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Felipe Maestro

Futebolista brasileiro

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Felipe Jorge Loureiro, mais conhecido apenas como Felipe ou Felipe Maestro (Rio de Janeiro, 2 de setembro de 1977), é um treinador e ex-futebolista brasileiro que atuava como meia. Atualmente é diretor técnico do Vasco da Gama.

Chegou ao Vasco ainda menino, aos seis anos de idade, onde iniciou sua trajetória dentro do clube no futsal em 1983 e na adolescência fez a transição para os gramados. Inicialmente, alcançou grande destaque como lateral-esquerdo (sua posição de origem), sendo considerado por muitos torcedores, um dos maiores da posição na história do clube. Posteriormente, tornou-se meio-campo em definitivo, também fazendo história na posição. Felipe é considerado um dos jogadores mais habilidosos da história do futebol brasileiro. Ídolo do Vasco, o meia tem mais de 350 jogos pela equipe, e com sete títulos de expressão conquistados com a camisa cruzmaltina, é o jogador mais vitorioso da história do clube (em títulos oficiais). Em sua carreira também soma rápidas passagens por Palmeiras e Atlético Mineiro, e na Europa vestiu a camisa do Galatasaray. Ainda jogou por dois rivais do Vasco, tendo brilhado com a camisa do Flamengo, além de uma passagem fugaz no fim da carreira pelo Fluminense. É também um grande ídolo do Al-Sadd do Qatar, outro clube em que brilhou e permaneceu alguns anos, antes de retornar ao Vasco. Pela Seleção Brasileira, possui convocações entre 1998 e 2004.

Felipe surgiu no cenário nacional no fim do Campeonato Brasileiro de 1996, atuando em sua posição de origem (lateral-esquerdo), lançado pelo técnico Antônio Lopes. Dotado de extrema habilidade, inteligência e visão de jogo apurada, é frequentemente incluído entre os mais talentosos do futebol brasileiro desta geração. Aos 18 anos, foi integrado ao elenco profissional graças ao filho de Lopes (Júnior Lopes), que lhe viu jogar ainda na base em uma preliminar e se encantou com o seu futebol, indicando-o para o pai. O talento era tanto que surpreendeu Lopes logo de cara: "No primeiro treino foi logo metendo bolas no meio das pernas dos titulares", afirmou. Felipe estreou no profissional no dia 3 de novembro, na vitória por 2 a 1 diante do Botafogo. As pessoas não imaginavam, mas ali surgia um dos grandes ídolos da história do clube.

No ano seguinte, uma trajetória de sucesso iniciaria não só para o Vasco, mas também para Felipe, que tornou-se titular absoluto da posição. Em campanha avassaladora, o clube sagrou-se campeão do Campeonato Brasileiro de 1997, em final contra o Palmeiras. Mesmo o peso dessa conquista estando sobre os ombros do grande ídolo vascaíno, Edmundo (que por sua vez, fora o artilheiro da competição, melhor jogador e principal responsável pelo título vascaíno), Felipe, que também via seu melhor amigo desde a base, Pedrinho, despontar na equipe, cravava seu nome na história do clube, sendo premiado pela CBF como o melhor lateral-esquerdo do Campeonato Brasileiro e também se tornando sensação no País, principalmente entre os mais jovens, graças a sua irreverência nos dribles e lindas jogadas.

Em 1998, a sina vencedora do clube continuou e a fase espetacular de Felipe também. No ano do centenário do clube, o Vasco viveu um ano mágico. Inicialmente, foi campeão do Campeonato Carioca de 1998 vencendo os dois turnos e posteriormente alcançou a glória maior, conquistando de maneira inédita a Copa Libertadores da América de 1998 sobre o Barcelona de Guayaquil. Na competição continental, Felipe brilhou e foi o único jogador vascaíno a atuar em todos os jogos da campanha. Suas exibições eram um espetáculo a parte, como nas quartas de final diante do Grêmio, ocasião em que deu uma caneta no atacante adversário, Ronaldinho Gaúcho, e também nas semifinais diante do River Plate, fazendo o ex-jogador e então comentarista da TV Globo, Walter Casagrande, se derreter em elogios na transmissão da primeira partida após o lateral aplicar uma caneta em Sorín: "A técnica que tem o Felipe pra ser um lateral esquerdo, depois do Júnior eu acho que é o melhor lateral esquerdo técnico que o Brasil já teve", pontuou. Ao fim da competição, foi eleito para a Seleção Ideal da América do Sul pelo tradicional jornal uruguaio El País como o melhor lateral esquerdo do Continente. Classificado para o Mundial de Clubes de 1998 disputado no Japão, onde enfrentaria o Real Madrid, a equipe em si desprezou o Campeonato Brasileiro de 1998, poupando-se para a partida no fim do ano (a delegação vascaína viajou para Tóquio com cerca de um mês de antecedência). Mesmo assim, Felipe foi premiado e eleito pela CBF mais uma vez como o melhor lateral-esquerdo do Campeonato. O espetacular futebol demonstrado, lhe proporcionou sua primeira convocação para a Seleção Brasileira, através do técnico Vanderlei Luxemburgo.

No dia 1 de dezembro de 1998, o Vasco da Gama enfrentou o Real Madrid no Estádio Olímpico de Tóquio. Felipe fez uma partida memorável, uma de suas exibições inesquecíveis para o torcedor. Desferindo seus dribles rápidos e imparáveis, infernizou o time espanhol, sobretudo o lateral direito adversário, o italiano Christian Panucci, responsável por tentar impedir os avanços do craque pelo lado esquerdo. Também foi o articulador e criador das melhores jogadas da equipe, lances que não resultaram em gol por detalhes. Um deles fatalmente fora o mais marcante naquele fatídico dia: após uma jogada em velocidade, encontrou dois marcadores pela frente, aplicou duas fintas em sequência, deixando o primeiro no chão e chutou cruzado, vendo a bola passar muito próxima a trave esquerda do goleiro adversário Illgner. Felipe fora considerado o melhor jogador da equipe vascaína. Porém, a grande exibição do lateral acabou não refletindo no resultado da partida, que terminou com um placar de 2 a 1 para o Real Madrid, que sagrou-se campeão mundial. Anos depois, em votação realizada pela internet, a atuação do Vasco seria eleita a melhor de um time brasileiro contra um time europeu em finais de Mundiais. Felipe daria uma entrevista se referindo ao jogo e ao prêmio de melhor jogador daquela partida (que foi entregue ao atacante espanhol Raúl) com os seguintes dizeres: "O Vasco jogou muito melhor, massacrou. Eu tenho a consciência de que fui o melhor [daquele jogo]. Se tivesse vencido, eu ganharia o carro, e não o Raúl. É uma perda muito grande e que não tem cura."

Na Copa Interamericana, disputada nos Estados Unidos entre os campeões da Copa Libertadores da América e Liga dos Campeões da CONCACAF, marcou um belo gol, o único da primeira partida da decisão contra o DC United, todavia, na segunda partida (disputada 4 dias após o Mundial de Clubes), o time estadunidense venceu por 2 a 0, ficando o agregado em 2 a 1.

Felipe sempre deixou claro que gostava de atordoar seus marcadores adversários: "Não sou muito de marcar gols, prefiro driblar" e "ver a cara de espanto do meu marcador depois de uma entortada me enche de prazer". Suas exibições lhe concederam certo apelo naquele ano para se tornar titular da Seleção Brasileira, sobretudo após o vice da Copa do Mundo de 1998, quando recebeu suas primeiras convocações. Contudo, o treinador da seleção, Vanderlei Luxemburgo, entendia que Felipe deveria atuar como meia: "É um desperdício esse rapaz jogar na lateral, ele sabe das coisas", afirmou.

Em 1999, Felipe não parou de conquistar titulo e nem de elevar seu nível de importância no clube. Com o lateral sendo um dos principais jogadores da competição, contribuindo com lindos lances, assistências e inclusive gols, o Vasco foi campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1999 diante do Santos. Individualmente, quase sempre dava espetáculo à parte com seus dribles e jogadas mágicas, ficar parado com a bola na frente do adversário sem ser desarmado, os cortes secos e as canetas eram marcas registradas de seu repertório.

Na Seleção Brasileira, ao passo que fora convocado outras vezes, é informado por Luxemburgo que a intenção é utilizá-lo no meio-campo e assim desejou atuar na posição no clube também. Todavia, o Vasco possuía em seu plantel poderoso outros meias de destaque como Juninho Pernambucano, Ramon Menezes e Pedrinho. Assim, com a posição bem preenchida, Lopes temendo perder a qualidade que possuía na lateral, a princípio mantém Felipe em sua posição de origem. No entanto, em algumas ocasiões, o lateral acabou sendo utilizado da maneira que tanto se cogitava e por vezes, quando o time carecia de criação durante as partidas, o treinador o avançava no campo.

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