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Formosa (Goiás)

Município brasileiro do estado de Goiás

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Formosa é um município brasileiro do estado de Goiás. Situa-se a 80 quilômetros de Brasília, e a 282 quilômetros de Goiânia. A população do município de Formosa, segundo censo de 2022 do IBGE, é de 115.901 habitantes.

Formosa surgiu em meados do século XVIII, quando Goiás pertencia à capitania de São Paulo.

Por conta da circulação de pessoas nessas terras, em fevereiro de 1736 instalou-se a Estação Fiscal do Registro da Lagoa Feia, por ordem do rei de Portugal, com o propósito de controlar as cobranças fiscais das mercadorias que por ali passavam, principalmente o ouro. Algum tempo depois, outro registro foi instalado a cerca de 90 km de onde fica a atual cidade de Formosa.

Próximo ao registro da Lagoa Feia, o território foi ocupado por moradores do Arraial de Santo Antônio do Itiquira, situado no vale do Paranã, que abandonaram seu povoado, considerado insalubre devido às "febres" que assolavam seus moradores (não se sabe se malária ou outra doença). Com medo da doença, tropeiros e comerciantes que vinham da Bahia e Minas Gerais acampavam na região onde hoje está localizada Formosa, evitando o Arraial de Santo Antônio do Itiquira.

O novo povoado foi batizado de Arraial dos Couros. A origem do nome é controversa. Alguns dizem que o nome é uma homenagem aos viajantes que acampavam no local em barracas de couro que eles traziam para comercializar. Contudo, Luiz Cruls, chefe da Comissão Exploradora do Planalto Central, criada em 1892 pela nascente República do Brasil com o objetivo de demarcar a futura capital federal, indica que o nome antigo de Formosa dava-se possivelmente pela quantidade de couro de animais silvestres comercializada pelos seus habitantes. Viajantes europeus, como Auguste de Saint-Hilarie e Emanuel Pohl, que cruzaram a província de Goiás na primeira metade do século XIX indicam grande comércio de couro pela comarca de Santa Luzia, atual Luziânia, à qual o Arraial de Couros era subordinado.

A criação do município de Formosa deu-se em 1 de agosto de 1843, com o nome de Vila Formosa da Imperatriz. Com o advento da República, passou a ser simplesmente Formosa.

Em 1877 passou por Vila Formosa da Imperatriz Francisco Adolfo de Varnhagen, o Visconde de Porto Seguro (1816-1878). O ilustre visitante, amigo do Imperador D. Pedro II, defendia desde 1849 que a capital do Brasil deveria ser interiorizada. Em 1877 Porto Seguro percorreu o interior das províncias de São Paulo, Goiás e Bahia, trabalho que culminou na idealização da interiorização da capital do Brasil. Ele visitou Formosa e a região entre as Lagoas Feia, Formosa e Mestre D’Armas (Lagoa Bonita), que indicou ser a mais propícia para a transferência da capital. De acordo com Freitas (2012) "foi à visita de Varnhagen que motivou seu amigo D. Pedro II, a elevar a então Vila Formosa da Imperatriz à cidade, foi também a partir desta visita que se cultivou em Formosa a certeza de que um dia a capital do Brasil chegaria à região”.

Contudo, a capital não chegou e até o início do século XX, Formosa guardou as feições de cidade pequena de interior. Durante as décadas de 1920 e 1930, a cidade viveu seu primeiro surto de crescimento urbano. cidade passa a sofrer intervenções mais profundas na paisagem, até então dominada pela natureza. A construção do “jardim centenário” – atual Praça Rui Barbosa (popularmente conhecida como praça do coreto), a urbanização mais extensa da cidade, com abertura e/ou alargamento de ruas e saneamento de brejos marcam esse momento.

A partir da década de 1950, com a efetivação da construção da capital federal, Brasília, há apenas 75 km de Formosa, aprofunda-se a urbanização, com a chegada do asfalto, a ocupação mais extensiva de brejos e outras regiões hidromórficas; explode o crescimento demográfico e tem início a derrubada de casarões e edificações mais simples dos séculos XIX e XX. Contudo, “até mais ou menos a década de 1970, a cidade manteve as suas características de cidade antiga”.

O parcelamento irregular do território, a especulação imobiliária e a grilagem, esta última extensamente denunciada em jornal da época da construção de Brasília, bem como a posterior regularização desses loteamentos por parte do poder público, transformaram a paisagem da cidade de Formosa, que passou por um processo deliberado e consciente de destruição e descaracterização de seu patrimônio material, histórico e ambiental.

A intensa migração, cujo polo de atração era Brasília, contribuiu para a rápida ocupação do território das nascentes da Lagoa Feia. A partir de 1970, inicia-se o êxodo rural, sobretudo a partir da formação de vilas, que passam a ocupar áreas periféricas da cidade. É emblemático o caso da desocupação da área do exército e consequente formação das Vilas Beneditina e Vicentina.

Em 1974, 1.297 proprietários de fazendas, chácaras e sítios, bem como seus familiares, agregados e arrendatários, que ocupavam uma área de 1.040km2 foram obrigados a entregarem ao Exército Brasileiro suas terras, para a criação de uma Área de Segurança Nacional, com vistas à proteção da nova capital federal. Noíde Vieira, em sensível relato sobre a experiência vivida, informa sobre a truculência, o desenraizamento cultural e social, o •aumento desordenado da população e inchaço das periferias que sobreveio com essa desocupação.

“Muitas famílias se acotovelavam em minúsculos barracos, erguidos às pressas. Viviam amontoadas, comendo as provisões que trouxeram de suas roças. Alguns ex-donos de terras nem chegaram a receber a indenização e se viram na mais absoluta pobreza e desamparo. […] Não tinham serviço. Só sabiam trabalhar nas roças: plantar, cuidar e colher. […] A miséria se alastrava […]” (VIEIRA, 2006, p. 91).

Parte dessas pessoas ocupou uma grande área periférica da cidade, duas vilas ainda hoje marcadas pela desigualdade social, pela violência e pelo descaso dos poderes públicos: a Vila Vicentina, atual Bairro São Vicente, e a Vila Beneditina, atual Bairro São Benedito.

Compõem o município quatro distritos: Formosa (sede), Bezerra, Santa Rosa e Juscelino Kubitschek.

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), referentes ao período de 1931 a 1967 e a partir de 1974, a menor temperatura registrada em Formosa foi de 3,9 °C em 18 de julho de 1975 e a maior atingiu 39 °C em 30 de novembro de 1961, seguido por 37,9 °C em 22 de outubro de 2015. O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 124,9 milímetros (mm) em 24 de dezembro de 1948. Outros acumulados iguais ou superiores a 100 mm foram: 124,6 mm em 1° de fevereiro de 1992, 110,3 mm em 17 de dezembro de 2008, 108,6 mm em 18 de novembro de 2012, 107,5 mm em 10 de novembro de 1933, 105,8 mm em 24 de dezembro de 1985, 105,6 mm em 2 de dezembro de 2004, 104,6 mm em 8 de março de 2018, 103,4 mm em 21 de outubro de 1955, 101 mm nos dias 24 de novembro de 1978 e 27 de novembro de 2011 e 100,7 mm em 25 de janeiro de 1947.

Valor adicionado bruto da agropecuária: R$ 58,777 milhões

Valor adicionado bruto da indústria: R$ 88,052 milhões

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