Francisco II (Fontainebleau, 19 de janeiro de 1544 – Orleães, 5 de dezembro de 1560), foi o Rei da França de julho de 1559 até sua morte. Foi também Rei-Consorte da Escócia a partir de 1558 por seu casamento com a rainha Maria Stuart.
Ele ascendeu ao trono francês com apenas quinze anos depois da morte acidental de seu pai Henrique II. Seu curto reinado foi dominado pelos primeiros sinais das Guerras Religiosas Francesas e a perda das possessões francesas da Córsega, Toscana, Saboia e quase todo o Piemonte, pelo Tratado de Cateau-Cambrésis.
Apesar da maioridade na França ter sido estabelecida como quatorze anos, sua mãe Catarina de Médici confiou o governo nas mãos dos parentes de Maria da Casa de Guise, grandes defensores do catolicismo. Eles não conseguiram ajudar os católicos na Escócia contra os reformistas protestantes e a Auld Alliance foi dissolvida.
Francis morreu devido a complicações decorrentes de uma otite, depois de 17 meses no trono, sem descendentes, sendo portanto sucedido por dois de seus irmãos, porém nenhum deles conseguiu diminuir a tensão entre os protestantes e os católicos.
Francisco era filho de Henrique II de França e Catarina de Médici, pertencendo, portanto à casa de Valois-Angoulême, e, sobretudo, um membro distante da Dinastia capetiana, que governou a França por mais de trezentos anos. O rei também possuía ligações com a Dinastia carolíngia, sendo um descendente direto de Carlos Magno de vinte e seis gerações. O nascimento de Francisco, aos 25 anos de idade do pai (considerada à época uma idade tardia para a criação do primogênito), ainda que incerta, é provável resultado da ira de sua mãe, Catarina em relação ao rei Henrique II, que exibia deliberadamente sua amante, Diana de Poitiers, muitas vezes, mais valorizada que a própria esposa.
Teve doze irmãos. Por ter morrido sem deixar herdeiros, dois de seus irmãos, Carlos IX e Henrique III o sucederam no trono francês, respectivamente. No entanto, uma das figuras mais eminentes em sua família foi seu cunhado, Henrique IV, marido de Margarida de Valois, irmã de Francisco. Henrique IV sucedeu Henrique III no trono, iniciando a linhagem dos Bourbon, que duraria até a Revolução Francesa.
Infância e educação (1544-1559)
Nascido onze anos após o casamento de seus pais, Francisco foi nomeado em homenagem à seu avô paterno, Francisco I. Foi criado no Castelo de Saint-Germain-en-Laye e batizado na Chapelle des Trinitaires de Fontainebleau, em 10 de Fevereiro de 1544. Seus padrinhos foram Francisco I (quem o condecorou cavaleiro durante a cerimônia), Papa Paulo III e sua tia-avó Margarita de Navarra. Ele virou governador de Languedoc em 1546 e Delfim da França em 1547, quando seu avô Francisco faleceu.
O mestre de Francisco foi Jean d`Humières e seu tutor Pierre Danès, um estudioso grego vindo de Nápoles. Também aprendeu dança com Virgilio Bracesco e esgrima com Hector de Mantua.
Seu pai, rei Henrique II arranjou um notório casamento para seu filho com Maria, a rainha dos escoceses, em 27 de Janeiro de 1548 (Acordo de Châtillon) quando Francisco tinha apenas quatro anos. Maria havia sido coroada Rainha dos Escoceses no Castelo de Stirling em 9 de setembro de 1543, nove meses após a morte de seu pai, Jaime V. Além de ser a rainha da Escócia, Maria era neta de Cláudio de Lorena, Duque de Guise, uma personalidade muito influente na corte francesa. Uma vez que o contrato de casamento foi formalmente ratificado, Maria foi Enviada para a França aos seis anos de idade para ser criada na corte até o dia do casamento. Embora Maria fosse alta e eloquente para sua idade, enquanto seu noivo Francisco era anormalmente pequeno e gago, Henrique II comentou que "desde o primeiro dia em que se conheceram, meu filho e ela ficaram bem juntos como se tivessem conhecido um ao outro por um longo tempo".
Em 24 de Abril de 1558, o Delfim se casou com a rainha Maria, união que poderia ter dado aos futuros reis da França o trono escocês e também a reivindicação do trono da Inglaterra, através do bisavô de sua esposa, o rei Henrique VII da Inglaterra. Francisco manteve o título de consorte da Escócia até a sua morte. Francisco e Maria não tiveram filhos durante todo seu curto casamento, provavelmente pelas doenças do rei ou sua criptorquia.
Em 10 de julho de 1559, Henrique II morre num acidente de torneio, deixando o trono para Francis, à época com quinze anos de idade e um ano de casado. Em 21 de setembro de 1559, Francisco foi coroado em Reims por seu tio Carlos, cardeal de Lorena. A coroa teve que ser carregada pelos nobres durante a cerimônia, devido ao seu considerável peso. A corte assim mudou-se para o Vale do Loire, tornando o Château de Blois e as florestas próximas a casa do novo rei. Francisco II utilizou o Sol como seu emblema, também adotando as frases "Spectanda fides" (Eis como deve ser respeitada a fé) e "Lumen rectis" (Luz para os justos) como lemas.
Tendo quinze anos, Francisco não precisaria de um regente, de acordo com as leis francesas, mas devido à sua saúde frágil e inexperiência com questões políticas, o poder foi delegado aos tios de sua esposa da Casa de Guise: Francisco, Duque de Guise e Carlos, cardeal de Lorena, com o consentimento de sua mãe, Catarina de Médici, Em seu primeiro dia de reinado, Francisco instruiu seus quatro ministros a obedecerem ordens de sua mãe, mas como Catarina ainda estava de luto pela morte do marido, eles foram transferidos para a casa de Guise.
Os dois irmãos mais velhos da casa de Guise já possuíam grande prestígio político, por suas atuações durante o reinado de Henrique II. Francisco, duque de Guise era um dos mais famosos comandantes do exército real, e Carlos, Cardeal de Lorena participara de importantes negociações externas com a França. Durante o período regencial de Francisco II, o poder foi dividido entre os dois irmãos, ficando Francisco, duque de Guise como comandante das forças armadas e Carlos, responsável pelas finanças, justiça e diplomacia.
A ascensão da casa de Guise ao poder contribuiu para a decadência de sua antiga rival, Anne de Montmorency, condestável da França. Por sugestão do novo rei, Anne foi obrigada a abdicar de seus títulos e abandonar a corte para descansar. Diana de Poitiers, amante do rei anterior, também foi impedida de entrar na corte. Jean Bertrand, um protegido de Diana, foi forçado a entregar seu título de guardião dos selos da França para François Olivier, de quem Diana havia retirado a posição alguns anos antes. A posse de Francisco II marcou uma revolução palaciana.
A transição foi descrita como brutal. No entanto, não houve quaisquer represálias ou rebeliões significativas, pois, apesar da frustração do condestável, Anne permaneceu ligado ao poder, estando presente tanto na reunião do conselho quanto na coroação real. Mais tarde, Anne auxiliou o rei na repressão da Conjuração de Amboise, comunicando ao parlamento francês as decisões tomadas por Francisco. Em julho de 1560, Anne retorna ao conselho e tribunal, porém, de forma muito menos expressiva do que antes, pois, quando os Guise assumiram o poder, foram-lhes concedidos inúmeros títulos e favores, incluindo o de Grão-Mestre, até então pertencente ao filho de Anne, François de Montmorency.
O reinado de Francisco foi marcado por avenças religiosas. Utilizando de controversas políticas repressivas aos protestantes, o rei motivou a conjuração de Amboise, cujos líderes tentaram um golpe de estado contra o monarca e a casa de Guise. Percebendo a instabilidade política, Catarina de Médici influenciou o filho a tomar medidas de conciliação com os protestantes, todas sem qualquer sucesso. Até o final de seu reinado, Francisco II foi completamente paralisado pelas revoltas locais, o que tornou o rei ainda mais autoritário.
Descontentamento com o governo de Guise