A Força Aérea Israelense (português brasileiro) ou Força Aérea Israelita (português europeu) (FAI; em hebraico: זרוע האויר והחלל, transl. Zroa HaAvir VeHahalal, "Braço do Ar e Espaço", conhecido comumente como חיל האויר, transl. Hel HaAvir, "Força Aérea") é a força aérea das Forças de Defesa de Israel. O seu atual comandante-em-chefe é o aluf (major-general) Amir Eshel, e a força conta com aproximadamente 700 aeronaves. Ao longo dos anos, a FAI manteve superioridade aérea perante seus rivais, demonstrando um alto desempenho em combate.
A Força Aérea Israelense foi formada quando o Estado de Israel foi declarado, em 1948, e se encontrou sob ataque imediato. A organização que a antecedeu, Sherut Avir, era o braço aéreo do Haganá. O início humilde da FAI fez de suas primeiras vitórias aéreas particularmente impressionantes; as primeiras formações foram reunidas a partir de uma miscelânea de aeronaves civis recrutadas ou doadas, e convertidas para o uso militar. Diversos aviões de combate obsoletos (muitos deles ex-Luftwaffe), utilizados na Segunda Guerra Mundial, foram obtidos rapidamente, através das fontes mais variadas, para complementar esta frota. Durante muitos anos a espinha dorsal da FAI consistiu de 25 Avia S-199 (essencialmente Messerschmitt Bf 109s comprados da Tchecoslováquia) e 62 Spitfires LF Mk IXE. A criatividade e a utilização criteriosa de recursos foram os alicerces dos sucessos militares aéreos israelenses, em seu início, e não a tecnologia - que, à época, ainda era geralmente inferior à utilizada pelos adversários de Israel.
Durante a década de 1950 a França se tornou um dos principais fornecedores de aviões de guerra para Israel; porém as relações entre os dois países se deterioraram pouco antes da Guerra dos Seis Dias, quando a França declarou um embargo sobre a venda de armas para o país. Em resposta, a então-incipiente fabricante nacional de aeronaves, Israel Aircraft Industries (IAI) aumentou significantemente sua produção de armas e aviões (inicialmente baseando-se nos modelos franceses), e Israel acabou mudando para os Estados Unidos como seu principal fornecedor de material bélico.
Durante a Guerra dos Seis Dias, a Força Aérea Israelense obteve a supremacia aérea ao inutilizar a maior parte das forças aéreas inimigas no primeiro dia de combate. Em 5 de junho de 1967, na chamada Operação Foco, a FAI destruiu a maior parte da Força Aérea Egípcia enquanto seus aviões ainda estavam em solo. No fim do dia as forças aéreas síria e jordaniana também tinham sido seriamente danificadas. Os israelenses obtiveram um total de 451 vitórias aéreas, e perderam apenas 10 aeronaves.
No conflito que ficou conhecido como Guerra do Desgaste, a FAI passou a realizar combates diretos a outros aviões (dogfight) e a bombardear alvos estratégicos dentro do território inimigo. Algumas operações se destacaram:
11 de setembro de 1969: aviões da FAI derrubaram 12 caças egípcios
26 de setembro de 1969 - Operação Galo 53: helicópteros Super Frelon e Sikorsky CH-53 Yas'ur da FAI levam paraquedistas numa incursão para capturar e roubar um avançado radar P-12 soviético utilizado pelo Egito, próximo a Suez. Um helicóptero CH-53 carregou o radar, de 4 toneladas, amarrado sob ele.
7 de janeiro de 1970: a FAI começou a realizar ataques a alvos egípcios, forçando-os a interromper os ataques de artilharia e comandos realizados sobre as forças israelenses espalhadas a leste do Canal de Suez.
30 de julho de 1970: a FAI surpreendeu e derrubou cinco caças MiG-21 egípcios pilotados por soviéticos
Na Guerra do Yom Kipur, em outubro de 1973, a FAI sofreu baixas pesadas devido aos mísseis terra-ar soviéticos, porém pôde se reagrupar para auxiliar as tropas em terra das Forças de Defesa de Israel, e posteriormente bombardear alvos na Síria e no Egito. Uma das primeiras batalhas na frente aérea da guerra foi a Batalha Aérea de Ofra, que envolveu dois Phantoms israelenses contra 28 MiG-17 e MiG-21 egípcios, e que resultou com sete aviões egípcios derrubados e a debandada do resto. Helicópteros da FAI também revelaram-se extremamente úteis para os esforços de logística e evacuação médica. De acordo com Israel, durante aquela guerra, a FAI perdeu 102 aviões, enquanto a Força Aérea Egípcia perdeu 235 e a Força Aérea Síria perdeu 135 - embora estes números sejam contestados pelos governos destes países.
Logo após a Guerra do Yom Kipur, a maior parte dos aviões militares de Israel passaram a ser obtidos dos Estados Unidos. Entre eles estavam o F-4 Phantom II, A-4 Skyhawk, F-15 Eagle, E-2 Hawkeye, além de muitos outros.
A Força Aérea Israelense também desenvolveu diversos modelos próprios, como o IAI Nesher - e, posteriormente, o IAI Kfir, mais avançado - que eram derivações não-autorizadas do Dassault Mirage 5 francês (Israel comprou 50 Mirage 5 da Dassault Aviation, que não chegaram a ser entregues devido ao embargo imposto pelo governo da França durante a Guerra do Yom Kipur). O Kfir foi adaptado para utilizar um motor americano mais poderoso, produzido sob permissão em Israel. Em 1976 a FAI participou da missão de resgate conhecida como Operação Entebbe, em Uganda, usando os C-130 Hercules para transporte.
Durante as décadas de 1980 e 1990 a FAI foi equipada com diversas outras aeronaves americanas (F-16, AH-1 Cobra, AH-64 Apache, e o próprio C-130 Hercules).
Bombardeio do reator nuclear de Osiraq
Em 7 de junho de 1981 oito caças F-16A da Força Aérea Israelense, escoltados por seis jatos F-15A, realizaram a missão conhecida como Operação Ópera (também conhecida como Operação Babilônia ou Operação Ofra), para bombardear e destruir as instalações nucleares do Iraque, em Osiraq. Entre os pilotos que participaram do ataque estava o coronel Ilan Ramon, primeiro astronauta do país. Todas as aeronaves retornaram a Israel com muito pouco combustível.
Guerra do Líbano de 1982 e suas consequências
Durante a Guerra do Líbano de 1982, aviões da FAI destruíram muitas das defesas aéreas sírias (a maior parte deles na Operação Grilo-Toupeira 19) e derrubou 100 aviões sírios sem perder um caça sequer nos combates aéreos.
Durante a guerra helicópteros de ataque AH-1 Cobra da FAI destruíram dúzias de veículos blindados de combate sírios e outros alvos em solo, como tanques T-72.