O Gabão, oficialmente República Gabonesa, é um país na costa equatorial ocidental da África. Limitado ao norte pelo território de Rio Muni (Guiné Equatorial) e pelo Camarões, a leste e a sul pelo Congo-Brazavile e a oeste pelo Oceano Atlântico e pelo Golfo da Guiné, por onde é vizinho próximo de São Tomé e Príncipe e da ilha de Pagalu (Guiné Equatorial). Anteriormente uma colônia francesa, o Gabão se tornou independente em 1960. A capital e maior cidade é Libreville.[carece de fontes?]
Desde sua independência da França em 17 de agosto de 1960, o Gabão foi governado por apenas quatro presidentes. No início de 1990, o Gabão introduziu uma constituição nova e democrática que permitia um processo eleitoral transparente. O Gabão foi também membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas no período 2010-2011. A baixa densidade populacional, juntamente com abundantes recursos naturais e investimentos privados estrangeiros têm ajudado a fazer do Gabão um dos países mais prósperos da região e com um dos maiores IDH da África Subsaariana.
O nome do país vem da palavra portuguesa Gabão, que significa "mangas e capuz". Uma teoria é que o nome vem do fato de que uma pequena colina na foz do rio Ogoué, que atravessa o país, se assemelha ao capuz de uma capa de marinheiro com o capuz desdobrado, e por isso os marinheiros portugueses durante a Era dos Descobrimentos apontavam para ela e gritavam.
História geológica e paleontológica
Os vestígios mais antigos de vida multicelular conhecidos até hoje são encontrados no Gabão. Eles datam de 2,1 bilhões de anos e foram descobertos na região de Franceville em 2008. Em junho de 2014, o CNRS anunciou a descoberta de novos fósseis macroscópicos de até 17 cm de tamanho e confirmou a idade do depósito fóssil em 2,1 bilhões de anos.
Há evidências de assentamentos pré-históricos no Gabão que datam de 400.000 anos, da Idade do Ferro. Os atuais pigmeus, que se acredita terem surgido desse assentamento, são os primeiros habitantes conhecidos do que hoje é o Gabão. Caçadores-coletores, eles se estabeleceram cerca de 5.000 anos antes da nossa era. Eles foram seguidos por uma onda de colonos bantu. Como os próprios bantos deixaram a zona de dessecação do Sahel há 5.000 anos, sua expansão para o sul e leste data de entre 1.000 e 2.000 a.C. Ao contrário dos pigmeus, os povos bantu eram semissedentários e praticavam a pecuária. Eles também dominaram a metalurgia desde o primeiro milênio a.C. Quando chegaram ao Gabão, encontraram uma população de pigmeus lá.
Em 2021, as pedras esculpidas descobertas no sítio de Elarmékora foram datadas indiretamente em pelo menos 650.000 anos atrás. A datação é baseada em amostras de solo retiradas da superfície até o estrato onde as pedras foram encontradas, datadas pelos nuclídeos cosmogênicos 26Al e 10Be.
De acordo com evidências arqueológicas, o Gabão é habitado há pelo menos 10.000 anos. Os primeiros habitantes da área foram os pigmeus, mais tarde substituídos e absorvidos pelas tribos bantu.
Os primeiros europeus a chegarem ao atual Gabão no século XV, foram comerciantes portugueses, que deram ao território o nome de "gabão" (uma espécie de casaco, cujo formato lembrava o do estuário na foz do rio Komo). A costa gabonesa tornou-se um entreposto de escravos. No século seguinte chegaram comerciantes holandeses, britânicos e franceses.
A França assumiu o status de "protetora" do território após assinar tratados com os chefes tribais locais em 1839 e 1841. No ano seguinte, missionários norte-americanos estabeleceram uma missão em Baraka (a atual cidade de Libreville, capital do país). Em 1849, os franceses capturaram um navio de escravos e libertaram-nos na embocadura do rio Komo. Os escravos libertos batizaram o assentamento de Libreville ("cidade livre", em francês).
Os exploradores franceses exploraram as densas selvas gabonesas entre 1862 e 1887. A França ocupou formalmente o Gabão em 1885 mas só começou efetivamente a administrá-lo em 1903. Em 1910, o Gabão se tornou um dos territórios da África Equatorial Francesa, uma federação que existiu até 1959. Os territórios se tornaram independentes a 17 de agosto de 1960, dando origem à Centráfrica, ao Chade, ao Congo-Brazavile, e ao Gabão.
O primeiro presidente eleito do país foi Leon M'Bá, em 1961. Quando M'Bá morreu, em 1967, foi substituído por Omar Bongo, que governou até sua morte, em 2009, ostentando o recorde de governante durante mais tempo no poder em um país africano.
Em troca do apoio de Paris, que poderia intervir para o derrubar, Bongo concordou em disponibilizar parte da riqueza do Gabão à França, nomeadamente os recursos estratégicos de petróleo e de urânio. Na política internacional, o Gabão alinhou-se com Paris. No final de 1968, Omar Bongo foi forçado pela França a reconhecer a pseudo-independência de Biafra (sudeste da Nigéria). Teve também de aceitar que o aeroporto de Libreville funcionasse como centro de entrega de armas a Colonel Ojukwu (o líder secessionista de Biafra). Foi também do Gabão que os mercenários de Bob Denard tentaram desestabilizar o regime marxista no Benin.
Em 30 de agosto de 2023, após uma eleição controversa, o exército do país dissolveu as instituições, e anunciou pela TV o que se tornou o oitavo golpe militar na África desde 2020. O presidente eleito, Ali Bongo, foi colocado em prisão domiciliar e as fronteiras foram fechadas por tempo indeterminado.
O Gabão situa-se na costa atlântica da África central e tem fronteiras terrestres com a Guiné Equatorial, com o Camarões e com o Congo-Brazavile e marítimas com São Tomé e Príncipe. Seu clima é tropical. Seu ponto mais alto é o Monte Bengoué, com 1 070 m.
Quase toda a população gabonesa, estimada em cerca de 2,1 milhões pessoas, é de etnia banta. O país tem cerca de 40 grupos étnicos com línguas e culturas separadas. O maior de todos estes grupos é o fangue. Outros grupos incluem os myene, bandjabi, eshiras, bapounous, bacas, bengas, teques, congos e okandé.
A língua francesa é a oficial, e é um fator de coesão do país. O Gabão e seu vizinho Congo-Brazavile são as nações com maior número proporcional de francófonos em África, ambas com mais de 60% de falantes. Mais de 10 mil franceses vivem no Gabão, e as influências culturais e comerciais da França predominam.
Em Março de 1991 foi adoptada uma nova constituição que prevê uma declaração de direitos de estilo ocidental, a criação de um Conselho Nacional de Democracia para supervisionar e garantir esses direitos e um conselho consultivo governamental para assuntos económicos e sociais. Eleições legislativas multipartidárias realizaram-se em 1990-1991, apesar de nessa altura ainda não se ter formalizado a legalização dos partidos da oposição.