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Funk carioca

Gênero musical

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O funk carioca (pronúncia em português: [fɐ̃(ŋ)ki]) ou simplesmente funk — também chamado de baile funk ou favela funk no mundo anglófono — é um gênero musical oriundo das favelas do estado do Rio de Janeiro, no Brasil. Apesar do nome, é diferente do funk originário dos Estados Unidos. Isso ocorreu pois, a partir dos anos 1970, começaram a ser realizados bailes da pesada, black, soul, shaft ou funk no Rio de Janeiro. Com o tempo, os DJs foram buscando outros ritmos de música negra, mas o nome original permaneceu. O funk brasileiro tem uma influência direta do miami bass e do freestyle. O termo baile funk é usado para se referir a festas em que se toca o funk. Apesar de ser inicialmente popularizado como funk carioca, o gênero passou a ser tocado e produzido em diferentes regiões do país.

Ligado basicamente ao público jovem, o funk tornou-se um dos maiores fenômenos de massa do Brasil. Na década de 1980, o antropólogo Hermano Vianna foi o primeiro cientista social a abordá-lo como objeto de estudo, em sua dissertação de mestrado que daria origem ao livro O Mundo Funk Carioca (1988). No âmbito da musicologia, o primeiro pesquisador sobre o funk foi Carlos Palombini, nos anos 2000.

Os chamados bailes funk têm origem no início da década de 1970, quando surgiram os chamados bailes da pesada, realizados no Canecão pelos DJs Big Boy e Ademir Lemos, nesses bailes os ritmos predominantes eram soul e funk Com o tempo, surgem outros bailes, chamados de black ou shaft, nome inspirado no filme Shaft (1971), um blaxploitation, nome dados aos filmes destinados a comunidade afro-americana, estrelado por Richard Roundtree que teve trilha sonora de soul e funk composta por Isaac Hayes. Em 1973, surge a equipe de som Furacão 2000, outras equipes surgem nesse período como Black Power e Soul Grand Prix, esse último fundado por Dom Filó Em 1976, o artigo Black Rio – O orgulho (importado) de ser negro no Brasil de Lena Frias, publicada no Jornal do Brasil, serviu para batizar o movimento de Black Rio, que inclusive foi usado para nomear a uma banda.

Em meados da década, os bailes funk perderam um pouco da popularidade por conta do surgimento da disco music, uma versão pop de soul e funk, sobretudo após o lançamento do filme Os Embalos de Sábado à Noite (1977), estrelado por John Travolta e com trilha sonora da banda Bee Gees. Embora a disco tivesse grande apelo nas pistas de dança, seu foco no entretenimento e no hedonismo foi criticado por deixar de lado o engajamento social e político presente em muitas canções de soul e funk anteriores.

Na época, o então adolescente, Fernando Luís Mattos da Matta se interessou pela discotecagem ao ouvir o programa Cidade Disco Club na Rádio Cidade do Rio de Janeiro (102,9 FM), anos mais tarde, Fernando adotaria o apelido de DJ Marlboro e a rádio ficaria conhecida como a rádio rock carioca.

A partir da década de 1980, o funk passou por uma forte transformação eletrônica. Elementos clássicos como metais, órgãos e baixos foram gradualmente substituídos por sintetizadores digitais, baterias eletrônicas (como a Roland TR-808) e linhas de baixo eletrônicas. Essa mudança marcou o fim da era P-Funk tradicional e o início de uma sonoridade mais sintética e dançante, com letras mais explícitas.

Os bailes funk do Rio de Janeiro começaram a ser influenciados pelos novos ritmos, tais como o Miami bass, que trazia músicas mais erotizadas e batidas mais rápidas. Por volta de 1986, o sociólogo Hermano Vianna presenteia o DJ Marlboro com uma bateria eletrônica do modelo Boss Doctor Rhythm DR-110. As primeiras gravações de funk carioca eram versões desse gênero musical. Também nessa década surgem os bailes charme, criados pelo Corello DJ e que tocavam canções românticas de R&B contemporâneo, como o new jack swing. Em 1989, foi lançado o álbum Funk Brasil pela Polygram, considerado um marco inicial do funk carioca em disco , a ocasião, Marlboro precisou explicar aos produtores Mariozinho Rocha e Paulo Debétio que o estilo que propunha não era o mesmo funk dos anos 60 e 70, com arranjos de baixo e metais.

De acordo com Malboro, a principal influência para o surgimento do funk carioca foi o single Planet Rock de Afrika Bambaataa e Soulsonic Force, lançado em 1982, misturando o funk de James Brown e a música eletrônica do grupo alemão Kraftwerk (tendo inclusive sampleado trechos de Trans-Europe Express), a canção foi denominada na época como funk e hoje é reconhecida como um dos primeiros singles de electro, Bambaataa também é reconhecido como um dos precursores do hip hop e pela associação cultura Zulu Nation.

As rádios passaram a dedicar espaço em sua grade horária para os sucessos feitos no ritmo funk. Um dos mais famosos foi a regravação de uma canção de Raul Seixas, o Rock das 'Aranha'. A ela, se juntaram outras paródias de gravações de cantores de latin freestyle (servindo de inspiração para o funk melody) como Stevie B, Corell DJ, entre outros MCs. Um dos raps (ou melôs, como também eram chamados) que marcaram o período mais politizado no funk carioca foi o Feira de Acari, que falava sobre a Robauto, a feira de peças de carro roubadas realizada no bairro de Acari,. a canção esteve presente na trilha da telenovela Barriga de Aluguel de 1990.

Ao longo da nacionalização do funk, os bailes — até então, realizados nos clubes dos bairros do subúrbio da capital do estado do Rio de Janeiro — expandiram-se a céu aberto, nas ruas, onde as equipes rivais se enfrentavam disputando quem tinha a aparelhagem mais potente, o grupo mais fiel e o melhor DJ. Neste meio, surgiu DJ Marlboro, um dos vários protagonistas do movimento funk. Com o tempo, o funk ganhou grande apelo entre moradores de comunidades carentes, pois as músicas tratavam do cotidiano dos frequentadores, abordando a violência e a pobreza das favelas.[carece de fontes?]

Com o aumento do número de raps/melôs gravadas em português, apesar de quase sempre se utilizar a batida do miami bass, o funk carioca começou a década de 1990 criando a sua identidade própria. As suas letras refletem o dia a dia das comunidades ou fazem exaltação a elas (muitos desses raps surgiram de concursos de rap promovidos dentro das comunidades). Em consequência, o ritmo ficou cada vez mais popular e os bailes se multiplicaram.[carece de fontes?]

Uma outra vertente popular do funk carioca era o funk melody, com músicas mais melódicas e temas mais românticos, seguindo mais fielmente a linha musical do freestyle americano e alcançando sucesso nacional. Destacaram-se, nesta primeira fase, Latino, Copacabana Beat, MC Marcinho, entre outros.[carece de fontes?]

A partir de 1995, o funk carioca, até então executado apenas em algumas rádios, passou a ser tocado inclusive em algumas emissoras AM. O que parecia ser um modismo desceu os morros, chegando às áreas nobres do Rio de Janeiro. O programa da Furacão 2000 (inspirado no programa americano Soul Train) na Central Nacional de Televisão fazia sucesso, trazendo os destaques do funk e deixando de ser exibido apenas no Rio de Janeiro, ganhando uma edição nacional. Além disso, muitos artistas passaram a se apresentar em programas apresentados por Xuxa. A associação da apresentadora com o funk começou ainda em 1990, quando ela incluiu funkeiros no filme Lua de Cristal. A partir daí, Xuxa passou a abrir espaço em seus programas para o gênero, como o Xuxa Park e, mais tarde, o Planeta Xuxa. Artistas como Claudinho & Buchecha, entre outros, tornaram-se referência nessa fase áurea, além de equipes de som como Pipo's, Cashbox e outras. A Rádio Imprensa teve papel importante nesse processo, ao abrir espaço para os programas destas e de várias outras equipes.[carece de fontes?]

Alguns bordões e gritos de guerra criados nos bailes tornavam-se sucesso, como foi o caso de Uh, tererê (um falso cognato do rap Whoop! There it is! do grupo americano Tag Team) e Ah, eu tô maluco. O funk carioca também influenciou outros ritmos, como a paradinha funk do Mestre Jorjão, da Viradouro, no desfile de carnaval de 1997. Nessa época, viu-se o surgimento do tamborzão. Segundo o pesquisador Meno Del Picchia: "A batida rítmica que, quando ouvimos, imediatamente identificamos como funk está presente em manifestações como maculelê da capoeira e toques de congo do candomblé", o maestro Letieres Leite também via semelhanças com os toques de congo. Também chamado de Volt Mix, o tamborzão surgiu a partir de um sampler de 808 Beatapella Mix do DJ americano Battery Brain, reciclado por DJ Nazz, e logo passou a influenciar diversos singles. Entre eles destacam-se o Melô da Macumba, baseado na versão dub de Light Years Away, do Warp 9, e a Melô da Explosão, uma versão instrumental de Don't Stop the Rock, do grupo Freestyle. Uma outra inspiração seria o trabalho de Ivo Meirelles, artista que misturou samba, funk, soul e rap ao criar o Funk'n'Lata, um grupo que usa instrumentos de bateria de escolas de samba. Outros exemplo incluem Macumba Lelê de Dj Alessandro e Cabide, lançado em 1994.

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