Góis (pronúncia em português: [ˈɡɔjʃ] ()) é uma vila portuguesa do Distrito de Coimbra, na histórica província da Beira Litoral e na antiga região do Centro (Região das Beiras), estando atualmente inserida na sub-região Região de Coimbra (NUT III), com menos de 2000 habitantes, e é banhada pelo rio Ceira, que nasce na Serra do Açor e desagua no rio Mondego. Encontra-se à cota média de 200m na bacia do Ceira, entre a Serra do Rabadão e a Serra do Carvalhal, em plena cordilheira da Serra da Lousã.
É sede do Município de Góis que tem 263,30 km² de área e 3.800 habitantes (2023), espalhados por quatro freguesias: Alvares, Cadafaz e Colmeal, Góis e Vila Nova do Ceira.
O município é limitado a norte pelo município de Arganil, a leste por Pampilhosa da Serra, a sudoeste por Pedrógão Grande e por Castanheira de Pera, a oeste pela Lousã e a noroeste por Vila Nova de Poiares. A vila beneficia da proximidade relativa de Coimbra e da proximidade de três eixos rodoviários portugueses como são o IC6, a norte do município (liga Coimbra à Covilhã), o IC8 a sul do município (estabelece a ligação da Figueira da Foz a Castelo Branco) e a A13 a sul do município (estabelece a ligação Coimbra até ao nó da A23 na Atalaia). Dista 40 km de Coimbra, 161 km do Porto e 224 km de Lisboa.
A história secular de Góis e das terras ao redor revelam alguns momentos importantes. Há vestígios, nomeadamente a Pedra Letreira - monumento de arte rupestre composto por uma plataforma de xisto rebaixada, imóvel de interesse público - que explica a ocupação humana antes da Carta de Doação de Góis. Na verdade, a área tem vestígios de presença humana desde tempos muito antigos, incluindo a pré-história e o período romano.
Mais tarde, durante a Idade Média, mais precisamente em 13 de agosto de 1114, D. Teresa de Portugal, regente do Condado Portucalense, e o seu filho D. Afonso Henriques doaram os "castelos de Góis e de Bordeiro" a Anaia Vestrares e à sua esposa Ermesinda Martins, com o objetivo de as povoarem e desenvolverem. As terras de Góis eram, basicamente, uma montanha despovoada.
O nome Góis pode ter origem do germânico, do baixo latim gotes significando "montes pedregosos"; do basco 'Goieche', etimologicamente "casa de cima" ou do gótico gauja, via nome germânico Goi-.
Em 1708, relatava o Padre António Carvalho da Costa em seu livro:
Cinco léguas ao Nascente de Coimbra, em um tão profundo vale situado entre as terras do Rabadão e Carvalhal, está fundada a Vila de Góis, banhada pelo Rio Ceira, em cujas correntes se acha bastante ouro e se pescam boas trutas. Mandou-a povoar D. Anião Estrada, fidalgo ilustre natural das Astúrias e companheiro do Conde D. Henrique nas empreitadas do seu tempo. A este D. Anião Estrada deu El-Rey D. Afonso Henriques esta terra pelos anos de 1170 a qual possuiram os seus descendentes com o apelido Góis, onde um deles chamado Vasco Pires Farinha, fundou um grande Morgado, vindo por casamento aos Silveiras, condes de Sortelha, o qual hoje possui D. Luis de Lencastre conde de Vila Nova de Portimão. A esta Vila deu foral El-Rey D. Manuel por sentença da nova Relação em Lisboa a 20 de Maio de 1516. Tem uma Igreja Paroquial dedicada a Nossa Senhora da Assunção, e representa o Vigário da Igreja Matriz no seu termo, duas freguesias sendo uma delas com invocação de Nossa Senhora das Neves, no lugar de Cadafaz com treze aldeias anexas, e a segunda dedicada a S. Sebastião situada no lugar do Colmeal com nove aldeias anexas. Em todo este termo há treze Ermidas com muitas fontes de excelente água.
Seguiram-se como senhores de Góis, Martim Anião, que não teve descendência masculina e a sua irmã Maria herdou o senhorio. Casada com Gonçalo Dias de Góis, acabou este por ser senhor de Góis. Depois vieram Salvador Gonçalves de Góis, filho do anterior, Pedro Salvadores de Góis, filho do anterior e, por fim, em 1290, Vasco Pires Farinha redefine os limites das terras de Góis e assegura a sucessão do senhorio ao seu filho, Gonçalo Vasques de Góis, através de um testamento, consolidando assim o domínio sobre a região.
A primeira carta foral surge em 5 de janeiro de 1314, tendo sido assinada para regular os direitos e deveres dos moradores e do donatário, Gonçalo Vasques de Góis, com o objetivo de fomentar a população, defesa e cultivo das terras. Contudo, só a 20 de maio de 1516, D. Manuel I concedeu uma nova carta de foral a Góis, atualizando as regras e contratos anteriores estabelecidos entre os donatários e os habitantes. É esse documento que conta verdadeiramente para justificar a data de fundação do município.
Ainda no mesmo século, a 16 de novembro de 1560, foram criadas as paróquias de Cadafaz e Colmeal, com o consentimento do padroeiro Diogo da Silveira. Cerca de 200 anos depois, a 24 de outubro de 1855, o concelho de Alvares foi extinto, passando a freguesia, ficando incorporada no concelho (atual município) de Góis, enquanto a freguesia de Portela do Fojo passou a pertencer ao concelho de Pampilhosa da Serra.
Pelo Decreto n.º 13833, de 23 de junho de 1927, a freguesia Várzea de Góis passou a chamar-se Vila Nova do Ceira. Anteriormente, tinha sido a freguesia de S. Pedro da Várzea.
Com o fim do Estado Novo, devido à revolução de 25 de Abril de 1974, a democracia instalada permitiu que o poder local fosse reforçado, ganhando mais direitos, mas também mais obrigações. A qualidade de vida dos habitantes do município de Góis melhorou significativamente.
O município de Góis está dividido nas seguintes quatro freguesias:
Igreja Matriz de Góis (séc. XV-XIX) e túmulo de D. Luís da Silveira – Monumento Nacional
Pedra Letreira (Arte Rupestre)
Capela do Mártir S. Sebastião (Séc. XVIII)
Paços do Concelho – antiga Casa da Quinta (séc. XVII)