Fernando Büttenbender Prass (Porto Alegre, 9 de julho de 1978) é um ex-futebolista brasileiro que atuou como goleiro. Atualmente trabalha como comentarista esportivo pela TV Globo.
Sua trajetória no futebol teve início ainda na infância, quando já demonstrava paixão pelo esporte influenciado pelo avô, ex-zagueiro. Iniciou sua carreira nas categorias de base do Grêmio, onde percorreu todas as etapas formativas, e logo passou por empréstimos a clubes como Francana e Vila Nova; neste último, conquistou seu primeiro título profissional ao vencer o Campeonato Goiano de 2001. Em 2002, firmou-se no Coritiba, onde foi eleito melhor goleiro do Campeonato Paranaense em várias edições e ajudou o clube a se classificar para a Libertadores. Em 2005, transferiu-se para o União de Leiria, de Portugal, onde consolidou seu desempenho e foi eleito o melhor goleiro do Campeonato Português. Defendeu o clube europeu até o início de 2009, quando retornou para o Brasil para atuar pelo Vasco da Gama – onde se destacou ao conquistar o Campeonato Brasileiro da Série B de 2009 e a Copa do Brasil de 2011 – e posteriormente o Palmeiras, onde passou a maior parte de sua carreira e contribuiu para títulos importantes como a Copa do Brasil de 2015, além de ganhar reconhecimento por suas defesas decisivas em cobranças de pênaltis. No final de 2019, transferiu-se para o que viria ser seu último clube profissional, o Ceará; Prass se aposentou no início de 2021, aos 42 anos de idade.
Em nível nacional, embora nunca tenha sido convocado para a Seleção Brasileira principal, chegou a ser convocado em 2016 para a Seleção Olímpica como um dos três atletas acima dos 23 anos para a disputa dos Jogos Olímpicos daquele ano, mas foi cortado após sofrer uma fratura no cotovelo.
Fora dos gramados, Prass ingressou na esfera acadêmica e profissional, graduando-se em Administração e atuando como comentarista esportivo em redes de mídia como TNT Sports, ESPN Brasil e SporTV, além de se envolver em projetos de melhoria das condições para os profissionais do futebol com o Bom Senso FC.
Fernando Büttenbender Prass nasceu no dia 9 de julho de 1978, em Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul. De ascendência alemã, é o filho mais velho de Arthur e Sandra Prass, e irmão de Ana Paula Prass; a família é natural de Viamão, que fica a vinte quilômetros da capital gaúcha. Desde criança mostrou paixão por esportes, principalmente o futebol, sendo influenciado por seu avô, Valdomiro, que atuava como zagueiro no extinto clube Grêmio Esportivo Renner. O primeiro time que Fernando jogou foi a Associação Atlética Independente, time criado pelo seu pai, Arthur, em parceria com vizinhos; começou jogando na linha, mas, após boas atuações no gol, passou a atuar como goleiro.
Em 1991, após destacar-se por um campeonato local, Fernando foi convidado para treinar nas categorias de base do Grêmio. Permaneceu até 1994, sendo dispensado pela alta concorrência de goleiros. No mesmo ano, jogou pela equipe da ESEF (Escola Superior de Educação Física), da UFRGS, que reunía atletas dispensados pela dupla Gre-Nal. Após se destacar, acabou retornando às categorias de base do Grêmio.
Fernando passou por todas as categorias de base do tricolor gaúcho até ser promovido ao time profissional em 1999; no entanto, não chegou a atuar pela equipe principal devido à forte concorrência. Em busca de tempo de jogo, no início de 2000, transferiu-se por empréstimo para a Francana, para a disputa da Série A2 do Campeonato Paulista; disputou 21 partidas nesse período. Em uma entrevista em 2021, o goleiro comentou que o período no clube paulista "serviu como amadurecimento como jogador (...) e para dar o pontapé inicial na [sua] carreira", e que os motivos de sua saída foram o calendário esportivo sem muitos jogos e as dificuldades financeiras enfrentadas pelo time de Franca.
Seis meses depois, foi novamente emprestado, desta vez para o Vila Nova, de Goiás, após indicação do ex-futebolista uruguaio Sérgio Ramirez, que o observou atuando pela Francana enquanto comandava o Santo André. Inicialmente incluído em uma lista de dispensa de jogadores, Fernando ganhou uma oportunidade quando o goleiro titular do Vila Nova, Cássio Luiz, ficou de fora de um jogo. Após uma boa atuação, conquistou a titularidade no Vila Nova. Pela equipe goiana, venceu seu primeiro título como titular profissional ao conquistar o Campeonato Goiano de 2001; o Colorado não vencia o torneio havia seis anos. Em meados de 2001, com o clube enfrentando sérias dificuldades financeiras, Fernando optou por rescindir seu contrato. Ao todo, disputou 74 partidas pelo Vila Nova.
No início de 2002, Fernando foi novamente emprestado, desta vez para o Coritiba, que buscava reforços para o gol em meio a uma reformulação; o contrato era válido por um ano. Mais uma vez, Sérgio Ramirez — então diretor de futebol do clube — indicou o jogador. Contratado como terceira opção, atrás do sérvio Nikola Damjanac e do compatriota Wellerson, assumiu a titularidade após seus concorrentes não se firmarem. Durante o ano de 2002, Fernando foi eleito o melhor goleiro do Campeonato Paranaense, prêmio que também recebeu em 2003 e 2004, conquistando o bicampeonato nas duas últimas edições. No final do ano, rescindiu seu contrato com o Grêmio e assinou em definitivo com o clube paranaense.
Pelo Campeonato Brasileiro de 2003, fez parte da equipe que levou o Coxa à quinta posição no campeonato, suficiente para classificá-la para a Libertadores da América do ano seguinte, fato que não ocorria havia dezoito anos. Começou a temporada de 2004 com cem jogos completos pelo Coritiba. Durante o ano, manteve-se como titular e renovou seu contrato com o time paranaense em dezembro.
Em junho de 2005, após quatro anos atuando pelo Coritiba, e embora tivesse chegado a receber uma sondagem do Vitória de Guimarães, de Portugal, Fernando foi vendido para o União de Leiria, também do país luso. Ao todo, disputou 186 partidas pelo Coritiba, onde se tornou um dos ídolos do clube.
Segundo o diário português Jornal de Notícias, o então presidente do Leiria, João Bartolomeu, confirmou a contratação de Fernando por quatro temporadas, com o clube desembolsando 550 mil euros (cerca de dois milhões de reais na época, e mais de cinco milhões corrigidos para 2024) pela transferência. Contratado para substituir o também brasileiro Helton, que se transferira para o Porto, Fernando estreou em 11 de setembro, na terceira rodada da Primeira Liga, contra o Marítimo. A partida, disputada no Estádio Dr. Magalhães Pessoa, terminou sem gols. Na primeira temporada, atuou pouco, sendo reserva de Costinha e disputando apenas nove partidas sob o comando de Jorge Jesus, então treinador da equipe.
Na temporada 2006–07, com as chegadas dos técnicos Domingos Paciência, e, depois, Paulo Duarte, Fernando conquistou a titularidade do time. Durante a temporada, segundo o diário esportivo português Record, chegou a ser sondado pelo Porto para uma possível transferência. Ao fim da temporada, foi eleito o melhor goleiro do Campeonato Português e ajudou a equipe a terminá-lo em sétimo lugar, classificando-se para a Copa da UEFA da temporada seguinte. Na competição, o Leiria foi eliminado pelo Bayer Leverkusen, da Alemanha; entretanto, Fernando protagonizou boas atuações e chegou a receber uma proposta do Eintracht Frankfurt, também do país germânico, mas as conversas não evoluíram. Na temporada 2007–08, apesar do rebaixamento do Leiria no Campeonato Português, Fernando foi elogiado pela imprensa local por seu desempenho.
Em novembro de 2008, insatisfeito com a falta de competitividade, Fernando manifestou ao seu assessor, Adriano Rattmann, o desejo de voltar a jogar no Brasil. O Vasco da Gama foi o destino escolhido, após contato com o técnico Dorival Júnior, que aprovou sua contratação. No total, disputou 96 partidas pelo União de Leiria. Em 2021, no podcast Podpah, Fernando relembrou sua passagem pelo União de Leiria e comentou sobre os motivos de querer retornar à sua terra natal. Apesar de elogiar a qualidade de vida em Portugal, criticou o baixo apelo do futebol em Leiria, com estádios vazios e pouco entusiasmo da torcida. Além disso, o calendário de jogos era pouco exigente, sem a intensidade que buscava para sua carreira.