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Fernando, Duque de Parma

Aristocrata neerlandês

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Fernando (em italiano: Ferdinando Maria Filippo Lodovico Sebastiano Francesco Giacomo; Parma, 20 de janeiro de 1751 – Fontevivo, 9 de outubro de 1802) foi Duque de Parma, Placência e Guastalla de 1765 até sua morte. Desde o Tratado de Aranjuez de 1801, ele havia sido privado de seus domínios, que passaram ao controle francês.

Fernando Maria de Bourbon nasceu em Parma em 20 de janeiro de 1751. Era o segundo filho, o único menino, de Filipe, Duque de Parma e de sua consorte, Luísa Isabel da França, filha do rei Luís XV. Ele cresceu em um ambiente fortemente influenciado pela presença francesa e pelas estratégias da Casa de Bourbon na península Itálica.

Durante a infância, teve como tutor o padre jesuíta Thomas de Fuméron, que o preparou até a primeira comunhão, aos sete anos. Mais tarde, sua mãe decidiu mudar o rumo de sua educação e nomeou o filósofo francês Étienne Bonnot de Condillac como novo preceptor. Condillac chegou a Parma em 1758 e elaborou um método de ensino especialmente voltado para o príncipe. Desse trabalho resultou a obra Cours d’études pour l’instruction du Prince de Parme, publicada entre 1769 e 1773. Aos nove anos, Fernando começou a ter aulas de cravo com o compositor Giuseppe Colla.

Apesar do alto nível intelectual de seus mestres, Fernando mostrou pouco interesse pelo racionalismo e pela filosofia. Desde cedo demonstrou forte devoção religiosa e comportamento reservado. Seu diário, escrito na juventude, revela um jovem piedoso e introspectivo. Seus passatempos preferidos incluíam tocar sinos de igreja e assar castanhas com camponeses.

O duque Filipe morreu em 1765, e Fernando, com apenas quatorze anos, foi declarado maior de idade, tornando-se o novo duque de Parma. O governo do Ducado ficou nas mãos do ministro Guillaume du Tillot, que implementou amplas reformas inspiradas no pensamento iluminista. Entre suas medidas estavam a limitação do poder do clero, a criação de leis civis mais modernas e a expulsão dos jesuítas em 1768. Essas ações transformaram Parma em um exemplo de Estado reformista na península Itálica.

Entretanto, em 1769, Fernando casou-se com Maria Amália da Áustria, filha da imperatriz Maria Teresa e do imperador Francisco I do Sacro Império Romano-Germânico. A união, motivada por interesses políticos, revelou-se conflituosa desde o início. Fernando, descrito como grosseiro, embora profundamente fanático em sua fé católica, era obstinado e devasso, e enquanto tomava amantes entre camponesas, Maria Amália usava o dinheiro enviado por sua mãe para luxuosos vestidos, festas e uma Corte extravagante, substituiu a maior parte de suas damas de companhia por um séquito de homens atraentes da guarda real, vestia-se como homem, passeava à noite disfarçada pelas ruas, apostava em clubes de oficiais, e mantinha relações sexuais com membros da guarda. Maria Amália, também, rejeitava a influência francesa na Corte e aproximou-se dos grupos mais conservadores de Parma. Sua atuação, somada à queda do ministro francês Choiseul em Versalhes, enfraqueceu o poder de Guillaume du Tillot, que acabou afastado em 1771. A partir desse momento, o governo de Parma abandonou as reformas inspiradas no iluminismo e retomou uma política tradicional. Foram restabelecidos os privilégios do clero, reabertos conventos e readmitidos os jesuítas. O casal, embora separado, teve seis filhos, entre eles Luís, futuro rei da Etrúria.

Fernando afastou-se gradualmente da administração e passou a levar uma vida discreta, voltada à religião e aos filhos, deixando os assuntos de Estado inteiramente sob o comando da esposa, tornando Maria Amália a governante de fato do Ducado de Parma; Fernando não tinha influência política, e Maria Amália frequentemente alterava ou contrariava suas ordens, chegando a assinar decretos em conjunto com o marido, como se fossem co-governantes.

Nos últimos anos do governo de Fernando, as Guerras Napoleônicas mudaram o destino do Ducado de Parma. Em 1796, as tropas francesas invadiram o território e, após a vitória de Napoleão na Batalha de Marengo, em 1800, o ducado perdeu sua autonomia. Pelo Tratado de Aranjuez, assinado em 1801, Fernando foi privado de seus domínios, que passaram ao controle francês e foram transformados no Departamento do Taro. Pelo Tratado de Lunéville, em fevereiro de 1801, o Ducado de Parma foi anexado ao recém-criado Reino da Etrúria, um Estado fantoche francês concedido ao filho de Maria Amália, casado com uma infanta da Espanha, filha de um aliado de Napoleão. Fernando e Maria Amália se opuseram ao tratado, e foi acordado que o ducado não seria ocupado até a morte de Fernando. O novo governador francês de Parma, Jean-Andoche Junot, os colocou em prisão domiciliar, e Maria Amália temia pela vida do marido.

Fernando morreu em 9 de outubro de 1802, na Abadia de Fontevivo, nas proximidades de Parma. Sua morte foi súbita e levantou suspeitas de envenenamento ordenado por agentes franceses. Com sua morte, terminou a independência do Ducado de Parma e encerrou-se a influência direta da Casa de Bourbon na região.

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