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Gabriel Constantinovich da Rússia

Gabriel Constantinovich da Rússia (em russo: Гавриил Константинович), (15 de julho de 1887 - 28 de fevereiro de 1955) fo

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Gabriel Constantinovich da Rússia (em russo: Гавриил Константинович), (15 de julho de 1887 - 28 de fevereiro de 1955) foi o segundo filho do grão-duque Constantino Constantinovich da Rússia e da sua esposa, a grã-duquesa Isabel Mavrikievna. Bisneto do czar Nicolau I da Rússia, nasceu no Império Russo e prestou serviço no exército durante a Primeira Guerra Mundial. Perdeu a maioria da família durante a guerra e a Revolução Russa que se seguiu. Escapou por pouco aos bolcheviques e passou o resto da vida no exílio em França.

O príncipe Gabriel Constantinovich da Rússia nasceu no dia 15 de julho de 1887, em Pavlovsk. Era o segundo dos nove filhos do grão-duque Constantino Constantinovich da Rússia e da sua esposa, a grã-duquesa Isabel Mavrikievna, nascida princesa Isabel de Saxe-Altemburgo. Gabriel Constantinovich e o seu irmão, o príncipe João, nascido no ano anterior, foram os primeiros a sofrer as reformas do czar Alexandre III, primo do seu pai, que, para economizar o orçamento de estado, declarou que apenas os filhos e netos do soberano reinante teriam o título de grão-duque. Assim, Gabriel Constantinovich tinha três dias de idade quando o czar Alexandre III publicou o manifesto que anunciava o seu título como príncipe de sangue imperial com o tratamento de Alteza. Os grão-duques recebiam 280 000 rublos de ouro por ano do tesouro imperial, que garantiam um estilo de vida confortável, enquanto o príncipe Gabriel recebeu um milhão de rublos de ouro apenas uma vez e não podia contar com mais nada.

Gabriel Constantinovich passou os seus primeiros anos de vida em grande esplendor durante os últimos anos da Rússia imperial. O seu pai, um poeta respeitado e primo em segundo grau do czar Nicolau II, era um dos membros mais ricos da família Romanov. Quando era criança, o príncipe Gabriel tinha uma saúde frágil; era pálido e adoecia frequentemente. Tanto ele como o seu irmão João ficavam doentes facilmente e passaram mais de um ano da sua infância juntos em Oreanda, na Crimeia, com um médico e vários criados. A saúde dos irmãos melhorou no clima temperado da zona e os dois gostavam do tempo que passavam na praia e em pequenas excursões pela península. Tendo apenas o outro como companhia, os dois criaram uma relação muito próxima que duraria até ao final das suas vidas.

O príncipe Gabriel teve um educação muito rigorosa; tanto ele como os irmãos aprenderam a falar russo puro, sem uma mistura de frases estrangeiras, e tinham de decorar orações. Os melhores escritores e músicos eram convidados para ir ao Palácio de Pavlovsk e ao Palácio de Mármore e o grão-duque Constantino Constantinovich criou um programa de palestras para os seus filhos no sentido de lhes dar uma boa educação.

Desde muito cedo, Gabriel tornou-se arrebatadamente dedicado ao pai e por tudo o que era militar. Seguindo o exemplo do pai, Gabriel optou por uma carreira militar, uma tradição entre os membros masculinos da família Romanov. No seu livro de memórias, o príncipe recordou: "Desde os sete anos que sonhava em entrar para a Escola de Cavalaria Nikolaeievsky". Em 1900, recebeu permissão para se juntar aos Primeiros Corpos de Cadetes de Moscovo para ter o seu treino preparatório; em 1903, teve finalmente permissão para se juntar à Escola Nikolaeievky. "Depois de ter usado o uniforme de cadete durante cinco anos," escreveu, "finalmente o meu sonho realizou-se e tornei-me um verdadeiro militar". Aos dezanove anos foi promovido à posição de oficial e recebeu várias ordens militares. A 19 de Janeiro de 1908, Gabriel Constantinovich proferiu o seu juramento de fidelidade a Nicolau II numa cerimónia realizada na igreja do Palácio de Catarina em Czarskoe Selo.

A sua família era muito próxima do imperador e Gabriel passava muito tempo com o czar e a sua família. A grã-duquesa Maria Pavlovna e o seu irmão, o grão-duque Dmitri Pavlovich brincavam muitas vezes com ele.

Ao contrário dos seus irmãos sérios e tímidos, o príncipe Gabriel era muito mais social e começou a relacionar-se com um grupo aristocrático que era considerado demasiado moderno para a época. Em Agosto de 1911, durante um pequeno baile dado na mansão da conhecida bailarina Matilde Kschessinskaya, Gabriel conheceu Antonina Rafailovna Nesterovskaya, uma dançarina de vinte-e-um anos que pertencia a uma família empobrecida da baixa nobreza. Gabriel tinha vinte-e-quatro anos, era muito alto e magro. Nesterovskaya era quase trinta centímetros mais baixa do que ele, não era particularmente bonita e tinha peso a mais, mas era sagaz e animada e Gabriel acabou por se apaixonar por ela. Conseguia falar com ela durante os intervalos quando ela dançava no Teatro Marinsky aos Domingos. Em Janeiro de 1912, já a visitava no pequeno apartamento que ela partilhava com a mãe. Os dois tornaram-se amantes e, antes da Páscoa de 1912, juntaram-se a Kschessinskaya e ao seu amante, o grão-duque André Vladimirovich numa viagem à Riviera, visitando Cannes e monte Carlo. A vida idílica na Riviera não durou muito tempo, uma vez que o grupo teve de regressar a São Petersburgo, onde o príncipe estudava, pouco depois. A partir desta ocasião, Gabriel passou a considerá-la sua "noiva". Em 1913, pediu-lhe para desistir do Corpo de Ballet e ela concordou.

Gabriel era muito dedicado à sua amante e ofereceu-lhe uma casa extravagante na Perspectiva Kamennostrovsky em São Petersburgo. Entretanto o príncipe, que antes vivia em Pavlovsk, recebeu um grande apartamento com três quartos no segundo andar do Palácio de Mármore com vista para a margem do rio. Após a morte do seu pai em 1915, Gabriel envolveu-se cada vez mais com a sua amante. Os dois eram um casal muito acolhedor e recebiam os seus amigos com grande luxo. O príncipe era um amante muito generoso e fazia tudo o que a sua amada lhe pedia. Os desejos dela pareciam insaciáveis, principalmente a partir do momento em que descobriu que bastava fazer um pedido para que este fosse imediatamente satisfeito.

Gabriel estava profundamente apaixonado, mas não se podia casar com a sua amante porque o estatuto da família Romanov proibia qualquer união morganática. Fez um apelo à sua tia, a rainha Olga da Grécia, para que intercedesse a seu favor e ela foi falar com o czar Nicolau II, pedindo-lhe permissão para que o sobrinho se casar, mas o imperador recusou o pedido redondamente. Ao longo de todas as vicissitudes que foram aparecendo nos anos que se seguiram, Gabriel permaneceu apaixonadamente dedicada à sua dançarina, determinado a, um dia, ultrapassar os obstáculos que se atravessavam para o casamento.

Quando rebentou a Primeira Guerra Mundial, o príncipe Gabriel teve de se separar da sua amante. Tal como os seus irmãos, juntou-se ao exército russo em acção no esforço militar, a lutar nas operações avançadas. O seu irmão, o príncipe Oleg, foi morto em combate no início da guerra. No ano seguinte, o pai de Gabriel morrer de ataque cardíaco. Depois de ser evacuado para Petrogrado no outono de 1914, Gabriel juntou-se à academia militar, formando-se aos vinte-e-nove anos de idade na posição de coronel. O seu caso amoroso com Nesteroskaya abertamente e a sua vida era discutida em público. Os dois viveram juntos durante muito tempo e, em 1916, depois de ver a sinceridade do seu sentimento, a imperatriz Alexandra Feodorovna decidiu ajudá-los a casarem-se, apesar de a união ser considerada imprópria.

Após a queda da monarquia na Rússia devido à Revolução de Fevereiro de 1917, o príncipe Gabriel pediu permissão à mãe para se casar com Antonia Nesteroskaya, mas ela não lhe deu o seu consentimento. Gabriel decidiu desobedecer e, a 9 de Abril de 1917, às três da tarde, os dois casaram-se numa pequena igreja. Durante o reinado de Nicolau II, a união nunca teria sido possível e o príncipe decidiu manter o casamento em segredo da sua mãe e do tio Dmitri Constantinovich que apenas souberam da união mais tarde.

Gabriel tinha pedido ao seu primo, o príncipe Alexandre de Leuchtenberg, que também se tinha casado morganaticamente, para encontrar um padre para abençoar o casamento em segredo. Na cerimónia de casamento, estavam apenas presentes Lydia Tchistiakova, irmã de Antonia, e alguns dos seus amigos. Gabriel contou o segredo ao seu irmão João alguns dias antes, mas o seu irmão mais velho não quis estar presente na cerimónia por causa da mãe. Contudo, prometeu que iria manter segredo. A caminho da igreja, o príncipe Gabriel viu os seus irmãos Constantino e Jorge, que estavam a passear na Rua Morskaïa e os dois tinham acabado de ver Antonia num vestido de noiva noutro caso mas só se aperceberam do que estava a acontecer mais tarde. Quando estava casado, Gabriel foi ver a sua mãe que, apesar de não ter ficado contente com a notícia, deu-lhe a sua bênção. A partir de então, Gabriel mudou-se para o apartamento da esposa e o casal viveu calmamente durante algum tempo.

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