Gabriel Contino (Rio de Janeiro, 4 de março de 1974), mais conhecido pelo nome artístico Gabriel o Pensador, é um rapper, compositor, escritor, empresário e músico brasileiro. Iniciou sua carreira musical ao lançar uma fita demo com a música "Tô Feliz (Matei o Presidente)", sendo logo contratado pela Sony Music. Lançou pela gravadora oito álbuns: Gabriel o Pensador, Ainda É Só o Começo, Quebra-Cabeça, Nádegas a Declarar, Seja Você Mesmo (Mas Não Seja Sempre o Mesmo), MTV ao Vivo, Cavaleiro Andante e Sem Crise. Seu álbum mais recente, Antídoto Pra Todo Tipo De Veneno, foi lançado de forma independente.
Além de rapper, Gabriel é escritor e lançou três livros, o autobiográfico Diário Noturno e os infantis Um Garoto Chamado Rorbeto e Meu Pequeno Rubro-Negro. Sua quarta obra, Nada Demais, coautoria com Laura Malin, está completa mas ainda não foi publicada. Paralelamente a isso, Gabriel também é um ativista social, tendo como projetos o "Pensador Futebol", que investe em jovens jogadores que querem se profissionalizar, e junto de Luís Figo e Luiz Felipe Scolari, participou do projeto de futebol chamado "Dream Football", que, através do envio de vídeos via internet, deu a oportunidade dos participantes serem contratados por times profissionais de futebol. Além de projetos de futebol, ainda tem um projeto social conhecido como "Pensando Junto", que atende às crianças carentes da Rocinha.
Nasceu no bairro Vila Isabel, na Zona Norte do Rio de Janeiro, após uma gravidez de alto risco, na qual existia a possibilidade de que nascesse cego, surdo ou até morto. Inicialmente, se chamaria Pablo, mas sua mãe decidiu seu nome após ler o livro Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez. É filho de Belisa Ribeiro e Miguel Contino, que se separaram quando ele tinha apenas seis meses. A partir de então, ele foi criado somente por sua mãe. Possui um irmão materno, Tiago Mocotó, e dois irmãos paternos, Joana e Fernando. Sua ascendência é diversificada, possuindo antepassados italianos, portugueses e espanhóis.
Foi na sua infância, na época em que estudava no colégio Senador Correia, principalmente após entrar para a banda do colégio, que despertou seu interesse pela música. A mudança para São Conrado, na Zona Sul da cidade, onde conviveu com moradores da favela da Rocinha, o aproximou do universo do rap. Com o sucesso "Thriller" de Michael Jackson, descobriu o break, que, segundo o mesmo, era "a dança inovadora da cultura hip-hop". A partir de então, começou a participar de rodas de break com músicas que ele traduzia de filmes.
O cantor se descreve, dos doze aos quinze anos, como alguém descolado das questões sociais e mais focado no surfe, esporte que pratica até hoje. Próximo dos dezesseis anos, passou a pichar muros, mas mudou quando começou a compor. O cenário de sua primeira apresentação, junto de seu amigo "Tripa", foi um baile funk na Rocinha. Lá, cantou duas canções, incluindo "Tô Feliz (Matei o Presidente)", uma crítica ao então presidente do Brasil, Fernando Collor de Mello. Após apresentações para os movimentos negro e estudantil, Gabriel apareceu pela primeira vez no cenário musical com a coletânea Tiro Inicial, na década de 1980, junto de MV Bill (que também decidiu seguir carreira de rapper). A coletânea foi produzida pelo CEAP (Centro de Articulações das Populações Marginalizadas), tendo, como mentor, o político e ativista Ivanir dos Santos e, como produtor musical, Mayrton Bahia.
1992–1996: "Tô Feliz (Matei o Presidente)" e Ainda É só o Começo
Em 1992, havia um ano que Gabriel frequentava aulas de comunicação social na PUC-Rio, onde se sentia "terrivelmente inconformado com o conformismo". Então em setembro Gabriel mandou para a extinta RPC FM (atual FM O Dia) uma fita demo de "Tô Feliz (Matei o Presidente)". A música foi ao ar pela primeira vez no dia 5, e tornou-se rapidamente a mais pedida da estação, até ser censurada cinco dias depois. O Ministério da Justiça justificou a atitude por considerar que a música incentivava ao assassinato do presidente, que na altura estava passando por um processo de impeachment, e que continha frases ofensivas ao mesmo. A controvérsia se elevou pelo fato de a mãe de Gabriel, Belisa, ter sido assessora de Collor.
Vinte dias depois da primeira reprodução de "Tô Feliz (Matei o Presidente)" Collor foi forçado a deixar o governo. O timing garantiu mais atenção a Gabriel, incluindo reportagens na Veja e MTV Brasil, mas sem atrair as gravadoras. O primeiro convite foi de um selo paulistano, que Gabriel recusou por achar que a estratégia da gravadora era restrito ao público de hip-hop, e ele pensava ter potencial para maior sucesso. Eventualmente Gabriel foi para a Sony Music sem fita demo, carregando apenas uma pasta com letras de músicas e uma fita cassete com a batida para referência. Foi recebido por Sérgio Lopes, empregado do setor internacional. Lopes respondeu bem, e prometeu a Gabriel acesso ao estúdio para gravar duas músicas como teste inicial.
Somente no início de 1993 a Sony respondeu formalmente, dando uma verba para realização de uma demo. Essa demo levou a um contrato com a gravadora, e sob o pseudônimo "Gabriel, o Pensador", lançou seu primeiro e homônimo álbum, de dez faixas, em maio de 1993, produzido por Fábio Fonseca e DJ Memê. Além de "Tô Feliz (Matei o Presidente)", o álbum fez sucesso nas rádios com as músicas "Lôrabúrra" e "Retrato de um Playboy". A primeira faixa, "Abalando", relembra a censura em "Tô Feliz (Matei o Presidente)" e a compara com a época da ditadura militar onde não havia liberdade de expressão, além de citar um trecho da música "Alagados" do álbum Selvagem? dos Paralamas do Sucesso que critica a desigualdade social.[carece de fontes?] Incluía também "175 Nada Especial", cujo clipe contou com as participações de Ronaldo, Martinho da Vila, Toni Garrido, Zeca Baleiro e Neguinho da Beija-Flor, e ganhou o prêmio de melhor videoclipe de rap durante o MTV Video Music Brasil (VMB) de 1995. O álbum ganhou boa repercussão, vendendo 350 mil cópias, e por ele o artista recebeu o 7.º Prêmio da Música Brasileira como revelação masculina do ano na categoria pop rock.
O segundo álbum de Gabriel, Ainda É só o Começo, foi lançado em 1995 e provocou polêmica nos meios educacionais com a música "Estudo Errado", levando inclusive educadores a protestarem. Se defendeu afirmando que criticava apenas a forma de aprendizagem em que "decora-se e não se aprende". Também gerou polêmica com "FDP³" ao criticar algumas seitas religiosas, mas disse que falava "dessas novas seitas que cobram dinheiro aos crentes" e ainda que "é uma coisa absurda: eles têm programas de televisão, teatros e cinemas e até fazem 'shows' no Estádio do Maracanã. É uma coisa criminosa". Com tantas polêmicas, o álbum não repetiu o sucesso do primeiro. Mesmo assim, "Rabo de Saia", canção desse disco, levou Gabriel a ganhar o VMB de 1996 na categoria melhor videoclipe de rap.
1996–2000: Quebra-Cabeça e sucesso internacional
Em 1997, Gabriel volta a lançar um disco que seria intitulado Quebra-Cabeça e que continha a pop e cômica "2345meia78", além de "Cachimbo da Paz" com a participação de Lulu Santos, "Festa da Música" e "Eu e a Tábua" com a participação de Evandro Mesquita. Tais músicas tocaram muito nas rádios e levaram Quebra-Cabeça a se tornar o maior sucesso da carreira de Gabriel, com cerca um milhão e meio de cópias vendidas. O álbum também tratava de diferentes assuntos como o alcoolismo ("+ 1 Dose" com a participação do Barão Vermelho), desemprego ("Dança do Desempregado"), violência ("Bala Perdida", além de "Prá Onde Vai?" que fala especificamente da violência contra os jovens), saúde pública ("Sem Saúde") e o abandono de crianças ("Pátria que Me Pariu").
Com o sucesso em Portugal e após ganhar em 1998 os prêmios de melhor cantor no Troféu Imprensa e no Prêmio Multishow de Música Brasileira, e ainda pelo melhor clipe com a música "Cachimbo da Paz", além das indicações de escolha da audiência e melhor videoclipe de pop no VMB, ele é escolhido pela banda irlandesa U2 para fazer a abertura de seus shows no Brasil em 1998.