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Florânia

Município brasileiro do estado do Rio Grande do Norte

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Florânia é um município no estado do Rio Grande do Norte (Brasil). De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no ano de 2024 sua população estimada foi de 10.528 habitantes. Sua área territorial é de 508 km².

O povoamento propriamente dito teve início logo após Cosme de Abreu Maciel e sua família terem se instalado nessa região por volta de 1721. O capitão Miguel de Abreu Maciel, pai de Cosme de Abreu, com o capitão Domingos da Silveira receberam, em 1736, a data de sesmaria do Patacorô. Em 1743, Cosme de Abreu com o padre José Freire da Silveira, que era filho de Domingos da Silveira, receberam uma nova sesmaria nas proximidades da data do Patacorô. Em nova petição, Cosme de Abreu, sua filha Januária Gomes de Abreu e o sócio Gregório Carvalho de Deus foram agraciados com a data de sesmaria do Passaribu (posteriormente Rossaurubu) em 1754. Já no ano de 1755, Cosme de Abreu e Ignácia Francisca Fernandes requereram mais uma data de sesmaria ao capitão-mor Pedro de Albuquerque e Melo para eles e suas descendências. Apesar da presença do casal Cosme de Abreu Maciel e Maria Tereza de Jesus na região, foi de fato a partir de seu filho Manoel Antônio Fernandes de Moraes, o pai de Atanásio Fernandes de Moraes, e seus inúmeros descendentes, que realmente difundiu-se a povoação de Flores. Então, no ano de 1856, uma epidemia da Cólera Morbus se espalhou pela região, atacando a população local. E, receoso com o avanço da epidemia, o velho Atanásio Fernandes fez um voto de fé, prometendo construir uma capela para São Sebastião se os moradores da localidade escapassem da terrível doença. Contudo, Atanásio faleceu em 1860 sem conseguir cumprir o seu voto, mas a sua viúva Isabel Maria de Souza e seus filhos levaram a promessa adiante e, em 1865, com a presença do Padre Ibiapina foi iniciada a construção da capela, e sua inauguração aconteceu com celebração da primeira missa pelo padre Idalino Fernandes de Souza nesse mesmo ano. A região já era caracterizada pelas rotas comerciais e caminhos do gado..

É importante registrar que D. Isabel de Souza, viúva do velho Atanásio Fernandes, e mais 10 membros da família fizeram a doação de patrimônio ao Glorioso São Sebastião da Capela do Sítio Flores, na data do Rossaurubu, em 1867. O terreno doado para a capela e cemitério media duzentas braças de comprimento por cem braças de largura. E, para complementar o patrimônio do referido santo, a família Fernandes de Moraes fez a doação de cem braças no Sítio Pedra Lisa, localizado na data do Pericô. Os doadores informaram que esse patrimônio fundiário tinha sido recebido por herança dos seus antepassados Cosme de Abreu Maciel e Maria Tereza de Jesus. Assim, a Vila de Flores surgiu ao entorno dessa capela.

No desenvolvimento do município, houve a influência étnico-cultural de imigrantes italianos, judeus cristãos-novos, africanos e portugueses, permanecendo até os dias atuais a descendência de Manoel Antônio Fernandes de Moraes e sua esposa Angélica Mamede da Conceição, principalmente na comunidade Jucuri.

Tem um rico patrimônio histórico-religioso, que aflora em ícones como a cruz do mártir José Leão, o Monte de Nossa Senhora das Graças e a Igreja Matriz de São Sebastião, um ótimo atrativo natural: o Mirante do Cajueiro, as Cachoeiras dos Tanques e a árvore Pau do Oco. Também pode-se encontrar vestígios do homem da pré-história (pinturas rupestres do Capim Açu e da Chã Preta) e achados cerâmicos dos índios Tupi, que habitavam a região antes da colonização.

Em 1865, a localidade que se chamava inicialmente Roça do Urubu, mudou o nome para Flores de Vassaurubu, e em 11 de agosto de 1873, criado Distrito de Paz pela Lei n. 684, passou a se chamar Povoado de Flores. O nome povoado de Flores está relacionado diretamente com a paisagem de várzeas cobertas de mofumbais e suas flores perfumadas que em conjunto com outras plantas fazem um grande lençol de verdura numa linda policromia. O município de Flores foi criado pelo decreto n. 62, de 20 de outubro de 1930, ato do 1 vice-governador em exercício, Pedro Velho d'Albuquerque Maranhão, e seu território foi desmembrado de Acari, com instalação ocorrendo em 24 de janeiro de 1937.

A denominação atual foi dada pelo Decreto-lei n. 268, de 30 de dezembro de 1943, substituindo o tradicional nome de Flores. A mudança aconteceu em virtude da Legislação Federal ordenando que não podia existir duas ou mais cidades com o mesmo nome. Flores já era nome de cidades nos estados de Pernambuco e Rio Grande do Sul, cujas datas de emancipação precederam a de Florânia. A mudança do nome para Florânia, foi proposta por Nestor de Lima. Integrava o território do município de Florânia, São Vicente, desmembrado através da Lei n. 1030, de 11 de dezembro de 1953, na administração do prefeito Manoel Emídio Filho, e Ten. Laurentino Cruz, criado pelo Pe. Sinval Laurentino na década de 70, desmembrado através da Lei n. 6450, de 16 de julho de 1993, quando era prefeita de Florânia, Sra. Jandira Alves de Medeiros, esposa do Pe. Sinval Laurentino.

Aos 5 de abril de 1904, por ato do primeiro bispo da Paraíba (no RN, não havia Diocese), Dom Adauto Aurélio de Miranda Henrique criou a Paróquia de São Sebastião de Florânia. Desmembrou-se da Paróquia de Sant'Ana de Currais Novos. O 1º Vigário foi o Pe. Inácio Cavalcanti de Albuquerque. A paróquia originalmente compreendia, além do município de Florânia, os atuais territórios de São Vicente e Tenente Laurentino, desmembrados do primeiro. No dia 26 de setembro de 2004, São Vicente passou a Paróquia, por ato do Bispo Diocesano Dom Jaime Vieira Rocha, tendo como padroeiro São Vicente Ferrer.

No município de Florânia, existem a Igreja Matriz de São Sebastião, Igreja do Santíssimo Sacramento, Capela de Nossa Senhora das Graças (Monte das Graças), Capela da Cruz de José Leão (Alto Vermelho), Capela de São José (Sítio Condado), Capela de São João Batista (Assentamento João da Cruz), Capela do Bom Jesus Aparecido (Ipueira Cercada), Capela de São José Operário (Jucuri). Em Tenente Laurentino temos a capela de São Francisco (sede do município), Capela de Nossa Senhora da Conceição (Cinco Cantos), Capela de Sant'Ana (Umarizeiro).

A Banda de Música de Florânia remonta ao final do século XIX, quando a cidade era, ainda, chamada de Flores. O seu primeiro maestro foi o professor Manoel Fernandes, que a conduziu até 1918. Com a colaboração e apoio de imigrantes italianos de vila de Flores, entre os quais Antonio Giffoni, estabeleceu-se, inicialmente, na Escola de Instrução Primária (atual prédio da Delegacia de Polícia).

Nos anos de 1919 a 1937 a regência passou para o sargento músico Ellusipo Oscar de Oliveira. De 1941 a 1995 a Banda viveu a sua fase mais importante, tendo como maestro Marciano Ribeiro da Costa. Participou de excursões no estado da Paraíba, com apresentações em Sousa, Solânea e Patos. Nesse período venceu o I Festival de Conjuntos de Bandas de Música de Natal.

Atualmente, o conjunto musical desperta grande admiração na região do Seridó, sendo constantemente requisitado para abrilhantar festividades cívicas, religiosas ou recreativas.

Em 1937, foi criado o primeiro time de futebol dos floranienses. Foi denominado de "Vila Flores Futebol Clube", tendo como diretores o Padre Antônio Avelino e Clementino Araújo. Seus componentes usavam calção branco e camisa branca com listras azuis. A equipe era formada por João Grande, Zé de Bento, Oscar Freire, Rubens Freire, Inácio Bulandeira, Pereirão, Chico Moquinho, Zé Freire, Nozinho Pereira e Fernando Juvenal, tendo sido extinto em 1940.

O segundo time surgiu em 1945, com o nome de "Esporte Clube São Sebastião". Em 1949, passou a denominar-se "Esporte Clube Humaitá" que foi extinto em 1959. O time contou com a participação ativa dos jogadores: João Bernardo Neto, Eurípedes Praxedes de Medeiros, José Laurentino Cruz, Nozinho Pereira, Vicente Homero, Chico de Benta, Zé de Ana, Sebastião Vieira, João Crisóstomo, Dedé do Ouro, Fortuna, João Grande, Zé Freire, Lero, Zé de Bento, Oscar Freire, Pimenta, Manelão, Júlio Bezerra e Netinho Bobôco.

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