Força Aérea Brasileira (FAB), também chamada de Aeronáutica, é o ramo aeronáutico das Forças Armadas do Brasil sendo uma das três forças que compõem a defesa externa do Brasil. A FAB foi formada quando os ramos aéreos do Exército e da Marinha foram fundidos em uma força militar única. Ambos os ramos de ar transferiram seus equipamentos, instalações e pessoal para a nova força armada.
Formalmente, o Ministério da Aeronáutica foi fundado em 20 de janeiro de 1941 e o seu ramo militar foi chamado "Forças Aéreas Nacionais", alterado para "Força Aérea Brasileira" (FAB) em 22 de maio daquele ano. Os ramos aéreos do Exército ("Aviação Militar") e da Marinha ("Aviação Naval") foram extintos e todo o pessoal, aeronaves, instalações e outros equipamentos relacionados foram transferidos para a FAB.
A Força Aérea Brasileira obteve seu batismo de fogo durante a Segunda Guerra Mundial participando da guerra antissubmarino no Atlântico Sul e, na Europa, como integrante da Força Expedicionária Brasileira que lutou ao lado dos Aliados na frente italiana.
De acordo com o Flight International e do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, a FAB tem uma força ativa de 77 454 militares e opera em torno de 627 aeronaves, sendo a maior força aérea do hemisfério sul e a segunda na América, após a Força Aérea dos Estados Unidos.
O Exército Brasileiro foi o primeiro a demonstrar interesse em atividades aeronáuticas para fins militares. Sob a inspiração do Marechal Hermes da Fonseca, a força terrestre procurou desenvolver uma aerostação militar, para fins de reconhecimento de territórios. Porém, logo no primeiro voo de balão militar no Brasil, em 20 de maio de 1908, o tenente Juventino Fernandes da Fonseca veio a falecer em decorrência de um acidente, levando o Exército a desistir de prosseguir com seus planos de uso desse tipo de artefato. Os primeiros voos de aviões foram realizados no Brasil em 1910. No dia 14 de outubro de 1911, foi criado o "Aero-Club Brasileiro", com a participação de vários entusiastas, tanto civis como militares, tendo Alberto Santos Dumont como seu presidente honorário. O aeroclube organizou de imediato uma campanha nacional a fim de levantar fundos para permitir a fundação de uma escola de aviação. Essa iniciativa, no entanto, foi bastante prejudicada pelas dificuldades em se obter aviões, material de manutenção e, principalmente, instrutores de pilotagem e de mecânica aeronáutica. Frente aos avanços de outras Armadas, a Marinha do Brasil, por sua vez, resolve, em 1916, criar seu próprio serviço de aviação.
A criação da Força Aérea Real (Reino Unido) em 1918, da Força Aérea Italiana (Regia Aeronautica) e da Força Aérea da França durante a década de 1920, levou a ideia de unir o poder aéreo brasileiro sob a mesma organização. Juntamente com esses eventos, os estrategistas brasileiros também foram influenciados pelas teorias de Giulio Douhet, Billy Mitchell e Hugh Montague Trenchard.
Após o final da Primeira Guerra Mundial, as escolas de aviação brasileiras continuavam formando pilotos, porém em menor número, já que o orçamento era reduzido. Em 1921, o governo federal determinou a estruturação da defesa do litoral, com o estabelecimento de duas linhas, sendo uma pelo interior e outra ao longo da costa litorânea, ligando o Rio de Janeiro e a região sul do país. Já em 1922, foram criados as bases de operação da aviação naval no Rio de Janeiro (atual Base Aérea do Galeão) e em Santos (atual Base Aérea de Santos). No mesmo ano, foram criadas as primeiras bases de operação no sul do país, em Santa Maria (atual Base Aérea de Santa Maria) e em Alegrete, onde foi desativada pouco tempo depois.
A década de 1920 foi marcada por inúmeros movimentos de contestação à política oligárquica praticada pelo governo federal, fruto dos interesses políticos das classes dominadoras dos estados de São Paulo e Minas Gerais, além do revezamento na presidência da República com a política do café com leite, trouxe descontentamento aos demais estados brasileiros, principalmente aos militares. Com isso, surgiu um movimento denominado Tenentismo, o qual causou diversas rebeliões entre os militares de médio e alto escalão do Exército Brasileiro e da Marinha do Brasil.
O primeiro manifesto público para criar um serviço aéreo militar integrado surgiu em 1928, quando o então major do exército Lysias Augusto Rodrigues escreveu um artigo chamado Uma necessidade premente: o Ministério do Ar. Dois anos mais tarde, a Missão Militar Francesa, que estava auxiliando o Exército Brasileiro, deu os primeiros passos para organizar uma força aérea nacional. A ideia recebeu maior apoio quando um grupo de aviadores brasileiros vieram da Itália em 1934 e mostraram as vantagens de ter uma aviação militar unificada. Além disso, a Revolução Espanhola e os primeiros movimentos da Segunda Guerra Mundial no final dos anos 1930 mostraram a importância do poder aéreo para as estratégias militares.
Ambas as aviações militares brasileiras, na década de 1930, criaram correios aéreos. Em 12 de junho de 1931, o Curtiss Fledgling da Aviação Militar, pilotado pelos tenentes Casimiro Montenegro Filho e Nelson Freire Lavenère Wanderley, transportaram a primeira mala postal entre as cidades de Rio de Janeiro e São Paulo, onde enfrentaram diversas dificuldades, como um vento de frente, que reduziu a velocidade para 80 quilômetros por hora, aumentando a duração da viagem em duas horas. Ao chegarem a São Paulo, após cinco horas e meia de voo partindo do Campo dos Afonsos, já era noite e, com as luzes da cidade, foi impossível localizar o Aeroporto Campo de Marte, por isso eles aterrissaram na pista do Jockey Club da Mooca (atual Jockey Club de São Paulo). Em apenas seis meses de voos, as rotas já cobriam 1 731 quilômetros, e haviam sido transportados 340 kg de correspondência, além de formar 37 pilotos com experiência em voos de longa distância.
Um dos principais defensores do plano para criar uma força aérea independente foi o então presidente Getúlio Vargas. Ele organizou um grupo de estudos no início de 1940 e toda a estrutura do Ministério da Aeronáutica foi criada no final desse ano.
Em janeiro de 1941, os acontecimentos na Europa em decorrência da Segunda Guerra Mundial levaram o governo brasileiro a centralizar em um único comando as operações aéreas das Forças Armadas do Brasil, criando o Ministério da Aeronáutica, que foi fundado em 20 de janeiro de 1941 e o seu ramo militar foi inicialmente denominado como "Forças Aéreas Nacionais", alterado para "Força Aérea Brasileira" pelo decreto-lei nº 3 302, de 22 de maio de 1941.
Com a extinção das aviações militar e naval, a Força Aérea Brasileira herdou 430 aviões de 35 modelos diferentes, todos obsoletos, os quais não permitiriam confrontar potências da guerra, como a Alemanha e União Soviética, o Brasil adquiriu novas aeronaves dos Estados Unidos, através de um acordo de empréstimo e arrendamento, com os primeiros Curtiss P-36 Hawk chegando ao Brasil em 1942. No dia 22 de agosto de 1942, após vários navios brasileiros terem sido torpedeados e afundados, o Brasil declarou guerra a Alemanha e a Itália. Foram montados comboios navais e unidades aéreas da FAB e da Marinha dos Estados Unidos para patrulhar os mares brasileiros, para proteger o país da ameaça submarina alemã. Ao final de 1942, o governo brasileiro decidiu enviar unidades militares para lutar ao lado das nações aliadas na Europa. A Força Expedicionária Brasileira foi composta por setores de infantaria, unidades de artilharia e de um componente aéreo, formado pelo 1º Grupo de Aviação de Caça (1º GAvCA)|1º Grupo de Aviação de Caça e pela 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação (1ª ELO). Essas unidades chegaram à Itália em 1944 e lutaram juntamente ao Exército e Força Aérea dos Estados Unidos.
Pós-Segunda Guerra e Guerra Fria
Após a Grande Guerra, a FAB começou a voar com o caça a jato britânico Gloster Meteor. Os jatos foram comprados dos britânicos por 15 000 toneladas de algodão bruto, como o Brasil não tinha reservas em moeda estrangeira de sobra. O jato foi operado pela FAB até meados dos anos 1960, quando foi substituído pelo F-80C e TF-33A, que mais tarde foram substituídos pelos jatos MB-326, Mirage III e Northrop F-5.