Gabriel de Resende Passos (Itapecerica, 17 de março de 1901 — Rio de Janeiro, 19 de junho de 1962) foi um advogado, jornalista e político brasileiro. No ramo da política, elegeu-se deputado federal quatro vezes, foi secretário do Interior e Justiça, Procurador-Geral da República e ministro de Minas e Energia. Foi casado com Amélia Gomes de Sousa Lemos, irmã de Sarah Kubitschek. Em sua homenagem, no dia 30 de março de 1968 foi inaugurada a Refinaria Gabriel Passos, mais conhecida como REGAP, no município de Betim, Minas Gerais.
Em 1928 Passos tornou-se redator do jornal Estado de Minas e, partidário da Revolução de 1930, elegeu-se deputado à Assembleia Nacional Constituinte de 1933. Em 1934, já com a nova Carta Magna, foi reeleito deputado federal, mas se desligou do cargo para se tornar secretário do Interior e Justiça do governador de Minas Gerais, Benedito Valadares.
Em 27 de maio de 1936, aos 35 anos, foi nomeado Procurador-Geral da República pelo presidente Getúlio Vargas, se tornando o mais novo ocupante do cargo, ao qual renunciou no dia 17 de maio de 1945 para se candidatar novamente a deputado federal, pleito em que obteve êxito.
Renunciou mais uma vez ao cargo para concorrer ao governo de Minas Gerais pelo partido UDN, no qual foi derrotado pelo seu concunhado Juscelino Kubitschek.
Se elegeu novamente para ser deputado federal para o quinquênio de 1955 a 1961.
De 1961 até sua morte foi ministro das Minas e Energia do governo João Goulart.
Gabriel Passos foi um dos principais responsáveis pela criação da Eletrobrás. O projeto, que vinha sendo idealizado desde o início do segundo mandato de Getúlio Vargas, em 1951, foi oficialmente criado em 25 de abril de 1961 através da assinatura da Lei nº 3.890-A, que autorizou a União a construir a empresa estatal.
Em outubro do mesmo ano, Gabriel Passos, então ministro de Minas e Energia de João Goulart, organizou um grupo de trabalho comandado pelo engenheiro Paulo Richer e solicitou a criação de um inquérito para analisar o financiamento da construção da Eletrobrás, ouvindo especialistas de diversas concessionárias, público e privadas. Ainda sobre a chefia de Paulo Richer, um novo grupo de trabalho elaborou o estatuto da empresa, dando o primeiro passo para sua criação.
A Eletrobrás foi instalada no dia 11 de junho de 1962 na cidade do Rio de Janeiro, oito dias antes da morte de Gabriel Passos.
Frente Parlamentar Nacionalista (FPN)
A Frente Parlamentar Nacionalista (FPN) foi um grupo formado por diversos deputados, dos mais diversos partidos, que tinham em comum o desejo de buscar resoluções nacionalistas para os problemas do Brasil.
A primeira manifestação ressaltando os interesses da FPN foi um programa de reformas proposto através do discurso do deputado Abguar Bastos, do PTB de São Paulo, em 6 de junho de 1956, que representando a Frente apresentou treze pontos, sendo os principais "revisão dos tratados, convênios ou acordos que impeçam, com limitações ou discriminações, acesso da produção brasileira aos mercados mundiaise estudo, debates e consultas sobre os problemas fundamentais ligados à economia, à justiça social e aos dispositivos constitucionais que assegurem a defesa do patrimônio e da soberania nacionais".
A quantidade de deputados que participaram da FPN é incerta. Não se tem um registro oficial de todos os integrantes registrada nos Anais do Congresso, seja através de programas ou notas oficiais. A única referência a alguns participantes é feita no livro “Estudos Nacionalistas”, de Osni Duarte Pereira, onde ele lista 57 deputados responsáveis pela criação e manutenção das propostas da FPN, e entre os nomes encontra-se o de Gabriel Passos, na época deputado pela União Democrática Nacional (UDN) de Minas Gerais.
Gabriel Passos teve grande participação no início da FPN, sendo um dos seus maiores entusiastas, e foi tendo o apoio da frente que ele conseguiu que a ideia da criação da Eletrobrás progredisse. Atuou ativamente em nome da FPN, defendendo interesses nacionalistas no Congresso e ajudando a popularizar os objetivos propostos pelo grupo.
Apesar das várias dissidências e desentendimentos que houve entre os membros da Frente, a sua atuação foi muito importante no Congresso, muito porque seus principais integrantes eram deputados de renome, como o próprio Gabriel Passos, Rubens Paiva, Sérgio Magalhães e José Sarney. A FPN foi uma das principais responsáveis pelo fortalecimento da autonomia nacional, melhor aproveitamento do petróleo e das indústrias brasileiras e a criação de estatais, mesmo que por diversas vezes tenha atuado de forma desorganizada, graças aos interesses pessoais diversos de seus integrantes, e só foi dissolvida em abril de 1964, após a maior parte dos deputados que organizavam a Frente terem seu mandato cassado pela Ditadura militar.
O Acordo de Roboré é um conjunto de notas reversais acrescentadas ao Tratado Sobre Saída e Aproveitamento do Petróleo Boliviano, acordo firmado entre Brasil e Bolívia em 1938 sobre o uso e exploração do Petróleo.
O Tratado, assinado em 25 de fevereiro de 1938 pelo presidente Getúlio Vargas e pelo então Ministro das Relações Exteriores, Osvaldo Aranha, foi realizado como tentativa de proteger as reservas de petróleo na fronteira com a Bolívia, dado o fato que o início da Segunda Guerra Mundial poderia afetar as principais áreas produtoras do combustível.
O acordo garantia direitos e deveres iguais a ambos os países, porém o Brasil passou a se prejudicar após o início da construção da ferrovia Corumbá – Santa Cruz de la Sierra, em 1940, que ligava a Estação Ferroviária de Corumbá à cidade boliviana Santa Cruz de la Sierra. Com o objetivo de dificultar o acesso do Brasil ao petróleo, o governo argentino e empresas norte-americanas que exploram o petróleo boliviano começaram a fazer pressão para o governo boliviano cobrar concessões para permitir a continuação da construção da ligação férrea, e tais cobranças foram realizadas até o fim da construção, sempre com aumentos nas contribuições que o governo brasileiro deveria pagar.