A Fronda, ou as Frondas (em francês: Fronde), foi uma série de guerras civis ocorridas na França entre 1648 e 1653 — concomitantemente à Guerra Franco-Espanhola (1635-1659), e alguns anos após a Guerra dos Trinta Anos — em que a monarquia se viu diante de uma série conflitos contrários a ela partindo de diversos segmentos da sociedade.
O período é caracterizado pela ascensão da autoridade monárquica com Henrique IV e Luís XIII, fortalecida pela figura de Richelieu, ministro de Luís XIII e criador do absolutismo real. O período de Regência, que ocorreu após as mortes de Richelieu, em 1642, e de Luís XIII em 1643, foi marcado pelo enfraquecimento do poder real simultaneamente às dificuldades financeiras e fiscais geradas para manter a Guerra dos Trinta Anos. Do mesmo modo, o sentimento de vingança amadureceu nos homens do reino que se mantiveram diante da autoridade de Richelieu, concebendo neste cenário uma associação de múltiplas oposições: parlamentarista, aristocrática e popular. As Frondas podem ser vistas como um dos maiores motins que a monarquia francesa viu levantar-se contra si.
Essas guerras civis que tomaram a França de 1648 a 1653 tiveram dois momentos, que fizeram parte de um mesmo movimento em oposição à monarquia e à figura de Mazarin, como principal representante da Fronda. Ocorreram duas séries de levantes: primeiro, uma Fronda de caráter parlamentar que durou de 1648 a 1649; segundo, uma Fronda com um caráter mais militar conhecida como a Fronda dos Nobres que durou de 1650 á 1653 em que figuras da alta nobreza tiveram participação e importância nos conflitos contra a monarquia francesa.
A Fronda foi mais um dos muitos eventos que se espalharam por parte da Europa Central, nomeadamente a França, ao longo do século XVII, reflexo do desgaste de estruturas políticas e sociais até então vistas como intocáveis, em um cenário no qual a Europa e sua estabilidade passaram por grandes transformações concebidas por uma crise da consciência europeia, que ocasionou consequências politicas e sociais. Ao final do movimento o que se tem é a derrota do movimento e daqueles que se voltaram contra a monarquia, bem como um fortalecimento ainda maior da monarquia absolutista francesa.
Luís XIV, uma criança na época, foi profundamente influenciado por Mazarin em sua forma futura de governar, até o ano de sua morte em 1715.
A palavra "Fronda" deriva do francês "fronde", que significa "funda" — apetrecho utilizado para atirar pedras estilhaçando as janelas dos apoiadores do Cardeal Mazarin caracterizando "a reação brutal da nobreza diante da política centralizadora do rei".
Dentro do contexto da Guerra Franco-Espanhola, a coroa francesa se viu na necessidade de arrecadar mais recursos. Fez isso por meio de impostos pouco aceitos pela população em geral. Um desses, foi um imposto sobre os produtos que entravam em Paris, local onde se iniciou os levantes, do qual sofria de sérios problemas relacionados à escassez, doenças e mortes anteriores ao início dos conflitos. Os impostos, que inicialmente haviam sido instituídos temporariamente, tornaram-se permanentes a partir de um decreto do governo francês, sendo este o estopim das revoltas civis.
O país se encontrava em situação difícil devido aos problemas internos e externos que enfrentava, o que se agravava com a continuidade da guerra contra a Espanha. Esse cenário de instabilidade e crise foi que movimentou e fortaleceu a oposição em formação à monarquia.
A Guerra dos 30 anos foi usada pelos Bourbon como meio de enriquecimento e fortalecimento de seu poder, meio comum dos Estados monárquicos de se fortalecer no Antigo Regime. Porém, como consequência dessa articulação interna da monarquia, houve um aumento do controle e da perda de privilégios de setores importantes daquela sociedade, a exemplo, o Parlamento e a burguesia. Duas figuras tiveram importância para o movimento que veio a se tornar a Fronda, as quais eram ligadas diretamente à Monarquia Francesa: Richelieu (1585-1642) e Mazarin (1602-1661), dois estadistas e políticos franceses. Ambos foram primeiros-ministros da França e estavam conectados com a origem e o prosseguimento da Fronda.
Entre 1642 e 1643, Richelieu e Luís XIII faleceram. A pessoa a substituir a posição deixada por Richelieu como primeiro-ministro francês foi Mazarin, que teve como objetivo a continuação das políticas do cardeal Richelieu, que visava o fortalecimento dos Bourbon e a perda do domínio Habsburgo, na Espanha. Ele prosseguiu com a guerra, sufocando cada vez mais o Estado francês que se viu obrigado a buscar recursos a partir das taxações sob sua população, já exausta com outros problemas, como a pobreza e fome. Mas diferentemente de Richelieu que buscou durante um período ser uma figura conciliadora dentro do reino, Mazarin teve ações que se ocasionou o rompimento de alianças existentes dentro dele.
Paris, que já passava por grandes transtornos desde os tempos de Richelieu, continuou sendo afetada pela continuação de suas políticas por Mazarin. A população parisiense se via lesada pela forma de governo adotada. Consequentemente, surgiu um aumento de ações pela oposição Parlamentar que visou limitar a atuação da instituição nos assuntos estatais.
A tensão já existente entre Parlamento e Coroa desde os tempos de Luis XIII e Richelieu só piorou com Mazarin durante a regência de Ana de Áustria, enquanto Luis XIV ainda estava em sua menoridade. A nobreza e parte da elite se encontrava incomodada com o acumulo de poder nas mãos do Cardeal Mazarin e o parlamento, como instituição jurídica, afirmava seu direito a participação no governo. Do mesmo modo, os príncipes de sangue reivindicavam seus direitos e espaço. No ano de 1648 as tensões atingem o ápice, culminando no início das revoltas que chegou em considerável parte da camadas da população, ocasionando levante da Fronda pela França até 1653.
Por ser o rei ainda menor de idade, a Fronda ocorreu como consequência das políticas do cardeal, alvo constante de críticas durante o processo. Isso é possível de se entender a partir das políticas como geradoras de insatisfação da nobreza em relação à monarquia, quando a primeira sentiu estar sendo privada de seus privilégios. Se inicialmente os nobres usavam da fúria dos camponeses, crescentemente explorados, para incitar revoltas e recuperar estes privilégios, perdeu-se o controle quando a nobreza abriu mão das reivindicações do campo.
Primeira Fronda: Fronde Parlementaire (1648-1649)
A primeira parte do conflito ocorreu contra os parlamentares franceses. Em uma França endividada e sem recursos, Mazarin se viu obrigado a aumentar os impostos, a fim de evitar uma crise ainda maior. Mazarin buscou, através de sua posição no reino, manipular o Parlamento francês para a aceitação das novas taxas, o que não foi muito bem aceito. O conflito entre Mazarin e o Parlamento aumentou a partir do momento que um imposto temporário sobre os bens que entravam em Paris foi decretado como permanente, em 1647. A partir daí o movimento contrário às ações de Mazarin aumentou. Mazarin pressionou o Parlamento a aceitar os novos impostos, em janeiro de 1648, ameaçando a renovação da Paulette, um imposto que redirecionava o dinheiro arrecadado pela coroa para aos escritórios de finanças do Parlamento, o que gerou mais revolta. As revoltas reivindicavam a recusa do pagamento dos impostos nas províncias. O Parlamentou em si não era radical, mas as ações da coroa através de Mazarin provocou o Parlamento, o que obrigou os mesmos a levantar-se em defesa de seus direitos institucionais que Mazarin estaria passando por cima ao tomar decisões passando por cima do Parlamento.
O Parlamento de Paris nesse período defendia restrições ao poder do rei, pois "não se considerava (...) que [ele] estivesse acima da lei divina". A criação de impostos e taxas pelo governo francês, que atingiu diretamente oficiais do parlamento, não somente motivou uma reação com a recusa do pagamento, como também a exigência da aceitação de uma reforma institucional formulada por um comitê unido do Parlamento, composta por membros de todos tribunais soberanos de Paris. Em contrapartida, o Cardeal Mazarin promoveu políticas para o enfraquecimento desta instituição, o que gerou mais reações. Em 13 de maio de 1648, o Parlamento baixou o Decreto de União, proclamando a junção das cortes parisienses, o que, segundo Perez Zagorin, poderia ser visto como o ponto de partida para a Fronda. Este Decreto propunha reformas tributárias, algumas das quais o Parlamento realizou.