Maria Fernanda Mamede de Pádua Lapa, mais conhecida como Fernanda Lapa (Lisboa, 11 de maio de 1943 — Cascais, 6 de agosto de 2020), foi uma atriz e encenadora portuguesa.
Uma das mais reconhecidas atrizes da sua geração, construindo igualmente um sólido percurso como encenadora, Fernanda Lapa nasceu em Lisboa, a 11 de maio de 1943, e faleceu em Cascais, a 6 de agosto de 2020, com 77 anos de idade.
Na sua juventude, ingressou na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, frequentando Ciências HIstórico-FIlosóicas, em 1961.
Dava, pouco depois, os primeiros passos na representação, integrando o Teatro dos Alunos Universitários de Lisboa, em 1962.
No segundo ano do curso, em 1963, resolve deixar aqueles estudos, para ingressar no Instituto Superior de Serviço Social.
Diplomando-se em Serviço Social, em 1966, exercerá a profissão de assistente social até à altura do 25 de Abril de 1974, na Fundação Raquel e Martin Sain, dedicada à educação e reablitação socioprofissional de pessoas com deficiência visual.
Paralalelamente, continuaria o seu percurso na arte dramática — conhecendo Fernando Amado ainda no teatro universitário, acompanhá-lo-á na fundação da Casa da Comédia; a trabalhar na Fundação Sain, conhece Bernardo Santareno, que aí exercia a função de médico psiquiatra, tornando-se sua amiga.
Seria, precisamente, na Casa da Comédia que Fernanda Lapa viria a profissionalizar-se como atriz, depois de se estrear na peça Deseja-se Mulher, de Almada Negreiros, sob direção de Fernando Amado (1963). A sua interpretação obteria o reconhecimento do próprio Almada, que assistiu aos ensaios da peça; na estreia terá, inclusive, oferecido um livro à atriz, escrevendo na dedicatória escreveu que lhe atribuía «20 valores pelo seu talento».
Coincidentemente, uma década depois Fernanda Lapa viria a encenar a mesma peça - a sua primeira experiência como encenadora -, protagonizada pela sua irmã, a também atriz São José Lapa, novamente na Casa da Comédia (1972).
Em 1970, no Teatro Experimental de Cascais, participava em “Breve Sumário da História de Deus”, de Gil Vicente, com encenação de Carlos Avilez; em 1973, encenava “Pequenos Burgueses”,de Gorky, no GIT, na Trafaria.
No período subsequente à revolução (1976), ingressou na companhia A Barraca, onde participou nas peças “Histórias de Fidalgotes e Alcoviteiras”, dramaturgia e encenação de Hélder Costa sobre textos de Ruzante, Gil Vicente e Fernão Lopes de Castanheda, em 1976, e “Barraca Conta Tiradentes”, de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri, com encenaão de Augusto Boal.
Em 1977, junta-se à recém-fundada Compania Nacional I – Teatro Popular, onde participa em “Jesus Cristo em Lisboa”, a partir de Raul Brandão e Teixeira de Pascoaes, com encenação de Carlos Wallenstein, sendo ainda assistente de encenação de Norberto Barroca em “Leonor, Rainha Maravilhosamente”, de Alice Sampaio.
Já em 1979 encenará no Teatro Experimental de Cascais, a peça infantil “Os Brinquedos do Tó-Zé Fizeram Banzé”, de Orlando Neves.
No mesmo ano (1979) Fernanda Lapa obteria uma bolsa da Secretaria de Estado da Cultura do Governo Português, o que a levou a frequentar a Academia Nacional de Arte Dramática Aleksander Zelwerowicz, em Varsóvia, Polónia, ao tempo ainda uma república da União Soviética.
Nesta instituição diplomar-se-ia em Encenação, realizando em seguida estágios no Teatro Laboratório de Grotowski, no Teatro Contemporâneo de Wroclaw e no Teatro Stary de Cracóvia.
De novo em Portugal, em 1982, Fernanda Lapa entrará em duas produções do Teatro Nacional D. Maria II, as peças “Pedro, o Cru”, de António Patrício, com encenação de Carlos Avilez, e “Crisótemis”, de Yiannis Ritsos, com encenação de Rogério de Carvalho. Será igualmente assistente de encenação de Castro Guedes no “Auto de S. António e Auto de Vicente Anes Joeira”.
Assumiria em 1983 a direção do Grupo de Teatro do Banco de Fomento Nacional.
Atriz multifacetada, o seu curriculum abrangeria peças de teatro, óperas e teatro-dança; a interpretação de autores como Jean Cocteau, Copi, August Strindberg ou Arthur Miller.