Neste Dia

Francis Gary Powers

Piloto de aviação americano (1929-1977)

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Francis Gary Powers (Jenkins, 17 de agosto de 1929 — Los Angeles, 1º de agosto de 1977) foi capitão da Força Aérea dos Estados Unidos. Era o Piloto norte-americano do avião espião da CIA U-2, abatido enquanto sobrevoava a União Soviética, em 1960, causando assim a "Crise do U-2".

Nasceu em Jenkins, Kentucky e cresceu em Pound, Virgínia, cidade na fronteira da Virgínia com Kentucky. Depois de graduar-se no Milligan College, Tennessee, Gary alistou-se na Força Aérea dos Estados Unidos, em 1950. Para completar seu treinamento (52-H) foi escalado para o 468º Esquadrão Estratégico de Combate na Base Aérea de Turner, Geórgia, pilotando um F-84 Thunderjet. Foi designado para operações na Guerra da Coreia, mas (de acordo com seu filho) foi recrutado pela CIA por causa de seu extraordinário trabalho com uma aeronave a jato com um único motor. Alçou o posto de Capitão da Aeronáutica em 1956, integrando-se ao programa U-2 da CIA.

Gary Powers morreu em um acidente de helicóptero em 1º de agosto de 1977, quando voava com um modelo Bell 206 Jet Ranger. A causa apontada foi falta de combustível, e sua queda ocorreu próximo de Encino. Antes do choque no solo, Gary Powers conseguiu desviar de uma área de lazer onde crianças estavam brincando, evitando uma tragédia ainda maior.

Incidente com avião U2 em 1960

A inteligência soviética, em especial a KGB, tinha tido conhecimento das missões do U-2 desde 1956, mas não tinham contra-medidas eficazes até 1960. O U-2 de Powers que partiu de uma base aérea militar em Peshawar no Paquistão pode ter recebido o apoio da Estação Aérea dos Estados Unidos em Badaber (Estação Aérea Peshawar), foi abatido por mísseis S-75 Dvina (SA-2 Surface to Air) em 1º de maio de 1960, sobre Sverdlovsk. Powers foi incapaz de ativar mecanismo de auto-destruição do avião antes que ter acionado seu paraquedas e foi capturado.

Quando o governo dos Estados Unidos soube do desaparecimento de Powers sobre a União Soviética, emitiu um comunicado afirmando que um "avião meteorológico" havia se desviado do curso e que seu piloto tinha "dificuldades com o seu equipamento de oxigênio." O que os funcionários da CIA não sabiam era que o avião caiu quase totalmente intacto e os soviéticos recuperaram seus equipamentos. Powers foi interrogado exaustivamente pela KGB durante meses antes de fazer uma confissão e um pedido de desculpas público por sua participação na espionagem.

Em 2010, documentos da CIA foram liberados, indicando que "altos funcionários norte-americanos nunca acreditaram no voo fatídico de Powers, pois parece contradizer diretamente um relatório da Agência de Segurança Nacional, a rede clandestina dos Estados Unidos de decifradores e postos de escuta. Um relatório da NSA permanece confidencial, possivelmente para poupar seus autores. Pois agora é possível juntar o que realmente aconteceu sobre Sverdlovsk em 1 de Maio de 1960 e para entender por que a agência de inteligência mais secreta dos Estados Unidos tem de tão errado". De acordo com o artigo citado, o relatório ainda confidencial da NSA (National Security Agency) está incorreto, baseado nos documentos da CIA que foram abertos e que mostram que o depoimento de Powers sobre ter sido atingido em ar estava correto.

Powers recebeu ordem para sobrevoar a URSS em Peshawar, Paquistão, no dia 1º de maio. Havia chegado ao local poucos dias antes, vindo num avião de carga de Adana, Turquia, onde sua seção estava baseada, com escala possivelmente em Bahrein.

Seu avião estava equipado com sete câmeras de grande ângulo, na parte inferior. Também tinha equipamentos para registrar sinais de radares, com uma carga tripla de explosivos, que o piloto podia detonar com um atraso, para ter tempo de ejetar-se. Além disso, ele leva apetrechos de piloto (macacão-escafandro, isolante, com oxigênio) e de espião (revólver com silenciador, 200 cartuchos, punhal, equipamentos de pesca, barco pneumático, mapa roteiro da URSS, sinalizador, lâmpada elétrica, duas bússolas, uma serra, rações alimentares, 7 500 rublos em notas, moedas de ouro e trocos, relógios, um pequeno cilindro dissimulado com gotas de veneno fulminante).

Os voos eram mais ou menos mensais. O voo de Powers no dia foi marcado para o dia 1º de maio por três razões: 1) previsão de bom tempo, o que não ocorreu; 2) a CIA descobrira que a URSS finalizara um novo foguete, que estaria na rampa de lançamento em Sverdlovsk; e 3) nesse dia a URSS festejava o Dia do Trabalho. No entanto, a Cúpula de Paris estava marcada para apenas duas semanas depois. Após isso, o avião de Gary é abatido pelos russos, e ainda assim ele não detona os explosivos, conseguindo sair da cabine antes de chegar ao chão.

Washington é alertada do sumiço do “Puppy 68”; Khruschev observa no desfile do 1º de Maio na Praça Vermelha, quando o ministro da Defesa, Mal. Malinovski, fala alguma coisa ao seu ouvido, e ele sorri. Após o anúncio do episódio, os soviéticos divulgam algumas imagens supostamente dos destroços do avião. O engenheiro Johnson, pai do U2, viu as fotos e negou que eles fossem do avião. E afirmou que, se os russos tinham o U2, não era porque o tinham abatido, mas porque ele sofrera pane e descera muito abaixo da altitude de cruzeiro.

A estratégia de divulgar imagens de outros destroços (na verdade de um Topolev 104) deu aos técnicos russos a chance de estudar com calma os destroços reais. Os destroços verdadeiros, ao lado dos apetrechos encontrados com Powers, foram exibidos numa exposição aberta no dia 11 de maio, no Parque Gorki. No mesmo lugar haviam sido expostos aviões alemães abatidos na Segunda Guerra Mundial, evocando entre os russos uma rejeição às artimanhas ocidentais.

[3 de maio] Um primeiro informe divulga que “Um avião monomotor da força aérea dos Estados Unidos, tripulado por um só homem, desapareceu hoje nas montanhas de difícil acesso no sudoeste da Turquia, não longe da fronteira soviética. Levantara voo para efetuar uma missão de meteorologia. O piloto assinalou que o equipamento de oxigênio funcionava mal. Três aparelhos prosseguem as pesquisas para encontrar o avião...”. Barbara Powers foi informada no dia anterior do desaparecimento do marido. Até aí o pessoal da CIA estava tranquilo, achando que o avião explodira ou que Powers negaria tudo, e tudo depois voltaria às boas. Enquanto os EUA tentam dar explicações confusas, por vários dias ignoram que Powers estava vivo e que havia inúmeros destroços inteiros. Isso se deu graças à habilidade de Khruschev, que vai ridicularizar os norte-americanos

[5 de maio] Acontece uma sessão do Soviete Supremo, para a qual Khruschev convidou os diplomatas ocidentais. Lá, ele anuncia duvidar das chances da cúpula de Paris de ter resultados, e declara que certos meios dos EUA contrariaram os esforços de Eisenhower pela paz com a violação das fronteiras por um avião abatido. E não revela mais nada. No mesmo dia, ainda sem saber sobre Powers e os destroços, o porta-voz dos EUA responde que um U2 sofreu pane de oxigênio e seguiu em piloto automático além da rota, entrando na URSS. A noite, o embaixador dos EUA em Moscou informa que há chance do piloto estar vivo, aconselhando prudência.

[6 de maio] O aviso do embaixador é ignorado. “Não há vontade deliberada, nenhuma, repito, de violar o espaço aéreo soviético, nem nunca houve!”, afirma o porta-voz do Departamento de Estado. A NASA vem a público explicar que o U2 só fotografava as nuvens, e que o avião estava pintado de azul. Nem a imprensa dos EUA acreditava muito: especialistas militares avaliam a história como inverossímil.

[7 de maio] Khruschev anuncia que Powers está vivo, que reconheceu ser sua missão recolher informações de militares e que trabalhava num serviço de informações. Fornece alguns pormenores sobre o avião, a queda, as fotografias tiradas. “Eis o que fazem os americanos antes da conferência de cúpula” (p. 98), critica ele. Ainda assim, ele se diz aberto a acreditar que Eisenhower não sabia das ações da CIA, e com isso dá a Eisenhower uma saída, ainda que isso significasse admitir ser cego às ações da CIA. No mesmo dia, uma declaração oficial informa que nenhuma autorização escrita foi dada por Washington para o voo do U2. Mas o Departamento de Estado é levado a reconhecer que os EUA se dedicam à espionagem. “Foi pensando no perigo de um ataque-surpresa que aviões como o U2 ... fizeram voos nas fronteiras do mundo livre ao longo dos últimos quatro anos”, afirmava o trecho de uma declaração. E lembram que em 1955 a URSS recusou uma proposta de “céu aberto” feita por Eisenhower. Khruschev fica satisfeito com essa resposta – mas por pouco tempo. Por outro lado, num encontro diplomático, o ministro de Negócios Estrangeiros dos EUA informa a Khruschev que os presidentes impõem diretrizes de segurança que incluem colher informações para a proteção dos EUA e do mundo livre, e que não havia mistério nisso

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