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Federação do Mali

A Federação do Mali (em francês: Fédération du Mali) foi um país da África Ocidental formado pelas ex-colônias francesa

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A Federação do Mali (em francês: Fédération du Mali) foi um país da África Ocidental formado pelas ex-colônias francesas do Senegal e da República Sudanesa (antigo Sudão Francês) e que existiu por um período de apenas dois meses em 1960.

Fundada em 4 de abril de 1959 como um território membro da Comunidade Francesa, após negociações com a França torna-se independente em 20 de junho de 1960. Dois meses depois, em 19 de agosto, os líderes da República Sudanesa na Federação do Mali mobilizaram o exército e os líderes do Senegal na federação retaliaram mobilizando a gendarmaria (polícia nacional), o que resultou em um tenso impasse e causou o abandono da federação pelo Senegal no dia seguinte. Os oficiais da República Sudanesa resistiram a essa dissolução, cortando relações diplomáticas com o Senegal, e desafiadoramente alterando o nome do seu país para Mali. Durante a breve existência da Federação do Mali, o primeiro-ministro foi Modibo Keïta e a capital federal foi a cidade senegalesa de Dakar.

Após a Segunda Guerra Mundial, as colônias da África Ocidental Francesa começaram a exercer significativa pressão sobre a metrópole no sentido de uma maior autodeterminação e de uma redefinição de suas relações com a França. Após a Crise de Maio de 1958, foi dada às colônias da África Ocidental Francesa a oportunidade de votarem pela independência imediata ou pelo ingresso em uma nova Comunidade Francesa (um arranjo que garantiria às colônias alguma autonomia, porém sem o rompimento dos laços com a França). Apenas a Guiné optou pela independência completa; as demais colônias votaram pela adesão à Comunidade Francesa.

No referendo de 1958, dois grandes partidos políticos dividiram os países da África Ocidental: a Assembleia Democrática Africana (em francês: Rassemblement Démocratique Africain, RDA) e o Partido do Reagrupamento Africano (em francês: Parti du Regroupement Africain, PRA). Os dois grupos regionais discutiam entre si acerca de questões como a independência e a extensão dos laços com a França. O RDA era o partido governista na Costa do Marfim, no Sudão Francês e na Guiné, enquanto que o PRA era o principal partido governista no Senegal, além de deter maiorias consideráveis em outros países. Os dois partidos também eram parte dos governos de coalizão no Alto Volta, no Níger e em Daomé. A votação de 1958 revelou uma série de divisões internas em ambos os partidos. O RDA realizou um congresso em 15 de novembro de 1958 para discutir os resultados eleitorais recentes. Nele, a divisão ficou clara, com Modibo Keïta do Sudão Francês e Doudou Gueye do Senegal defendendo primeiramente a federação (uma federação que abrangeria a França e as colônias em um sistema unificado) e Félix Houphouët-Boigny da Costa do Marfim descartando a proposta. O impasse resultante foi tão grave que a reunião oficialmente nunca aconteceu.

No final de novembro de 1958, Sudão Francês, Senegal, Alto Volta e Daomé declararam conjuntamente a intenção de aderir à Comunidade Francesa e formar uma federação que uniria as quatro colônias. O Sudão Francês e o Senegal, apesar de divisões de longa data entre os principais partidos políticos, foram os propulsores mais entusiasmados pela federação, enquanto que o Daomé e o Alto Volta eram mais hesitantes em seu desejo de se juntar à federação. O Sudão Francês convocou representantes de cada um dos quatro países (e da Mauritânia, na qualidade de observador) para Bamako, entre 28 e 30 de dezembro para discutir a formação da federação. O Sudão Francês e o Senegal lideraram o Congresso com Modibo Keïta nomeado o presidente da reunião e Léopold Sédar Senghor sendo o líder-chave em muitas questões, incluindo a criação do nome "Federação do Mali" para a união proposta. Apesar de Alto Volta e Daomé terem declarado apoio formal à federação, tendo o Alto Volta até mesmo aprovado a Constituição da Federação do Mali em 28 de janeiro de 1959, a pressão política da França e da Costa do Marfim (que opuseram-se à federação por razões diferentes) resultou na não-ratificação de uma Constituição que os incluo-se dentro da federação. Consequentemente, apenas as colônias do Sudão Francês (nesta altura chamada República Sudanesa) e do Senegal estavam engajadas nas discussões sobre a formação da federação em 1959.

As eleições de março de 1959 cimentaram, tanto no Sudão Francês quanto em Senegal, o poder de partidos políticos que defendiam a formação de uma federação. A União Sudanesa - Assembleia Democrática Africana (Union Soudanaise-Rassemblement Démocratique Africain, US-RDA) de Keïta conquistou 76% dos votos e todos os assentos na assembleia territorial do Sudão Francês, e a União Progressista Senegalesa (Union Progressiste Sénégalaise, UPS) de Senghor conquistou 81% dos votos e todos os assentos na assembleia territorial do Senegal. Apesar de Senghor ter ganho as eleições por uma grande margem, alguns conservadores islâmicos marabutos apoiaram a candidatura de Cheikh Tidjane Sy. Este desafio para o UPS foi uma pequena demonstração da fraqueza da base política interna de Senghor e exigiu um complexo sistema de alianças com vários grupos domésticos, as quais adquiririam importância como o progresso da federação. Sy foi preso no dia da eleição, em decorrência de um pequeno tumulto realizado por seu partido.

Após as eleições, as assembleias do Senegal e Sudão Francês aprovaram a federação, dando início ao processo de construção de um sistema político para unir as duas colônias. Isto envolveu três projetos políticos que tinham o princípio da paridade (mesma representação para as duas colônias) consagrado em cada um: um governo federal, movimentos sociais unificados (um movimento operário e um movimento da juventude), e um partido político comum para ambos os países. O governo federal era composto por uma assembleia com 20 membros de cada colônia (40 assentos no total), um presidente (a ser eleito conjuntamente em agosto de 1960), e seis ministros federais (sendo 3 de cada colônia). Até o presidente ser eleito, o cargo de primeiro-ministro da Federação do Mali seria exercido por Keïta e o de vice-primeiro-ministro, que também era encarregado pelas forças armadas, por Mamadou Dia do Senegal. Todavia, em consonância ao princípio da paridade, qualquer iniciativa legislativa necessitava da assinatura do primeiro-ministro (e, após as eleições, do presidente) e do ministro responsável pelo tema. As colônias passaram a compartilhar os impostos de importação e de exportação arrecadados no porto de Dakar entre si. Esta partilha foi especialmente vantajosa para o Sudão Francês, que teve quase um terço do seu orçamento de 1959 proveniente destes impostos.

Ao mesmo tempo, a Federação do Mali procurou criar organizações sociais unificadas, o que facilitaria a união entre os países. Isso envolveu a criação de movimentos sindicais e juvenis, que iriam operar nos níveis federal e nacional, e um partido político unificado. O partido político era o principal projeto, tendo os dois partido majoritários de ambas as colônias se unido para formarem o Partido da Federação Africana (Parti de la Fédération Africaine, PFA). O PFA foi organizado separadamente do governo federal, mas com muitos dos membros e líderes deste. Senghor foi o presidente do partido e Keïta foi o secretário-geral; devido à influência regional do partido, Djibo Bakary do Níger e Émile Derlin Zinsou do Daomé foram nomeados vice-presidentes do partido. Tal como articulado no primeiro congresso do PFA em julho de 1959 por Senghor, o partido seria o único partido político no país, objetivando unir os diferentes grupos étnicos do território.

Em dezembro de 1959, a França e a Federação do Mali deram início às negociações sobre a independência e soberania da federação. Estas negociações formalmente começaram quando o presidente francês Charles de Gaulle visitou Bamako em 13 de dezembro de 1959 e duraram até março de 1960. Embora os franceses tivessem resistido anteriormente à federação, quando os dois países demonstraram o desejo de permanecerem na Comunidade Francesa e na Zona do Franco, e afirmaram que iriam manter as bases militares francesas em seus territórios, a França demonstrou apoio. As negociações acordaram o dia 20 junho de 1960 como a data formal para a independência da Federação do Mali.

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