Florinda Meza García Gómez Bolaños (Juchipila, 8 de fevereiro de 1949) é uma atriz, empresária, roteirista, diretora, produtora e blogueira mexicana, mundialmente conhecida por interpretar diversas personagens nas obras de Roberto Gómez Bolaños, sendo Dona Florinda, Pópis (ambas do seriado Chaves) e Chimoltrúfia as mais conhecidas, além das diversas mocinhas em episódios de Chapolin Colorado. Como escritora, Meza produziu as novelas Milagro y magia (1991) – na qual também atuou e foi dirigida por Bolaños – e produziu La dueña (1995) e Alguna vez tendramos alas (1997), ambas com direção de seu enteado Roberto Gómez Fernández.
Além da parceria profissional, manteve um relacionamento com Gómez Bolaños desde o fim da década de 1970. O casal viveu junto por décadas e oficializou o casamento em 2004, permanecendo unidos até a morte do humorista, em 2014. Após seu falecimento, Florinda passou a dedicar-se à preservação e divulgação de sua memória, concedendo entrevistas, participando de homenagens e defendendo o legado artístico de Chespirito.
Sua trajetória também é marcada por controvérsias. A relação com Bolaños começou quando ele ainda era casado com sua primeira esposa, fato que gerou críticas durante décadas. Declarações dadas em entrevistas sobre a família do humorista e conflitos históricos envolvendo membros do elenco de Chaves também geraram debates públicos ao longo dos anos.
Nascida e criada na cidade de Juchipila, no estado de Zacatecas, México, teve uma infância difícil: Com a separação de seus pais, que, muito pobres, não puderam ficar com os filhos, e assim, Florinda, Hector e Esther tiveram de ser criados pelos avós, mas eles eram pouco cuidadosos e faziam ela e os irmãos sofrerem necessidades e humilhações. Isso desencadeou em Florinda uma personalidade forte e determinada a mudar sua situação de vida.
Guarda uma péssima recordação de infância: Antes da separação dos seus pais, Florinda morava com os irmãos, o pai e a mãe, como toda família, mas sua mãe passou a apresentar um comportamento diferente e foi constatado que ela sofria de esquizofrenia. Florinda contou essa triste história em um programa exibido pela rede mexicana Azteca - chamado "Histórias Engarzadas": Florinda Meza, que encarnou a personagem Dona Florinda, do humorístico Chaves, esclareceu algo que era um dilema para muitos dos seus fãs: A mudança no desenho do seu nariz. Segundo relatou, a sua mãe sofria de problemas neurológicos e, em uma crise violenta, jogou-lhe um ferro de passar, que quebrou o osso do seu nariz. Na época, ainda criança, Meza teve de ser submetida a uma cirurgia. Já adulta, a atriz teve problemas respiratórios, por sequelas daquela lesão, e passou por diversas cirurgias.
Na adolescência começou a perceber seu grande gosto e talento para artes cênicas. A sua vocação artística aflorou cedo e para concretizar seu sonho, foi à procura de emprego e trabalhou como modelo de comerciais para televisão por um período e depois como secretária em um escritório, para pagar os seus estudos, no caso o curso profissionalizante de artes dramáticas, na ANDA (Asociación Nacional de Actores).
Nessa época, sua avó já era viúva, e repentinamente morreu. Florinda sofreu muito mais que já havia sofrido, pois sua mãe estava internada em um hospício, e para piorar a situação, não tinha mais notícias de seu pai, que após a internação de sua mãe, foi embora com outra mulher. Sozinha e ainda jovem, teve de sustentar e criar os dois irmãos ainda crianças. Ela exerceu um verdadeiro papel de mãe para eles, já que era bem mais velha que os dois. Isso a fez lutar ainda mais por melhorias em sua vida profissional, e estava empenhada, fazendo curso de teatro e para pagar sua formação teatral, trabalhava com vendas no comércio mexicano. Ela sustentava os irmãos, cuidava, brigava e orientava, e os criou como seus filhos.
A sua evidente capacidade histriônica, ou seja, uma personalidade muito dramática, viva, forte e intensa, começou a ser percebida em seu curso de teatro. Além de uma capacidade incrível de decorar textos e atuar, ela passou a fazer aulas de dança e canto e conseguiu com muita facilidade dançar, cantar e interpretar ao mesmo tempo, para grande admiração dos professores.
Ao perceber seu grande talento, os professores passaram a enviar o nome dela para grandes empresas no ramo artístico e eis que em 1968 ela conhece o empresário e ator Roberto Gómez Bolaños, que lhe fez um inesperado convite: integrar-se à sua equipe de atores. Chespirito, como é conhecido, a convidou para trabalhar com ele em programas humorísticos que estava escrevendo. Atuar na TV com atores famosos seria um grande avanço na carreira de Florinda.
A partir de então, tornou-se a estrela feminina dos programas, realizando diversas caracterizações. O seu primeiro trabalho com Chespirito foi em um esquete de "Don Juan Tenorio". Depois, interpretou a imortal Dona Florinda e a famosa Chimoltrúfia, a vizinha do Pancada, a enfermeira do doutor Chapatin e várias "mocinhas" no quadro do Chaveco. Mais tarde, a sua sobrinha Pópis. Nos episódios de Chapolin Colorado, quase sempre fazia o papel da mocinha.
Florinda trabalhou em todos os cinco filmes de Chespirito, assim como na peça de teatro escrita por ele, "Títere" (1984), onde fazia o boneco Pinóquio. Participou também do programa Chespirito a partir de 1980 com personagens nos quadros de Los Caquitos (Chômpiras) onde interpretava a personagem Chimoltrúfia; em Los Chifladitos (Chaparron), onde era a Vizinha, além de "El Doctor Chapatín" (Dr. Chapatin), onde interpretava a Enfermeira. Chimoltrúfia obteve grande destaque devido às diferenças de características com Dona Florinda, e por tornar mais explícito seu talento como atriz. Dado o enorme sucesso dessa personagem, Florinda Meza lançou no mercado a revista semanal da Chimoltrúfia, que alcançou grande êxito editorial.
Começou a estudar para ser escritora e diretora de produções artísticas e mais uma vez obteve sucesso com novelas como "María de Nadie" (1985), "Milagro y Magia" (1991, onde também atuou), "La Dueña" (1995) e "Alguna Vez Tendremos Alas" (1997). Também atuou por mais de oito anos consecutivos no sucesso de teatro "11 y 12" - mais uma vez ao lado do marido. Chimoltrúfia foi a personagem que mais lhe dava prazer de interpretar.
Florinda havia parado suas atividades profissionais para cuidar de seu marido acamado, devido à idade avançada e à saúde fragilizada dele. Após a morte dele, ela sofreu muito. Depois de um tempo, Florinda começou a retomar suas atividades aos poucos. Voltou a fazer um trabalho como atriz em 2019, quando esteve no filme Dulce Família. Atualmente, viúva e morando sozinha, continua a se dedicar a uma enorme variedade de projetos culturais, viajando o mundo para participar de eventos e dar entrevistas. Declarou em entrevistas que mesmo recebendo a visita de seus irmãos e sobrinhos, e até dos filhos e netos de seu falecido marido, sente-se muito sozinha, com enormes saudades de seu único e grande amor, Roberto.
Florinda interpretou também a personagem Chimoltrúfia em Chompiras, onde os personagens aparecem como ex-ladrões regenerados. Ela diz que esse foi um de seus papéis preferidos.
O nome completo da Chimoltrúfia é Maria Expropriação Petronilha Laspurian Torquemada de Botijão ou em espanhol María Expropiación Petronilla Lascurain y Torquemada de Botija. Chimoltrúfia é uma mulher de mais ou menos trinta e cinco anos, de classe social baixa, trabalhadora e que sustenta à família. É muito honesta, respeitável, exigente e convicta. É sonhadora, idealista e vive feliz sem esperar nada dos outros, só espera ter saúde, um bom emprego que lhe permita viver do seu trabalho e talvez, de repente, tenha a sorte de algum dia ser contratada como cantora, porém canta muito mal e acha que canta muito bem. Ela é otimista, pura, ingênua e com uma marcante ignorância, que às vezes parece criança. Tem também um imenso sentido de justiça e sempre defende as coisas nobres e ajuda os inválidos na medida possível.
Roupas características: vestido simples; de manga curta e decote redondo, marrom de florzinhas azuis e também usa um avental amarelo.Usa meias velhas e coloridas.Os sapatos são brancos, rasteiros.