Johann Christian Friedrich Hölderlin (Lauffen am Neckar, 20 de março de 1770 — Tübingen, 7 de junho de 1843) foi um poeta lírico, romancista e filósofo alemão. Descrito por Norbert von Hellingrath como "o mais alemão dos alemães", Hölderlin é considerado uma das maiores vozes da língua alemã e figura central do Romantismo alemão. Sua obra não se enquadra nem no Classicismo de Weimar nem no Romantismo convencional, situando-se em um espaço singular entre as duas correntes.
Ao lado de Georg Wilhelm Friedrich Hegel e Friedrich Wilhelm Joseph Schelling, com quem estudou na Tübinger Stift, exerceu influência decisiva no desenvolvimento do idealismo alemão. Martin Heidegger, que dedicou a Hölderlin alguns de seus ensaios mais importantes, afirmou: "Hölderlin é um dos nossos maiores, isto é, dos mais urgentes pensadores, porque é o nosso maior poeta."
Friedrich Hölderlin nasceu em Lauffen am Neckar, então parte do Ducado de Württemberg. Era filho de Heinrich Friedrich Hölderlin (1736–1772), administrador das terras de um monastério, e de Johanna Christiana Hölderlin, nascida Heyn (1748–1828), proveniente de uma família de pastores protestantes württembergueses. Seu pai faleceu de um derrame quando Friedrich tinha apenas dois anos. Em 1774, sua mãe mudou a família para Nürtingen ao se casar com Johann Christoph Gok, comerciante de vinhos e posteriormente prefeito da cidade. Gok também faleceu prematuramente, em 1779.
Em Nürtingen frequentou a escola latina entre 1776 e 1784, recebendo aulas de piano e flauta. Em 1784, entrou na escola monástica de Denkendorf, onde descobriu a poesia de Friedrich Schiller e Friedrich Gottlieb Klopstock e deu os primeiros passos na composição de seus próprios versos.
Em outubro de 1788, Hölderlin iniciou os estudos de Teologia na Universidade de Tübingen, como bolsista da Tübinger Stift. Lá travou amizade com Hegel e Schelling, com quem compartilhou o entusiasmo pela Revolução Francesa. Embora tenha rejeitado a violência do Terror, seu compromisso com os princípios de 1789 permaneceu intenso e influenciou obras como Hyperion e A Morte de Empédocles.
Concluiu o curso em 1793, mas recusou-se a seguir a carreira clerical, passando a trabalhar como preceptor em casas de famílias abastadas.
Em 1794, frequentou a Universidade de Jena para assistir às aulas de Johann Gottlieb Fichte, onde conheceu Johann Wolfgang von Goethe, Friedrich Schiller, Novalis e Isaac von Sinclair.
Em 1796, tornou-se preceptor na casa do banqueiro Jakob Friedrich Gontard, em Frankfurt am Main. Ali conheceu Susette Gontard (1769–1802), esposa do empregador, que se tornaria seu grande amor e a inspiração para a personagem Diotima no romance Hyperion. Quando Gontard descobriu o relacionamento, Hölderlin foi demitido abruptamente em setembro de 1798 e refugiou-se em Bad Homburg vor der Höhe, na casa de Sinclair.
No final da década de 1790, Hölderlin começou a dar sinais crescentes de sofrimento psíquico, então diagnosticado como "hipocondria grave", condição que pioraria após seu último encontro com Susette Gontard em 1800. Em 1802, ao retornar de Bordeaux, soube da morte de Susette, falecida de rubéola em Frankfurt em 22 de junho daquele ano.
Em 11 de setembro de 1806, foi levado à força para a clínica universitária de Tübingen, dirigida pelo Dr. Johann Heinrich Ferdinand von Autenrieth. Ali permaneceu internado por 231 dias. O poeta Justinus Kerner, então estudante de medicina, foi designado para acompanhar seu caso. Em 1807, declarado "incurável", foi acolhido pelo marceneiro Ernst Zimmer, admirador de Hyperion, que lhe cedeu um quarto em uma torre às margens do rio Neckar, posteriormente chamada de Hölderlinturm.
Hölderlin viveu ali pelos 36 anos seguintes, cuidado pela família Zimmer. Continuou a escrever poemas que assinava com pseudônimos como "Scardanelli" e datava com anos fictícios. Morreu em 7 de junho de 1843, com 73 anos.
Hyperion ou O Eremita na Grécia é o único romance de Hölderlin, publicado em dois volumes em 1797 e 1799. É considerado "a mais lírica de todas as obras em prosa alemãs". Narrado sob a forma de cartas retrospectivas do protagonista Hyperion a seu amigo alemão Bellarmin, o romance situa-se na Grécia do século XVIII. A personagem Diotima é inspirada na Diotima do Banquete de Platão e, a partir de 1796, modelada em Susette Gontard. O segundo volume foi dedicado a ela com as palavras: Wem sonst als Dir ("A quem mais, senão a ti").
Entre o final de 1797 e a primavera de 1800, Hölderlin trabalhou no drama A Morte de Empédocles, do qual chegaram três versões fragmentárias, nenhuma concluída. A obra trata dos últimos dias do filósofo grego Empédocles, com a Revolução Francesa como pano de fundo histórico implícito.
Hölderlin privilegiou as formas elevadas da poesia: o hino, a ode e a elegia. Os primeiros poemas são marcados pelo pietismo suábio e pela influência de Klopstock e do jovem Schiller. Os hinos tübinguenses (1790–1793) celebram os ideais da Revolução Francesa com ênfase idealista e abstrata. A fase frankfurtiana (1796–1798) é dominada pela ode, em que Hölderlin expressou uma visão de mundo panteísta influenciada por Spinoza e pela filosofia da natureza de Rousseau.
Os grandes hinos tardios (1800–1806) constituem o ponto mais alto de sua obra e a base de sua fama no século XX. Escritos em ritmos livres à maneira dos hinos pindáricos, incluem poemas como Der Archipelagus, Brot und Wein, Patmos e Mnemosyne. Neles, Hölderlin busca fundir o mundo mítico grego com o Cristianismo, entendendo os deuses gregos e Cristo como manifestações sucessivas do divino. Durante os anos na torre, escreveu poemas de grande simplicidade formal que a pesquisa contemporânea considera obras de arte autônomas e intencionais.
Em 1804, Hölderlin publicou traduções das tragédias Antígona e Édipo Tirano de Sófocles, reunidas sob o título Tragédias de Sófocles. Recebidas com escárnio pelos contemporâneos, foram reabilitadas no século XX como modelo de tradução poética que torna visível a alteridade do texto grego. Bertolt Brecht baseou sua adaptação da Antígona diretamente na versão de Hölderlin.
A importância filosófica de Hölderlin, reconhecida plenamente apenas a partir dos anos 1970, reside em sua crítica ao sistema de Fichte e em seu conceito de Ser como unidade anterior a qualquer separação entre sujeito e objeto. No ensaio fragmentário Urteil und Sein, Hölderlin argumenta que o "eu" fichtiano já pressupõe uma cisão e não pode ser o princípio absoluto da filosofia. Sua posição influenciou decisivamente Hegel e Schelling. Especula-se que o manuscrito O Mais Antigo Sistema do Idealismo Alemão, encontrado na caligrafia de Hegel, possa ter sido escrito ou inspirado por Hölderlin.
A natureza do colapso mental de Hölderlin é um dos debates mais duradouros da história literária e psiquiátrica alemã. Em 1909, Wilhelm Lange publicou o estudo Hölderlin: Uma Patografia, diagnosticando retroativamente esquizofrenia a partir de maio de 1801 e classificando os escritos posteriores como "sem sentido".