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Frederico II do Sacro Império Romano-Germânico

Frederico II (Jesi, 26 de dezembro de 1194 – Torremaggiore, 13 de dezembro de 1250) foi Imperador do Sacro Império Roman

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Frederico II (Jesi, 26 de dezembro de 1194 – Torremaggiore, 13 de dezembro de 1250) foi Imperador do Sacro Império Romano e Rei da Itália de 1220 até sua morte, além de Rei da Sicília a partir de 1198 e Rei de Jerusalém entre 1225 e 1228 em direito de sua esposa a rainha Isabel II. Era filho do imperador Henrique VI e sua esposa a rainha Constança da Sicília.

Esteve em luta quase constante com os Estados Papais e, apesar de excomungado duas vezes, tomou parte na Sexta Cruzada, que conduziu como diplomata e não como guerreiro. Inocêncio IV destituiu-o no Concílio de Lyon. O papa Gregório IX chegou a chamá-lo de Anticristo e, provavelmente por isto, quando morreu, surgiu a ideia de que ele voltaria a reinar de novo em mil anos.

Fluente em latim, grego, árabe e várias outras línguas, ele se cercou de acadêmicos, cientistas e filósofos de origem cristã, muçulmana e judaica. Sua corte na Sicília era notoriamente tolerante e vibrante, onde as ideias fluíam com mais liberdade do que na maior parte da Europa medieval, o que gerou oposição do Papado. Seu complexo legado político e cultural atrai debates acirrados e fascínio até hoje.

Com a morte do imperador Henrique VI, sua esposa Constança da Sicília, que era por direito próprio rainha da Sicília, mandou coroar rei seu filho Frederico, ficando como regente. Em nome de Frederico, dissolveu os laços da Sicília com o império e dispensou os conselheiros alemães, renunciando ao trono da Germânia. Depois da morte de Constança, em 1198, o papa Inocêncio III sucedeu-lhe como guardião de Frederico até à sua maioridade e assegurou a sua educação formal em Roma.

Otão IV tinha sido coroado Imperador do Sacro Império Romano por Inocêncio III em 1209 mas, em setembro de 1211, na Dieta de Nuremberga, Frederico foi eleito in absentia Rei da Germânia por uma facção rebelde apoiada por Inocêncio, que tinha entrado em choque pela forma como Otão o excomungara.

Frederico foi formalmente eleito em 1212 e coroado a 9 de dezembro, em Mogúncia. Uma terceira cerimónia de coroação teve lugar a 23 de julho de 1215 em Aachen, a do título de Rei da Germânia, que era tradicionalmente precursor do de imperador. Ele foi ainda pretendente ao título de Rei dos Romanos desde 1212, o qual assumiu sem oposição a partir de 1215.

A autoridade de Frederico era, contudo, ténue até à Batalha de Bouvines, em 1214, sendo ele reconhecido apenas no sul da Germânia, enquanto que no norte, centro da dinastia dos Guelfos, enquanto que Otão continuava com as rédeas do poder real e imperial, apesar de excomungado. A decisiva derrota de Otão em Bouvines fez-lhe perder o poder e ele retirou-se para as terras hereditárias dos Guelfos, para vir a morrer, praticamente sem apoiantes, em 1218.

No entanto, só passados cinco anos, depois de demoradas negociações entre Frederico, Inocêncio III e o Honório III, que lhe sucedeu depois da sua morte em 1216, é que Frederico foi finalmente coroado imperador, em Roma a 22 de novembro de 1220. Nessa mesma ocasião, o seu filho mais velho Henrique tomou o título de Rei dos Romanos.

Ao contrário da maioria dos imperadores do Sacro Império, Frederico II passou pouco tempo na Germânia. Por essa razão, ele promulgou, em 1220, o Tratado com os príncipes da Igreja (Confoederatio cum principibus ecclesiasticis), através do qual dava aos bispos da Germânia poder secular, em troca do seu apoio à coroação de seu filho Henrique, como Rei da Germânia, assegurando assim o domínio daquela parte do império.

Depois da coroação, passou os dias ora na Sicília ora em cruzadas até 1236, quando fez a sua última viagem à Germânia. Voltou à Itália em 1237 e aí permaneceu durante os restantes treze anos da sua vida, representado na Germânia pelo seu filho Conrado.

No Reino da Sicília, continuou a reforma das leis iniciada em 1146 pelo seu avô Rogério II. Ele promulgou a Constituição de Melfi (em 1231, também conhecida como Liber Augustalis), uma coleção de leis que foram fonte de inspiração por muito tempo e se tornaram num precedente para o primado das leis escritas. Com relativamente poucas modificações, o Liber Augustalis continuou a ser a base das leis Sicilianas até 1819. Ele tornou o Reino da Sicília numa monarquia absoluta, sendo o primeiro estado centralizado da Europa a emergir do feudalismo.

Durante o seu reinado foram construídos o Castel del Monte e, em 1224, a Universidade de Nápoles, atualmente chamada Università Federico II, que permaneceu como o único atheneum do sul da Itália durante séculos.

Em 1226, por meio da Bula Dourada de Rimini, confirmou a legitimidade da administração das terras da Prússia a leste do rio Vístula pelos cavaleiros da Ordem Teutónica, comandados por Hermann von Salza

Ao contrário de muitos monarcas do seu tempo, muitas vezes analfabetos, sabia expressar-se em nove línguas e correspondia-se por escrito em sete. Era um dirigente moderno, patrono das ciências e das artes: um dos seus conselheiros era o famoso astrólogo Guido Bonatti de Forlì. Tinha ideias avançadas sobre economia, abolindo monopólios estatais, tarifas internas e reformando os regulamentos de importação do Sacro Império Romano-Germânico. Tudo isto estaria provavelmente relacionado com o tempo passado na corte de Palermo, onde influências árabes, germânicas, latinas, bizantinas, normandas, provençais e meso-judias se miscigenavam.

Foi mestre da Escola Siciliana de poesia, da qual emergiram, a partir de cerca de 1220, as primeiras formas literárias numa língua ítalo-românica, a língua siciliana, o que representou um corte no uso da língua toscana, que tinha sido a língua franca preferida na Itália durante pelo menos um século.

Ficaria conhecido como Stupor mundi ("a maravilha do mundo") e escreveu (ou reescreveu) um manual sobre a arte da falcoaria, De arte venandi cum avibus ("Da arte de caçar com aves"), do qual subsistem muitas cópias ilustradas dos séculos XIII e XIV.

Campanhas políticas e militares de Frederico II

Apesar de temporariamente em paz com o papado, Frederico II não deixou de ter problemas com os príncipes germânicos. Em 1231, o seu filho Henrique proclamou-se rei e aliou-se com a Liga Lombarda contra o seu pai. A rebelião falhou, Henrique foi preso e substituído no seu título real pelo seu irmão Conrado, que já tinha o título de Rei de Jerusalém. Frederico venceu a decisiva batalha de Cortenuova contra a Liga Lombarda em 1237 e celebrou-a de forma triunfal em Cremona, à maneira dos antigos imperadores romanos. Rejeitou as propostas de paz, mesmo do Ducado de Milão, que tinha oferecido uma grande soma em dinheiro. Esta exigência por uma rendição total levou à resistência por parte de Milão, Bréscia, Bolonha e Placência e, em outubro de 1238, ele foi forçado a fazer o cerco de Brescia, durante o qual os seus inimigos tentaram capturá-lo, em vão.

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