso médico, chegando a causar a morte de uma mulher em trabalho de parto.
De volta ao Rio de Janeiro, Febrônio foi preso em 8 de outubro de 1926, flagrado em atitude suspeita no morro do Pão de Açúcar. Como apresentava ideias delirantes e mentia compulsivamente, foi internado no Hospital Nacional de Alienados, de onde saiu poucas semanas depois. Nessa internação foi examinado pelo insigne psiquiatra Dr. Adauto Botelho, quem primeiro diagnosticou que Febrônio era um doente mental.
Em janeiro de 1927, estando mais uma vez preso, Febrônio subjugou sexualmente dois colegas de cela na 4.ª Delegacia Auxiliar do Rio de Janeiro. Ao investir contra um terceiro, o menor Djalma Rosa, encontrou sua resistência e o espancou até à morte.
Posto provisoriamente em liberdade, Febrônio voltou a ser preso em 21 de fevereiro de 1927, no morro do Corcovado, enquanto dançava, completamente nu e com o corpo todo pintado de amarelo, na frente de uma criança aterrorizada que estava amarrada ao tronco de uma árvore. Como ouviu de testemunhas que Febrônio, mais cedo, havia sido flagrado cozinhando, na casa em que era inquilino, uma cabeça humana furtada do Cemitério do Caju, o delegado o encaminhou outra vez para o Hospital Nacional de Alienados. Na ocasião, foi examinado pelo eminente psiquiatra Dr. Juliano Moreira que, auxiliado pelo Dr. Henrique Roxo, ratificou que Febrônio padecia de doença mental.
Em abril de 1927, Febrônio foi internado no Hospício Nacional de Alienados, na Praia Vermelha. Ao receber alta, levou consigo outro interno que também estava de alta, o jovem Jacob Edelman, de 17 anos, a quem prometeu emprego em seu consultório odontológico. No caminho, eles buscaram Octávio de Bernardi, 17 anos, um rapaz que recebera proposta de emprego de Febrônio, desta vez num abatedouro. À noite, em um local deserto em Mangaratiba, município do litoral sul fluminense, tatuou a inscrição D C V X V I no tórax de Jacob, diante da testemunha aterrorizada de Octávio. Poucos dias depois, na Praia das Flecheiras, local ermo situado no extremo oeste da Ilha do Governador, área que futuramente foi aterrada para a construção do Aeroporto do Galeão, Febrônio violentou Jacob sexualmente; logo, fez o mesmo com Octávio, não sem tatuá-lo antes. Mais uns dias os dois rapazes foram soltos, muito aterrorizados, porém vivos.
Febrônio voltou a tatuar outra vítima, Manoel Alves, de 18 anos, no início do mês de agosto de 1927, enganando-o com uma falsa promessa de emprego.