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Friedrich Spee

Professor académico alemão

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Friedrich Spee (Düsseldorf, 25 de fevereiro de 1591 — Trier, 9 de agosto de 1635) foi um jesuíta e poeta alemão conhecido pela crítica ao processo inquisitório adotado nos julgamentos de bruxaria. Na sua época Spee foi a primeira pessoa a levantar voz e argumentar contra a tortura. Pode-se considerá-lo o primeiro a demonstrar por bons argumentos que a tortura não é um meio de obter a "verdade" de alguém submetido a um interrogatório penoso.

Spee nasceu em Kaiserswerth, na cidade de Düsseldorf. Completou sua educação básica em Colônia, ingressou na Companhia de Jesus em 1610 e deu sequência aos seus estudos e à docência nas cidades de Trier, Fulda, Würzburg, Speyer, Worms e Mogúncia. Foi ordenado padre em 1622 e tornou-se professor da Universidade de Paderborn em 1624; desde 1626 lecionou em Speyer, Wesel, Trier e Colônia e foi pregador em Paderborn, Colônia e Hildesheim.

Spee ouviu as confissões das pessoas acusadas de bruxaria na cidade alemã de Wurtzburgo e em 1631 publicou o livro Cautio criminalis, em que desconstrói os procedimentos de julgamento. Morreu vítima de uma infecção contraída num hospital.

Cautio Criminalis traz 52 questões que Spee tenta responder. Eis alguns trechos de seu livro:

1 - Inacreditavelmente, entre nós, alemães, e especialmente (tenho vergonha de dizer) entre os católicos, existem superstições populares, inveja, calúnias, difamações, insinuações e coisas do gênero, que, sem ser punidas nem refutadas, provocam suspeitas de bruxaria. Já não é Deus, nem a natureza, mas são as bruxas as responsáveis por tudo.

2 - Por isso, ergue-se um clamor da população para que os magistrados investiguem as bruxas - a quem só os mexericos populares tornaram tão numerosas.

10 - No entanto, para evitar a impressão de que ela é indiciada unicamente com base em rumores, sem outras provas, obtém-se certa presunção de culpa propondo-se o seguinte dilema: ou ela levou uma vida imprópria e má, ou ela levou uma vida apropriada e boa. Se foi uma vida má, deve ser culpada. Por outro lado, se levou uma vida boa, isso é igualmente condenador; pois bruxas disfarçam e tentam parecer especialmente virtuosas.

11 - Assim, a velha é encarcerada na prisão. Encontra-se uma nova prova por meio de um segundo dilema: ela tem medo ou não. Se está com medo (ouvindo falar das torturas horríveis empregadas contras as bruxas), isso é uma prova segura, pois a sua consciência a acusa. Se não demonstra medo (confiando na sua inocência), isso também é uma prova, pois as bruxas caracteristicamente fingem inocência e são descaradas.

15 - Nesses julgamentos, ninguém tem permissão para ter advogado ou outro meio de defesa justa (...)

26 - Se, durante a tortura, a velha contorce as feições de dor, dizem que ela está rindo; se desmaia, é que está dormindo ou enfeitiçou a si própria, tornando-se taciturna (...)

28 - Entretanto, se ela morre de tanta tortura, eles dizem que o diabo quebrou seu pescoço.

Hermann Cardauns (1913). «Friedrich Von Spee». In: Herbermann, Charles. Enciclopédia Católica (em inglês). Nova Iorque: Robert Appleton Company

Literatura de e sobre Friedrich Spee (em alemão) no catálogo da Biblioteca Nacional da Alemanha

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