Neste Dia

Frans Post

Pintor neerlandês

Anúncio

Frans Janszoon Post (Leyden, 1612 — Haarlem, 17 de fevereiro de 1680) foi um pintor neerlandês. Atuou durante O Século de Ouro nos Países Baixos, e foi o primeiro artista a pintar panoramas nas Américas.

Junto com Albert Eckhout, é considerado um importante artista holandês a serviço de Nassau na comitiva que o acompanhou ao Nordeste do Brasil em meados do século XVII.

.Pouco se sabe sobre a vida de Frans Post. A principal fonte de informação é a obra "Groote Schouburgh der Konstschildeus em Schilderessen" (1719) de Arnold Houbraken. Esta, por sua vez, foi baseada em diversas biografias, registros de corporações e igrejas, e também anedotas e episódios de pintores neerlandeses da época em que viviam nos Países Baixos em fins do século XVII, com quem teve contato pessoal. O que apareceu nos léxicos de artistas de Immerzeel a Thieme-Becker sobre Post é repetição das magras informações de Houbraker. A contribuição de Thieme-Becker foi ter juntado alguns dados novos e trazido uma lista mais extensa de quadros.

Frans Post, o terceiro filho do casal Jan Janszoon Post e Francyntie Peters, nasceu em 1612 em Leyden, nos Países Baixos. Seu pai e mãe eram provenientes de Leyden. Casaram-se em 1604 e mudaram-se para Haarlem onde Jan Jansz pintava vitrais. O primogênito do casal foi Pieter, nascido em 1608. O segundo é Anthoni, de 1610 e a última Johanna, que nascera pouco antes do pai falecer, em novembro de 1614. Sua mãe casou-se novamente em 1620 com Harman van Warden, que foi mau marido e abandonou o lar pouco depois. Que escolas o jovem Frans freqüentou e com quem aprendeu a pintar não se sabe. Segundo Houbraken, dedicou-se à profissão do pai até a partida para o Brasil, devido ao convite feito a ele para retratar o país.

Das suas atividades no Brasil, o mais importante depoimento é, contudo, o livro famoso para o qual Frans desenhou numerosas vistas de portos e fortificações, do Maranhão à Bahia. Embora datados de 1645, ou seja, depois do seu regresso à Europa, mostram tal segurança e exatidão topográfica que deixam bem claro terem sido copiados de telas ou esboços feitos d’après nature.

Durante a sua estadia no Brasil só existem sete quadros. São as vistas de Itamaracá, de Porto Calvo, do Forte dos Reis Magos, do rio São Francisco, da ilha de Antônio Vaz e A vista da Igreja de São Cosme e São Damião em Igarassu, pintados do natural. Um oitavo e mencionado em catálogos de leilões do século XVIII, correspondendo à prancha do Palácio das Torres. Seria estranho que durante sete anos não tivesse Post produzido mais.

Em julho de 1644 estava de volta a Haarlem, fixando-se em Smeetstraat. Casou-se no dia 27 de março de 1650, na Igreja de Sandvoort, com Jannetye Bogaret, também de Haarlem, residente em Koninckstraat, filha do professor Salomon Bogaert. Faleceu Jannetye a 7 de agosto de 1664, deixando-lhe três filhos: Anthoni, Jan e Rachel. Post morreu em 18 de fevereiro de 1680 e foi enterrado no Groote-Kerk de Haarlem.

A pintura de gênero (pintura de genre), holandesa por excelência, romana da arte da iluminura e das gravuras góticas em madeira. Daí herdar sua escala reduzida e ingênua minuciosodade, quando transposta para o óleo. Também a escola paisagista descende da mesma arte miniaturista, tal como a flamenga sua vizinha, que a precedeu, representada pelos Brueghel e seus corifeus, mas da qual se emanciparia, no século XVII, brusca e triunfalmente. Não houve, pode-se dizer, primitivos nos Países Baixos. De uns raros praticantes, incluídos, aliás, entre os flamengos, desabrocha de uma feita a arte neerlandesa, à sua plenitude e firma o seu caráter fortemente nacional.

Sobravam-lhe, sem dúvida, elementos para essa pronta autonomia. Conquistada a sua independência contra a tirania espanhola, com uma inclinação, toda protestante, para as artes domésticas, toma o neerlandês o seu país por assunto e dedica-se de corpo e alma à pintura.

Ao passo que na iluminura a paisagem era apenas um acessório, pano de fundo para as cenas representadas, sem vida ou significado próprio, a observação dos céus nublados, o jogo do claro-escuro, tornaram-se o principal tema do artista, que assim adquiria um instrumento mais apto a exprimir-lhe as emoções, ao reproduzir na tela os campos e moinhos, as barcas bojudas que povoam os rios, as harmonias que os seus olhos surpreendiam nos crepúsculos primaveris ou de inverno. É na obra de Vroom que primeiro assistimos a essa transição do céu límpido da iluminura para céus mais realísticos de quem observa a natureza.

A parte vital, por assim dizer, da paisagem neerlandesa foi a percepção que ela teve do efeito do céu sobre o mar e sobre a terra e da inter-relação da luz com as nuvens, que lhe imprime a sensação de fluidez e de movimento incessante.

Dos cento e poucos quadros de Post, até agora conhecidos, trinta e dois são assinados e datados, e quarenta, apenas assinados. Pelos primeiros é possível acompanhar a evolução do artista.

As datas limites são 1633 - quando Post tinha 21 anos - e 1669, em que contava 57, dentro todas do grande século da pintura neerlandesa e particularmente, da escola de Haarlem.

Poucos quadros são a este atribuídos anteriores à sua partida para o Brasil. De certo, só se conhece, assinada e datada de 1633, uma paisagem rural neerlandesa, que revela desde logo as qualidades que marcarão a sua obra: observação exata, sentido da composição e sobriedade do colorido.

Quando isolado dos seus contemporâneos, fiel embora às linhas mestras da pintura neerlandesa - o sentimento do espaço e a preponderância do céu - Post, em plena mocidade, deixa-se dominar pela novidade do ambiente. Transportado de chofre para uma paisagem virgem, tal como o seu companheiro Eckhout, impressiona-se com o cenário, aplica toda a sua probidade a fixar objetivamente na tela, os aspectos inéditos dos trópicos. Destaca, com rigoroso desenho, os coqueiros e mamoeiros, as plantas caprichosas, os bichos estranhos, todo um mundo de sensações novas que excitam a sua curiosidade dos temas, o tratamento minucioso das árvores, a ingenuidade e o caráter curiosamente moderno.

De regresso a Haarlem, Post trabalhou na instalação da obra histórica de Caspar Barlaeus. Terá sido essa honrosa incumbência, qual a de elaborar trinta e tantos desenhos, ocupando-o durante o ano de 1645, que firmou a sua vocação de especialista em paisagens brasileiros, na qual se comprazia toda a vida.

A partir da entrada para o Gilde, a maneira de Post transformou-se. A composição permanece a mesma, mas o repossuir do primeiro avoluma-se em tufos espessos, povoados de animais e salpicados de notas exóticas - pássaros ou gravatás - um arranjo de cenário, em que sobressai de mulado, a palmeira ou o mamoeiro, para acentuar a cor local e a autenticidade. Emprega uma grama mais variada de tons. Concentra a luz sobre o fundo da paisagem. As figuras, em escala menor, perdem a rigidez contrafeita, espalhando-se pelo quadro, indicadas com pinceladas rápidas e nervosas, como os perfis das palmeiras que se esfumam contra horizontes mais luminosos. O que a sua obra perde em originalidade e força, ao amaneirar-se deste modo, ganha em mestria e virtuosismo.

Com preocupação bem neerlandesa de retratar a fisionomia do país e, graças a uma invejável memória visual, executa anos a fio, na calma de seu atelier, variações nostálgicas sobre motivos colhidos in loco. Transpõe e combina esses elementos ao léo da sua fantasia. Constituído o estoque de fórmulas, modifica-se à vontade, mas os quadros filiam-se uns aos outros, repetem-se a miúde, processo comum aos paisagistas neerlandeses, haja vista os inúmeros moinhos de Hobbema, as cascatas de Ruisdael. Sob esse aspecto, sua obra apresenta mesmo uma variedade que não é frequente entre os pintores de todas as épocas.

Anúncio

Em breve no aplicativo World in Stories

Áudio, download offline, sem anúncios e muito mais.

Conhecer Premium
Frans Post | World in Stories