Carlos Eduardo dos Santos Galvão Bueno (Rio de Janeiro, 21 de julho de 1950) é um locutor esportivo, empresário, radialista e apresentador brasileiro. Atualmente é narrador do SBT e do Amazon Prime Vídeo.
Considerado o narrador esportivo de maior popularidade do Brasil, ao mesmo tempo que é alvo de críticas por ufanismos e exageros, é famoso por ter narrado momentos relevantes e históricos do esporte nacional. Entre esses eventos estão a conquista do tetra e o pentacampeonato mundial da Seleção Brasileira de Futebol, os títulos mundiais da Fórmula 1 e o acidente fatal do piloto brasileiro Ayrton Senna em 1994, vitórias de times brasileiros em Libertadores da América e Mundiais de Clubes, além de vários Jogos Olímpicos da era moderna.
Atualmente é proprietário da Bueno Wines, vinícola com sede no município de Candiota, no Rio Grande do Sul.
Começou a carreira na Rádio Gazeta de São Paulo em 1974, depois de trabalhar numa fábrica de materiais plásticos. Logo depois, saiu da Rádio e migrou para a TV Gazeta. Na emissora, participou do programa Mesa Redonda, onde cobriu a Copa do Mundo de 1974.
Em 1977, Galvão passou rapidamente pela Rede Record, onde ficou apenas dois meses.
Ingressou na TV Bandeirantes no final de 1977, participando como comentarista na Copa do Mundo de 1978. Em 1980, quando a emissora comprou os direitos de transmissão da Fórmula 1, o locutor narrou pela primeira vez provas da categoria.
Galvão foi contratado pela TV Globo em 1981. Seu primeiro trabalho na emissora foi a narração da partida entre Flamengo e Jorge Wilstermann, da Bolívia, pela Copa Libertadores da América. Narrou também alguns jogos da Copa do Mundo de 1982, mas ainda não era o locutor principal da emissora; o titular do posto era Luciano do Valle, que narrou os jogos do Brasil naquele mundial.
Logo após o Mundial realizado na Espanha, Luciano do Valle foi para a TV Record.
Assim, o Grande Prêmio da África do Sul de 1982 foi o primeiro GP da categoria narrado por Galvão pela TV Globo. Em 2013, Galvão contou que um erro na narração deste GP quase lhe custou o emprego:
Em 1983, no Maracanã, fez a cobertura para o Globo Esporte da morte do ex-jogador brasileiro Garrincha. Já em 1984, Galvão narrou o final da maratona feminina dos Jogos Olímpicos realizados em Los Angeles, quando a suíça Gabriela Andersen-Schiess, extenuada, conseguiu completar a prova em 37º lugar, e foi ovacionada pelo público. O brasileiro narrou ao vivo a emocionante volta final da corredora no Coliseu de Los Angeles.
Em 1986, na Copa do Mundo FIFA daquele ano, Galvão ainda não era o principal narrador da Globo. Com isso, narrou apenas um jogo do Brasil naquele Mundial, pois Osmar Santos não estava se sentindo bem.
Quatro anos depois, na Copa do Mundo de 1990, Galvão já era o principal narrador da emissora.
Nesta primeira passagem de Galvão pela TV Globo, destaca-se, ainda, a narração das conquistas de dois dos três títulos de Nelson Piquet, em 1983 e 1987, e os três campeonatos de Ayrton Senna, em 1988, 1990 e 1991.
Em 1992, Galvão deixou a TV Globo em nome de um projeto para comandar o departamento de esporte da Rede OM (atual CNT), com sede no estado do Paraná. Galvão acumulava os cargos de narrador, apresentador e diretor de esportes.
Na época, a então recém criada emissora de televisão comprou os direitos de exibição da Copa Libertadores da América, sendo a única emissora do Brasil a transmitir o torneio continental daquele ano, dando a sorte de registrar a histórica campanha do São Paulo de Telê Santana.
A estreia oficial de Galvão como locutor na emissora aconteceu em 1º de abril de 1992, após uma campanha de divulgação em grandes jornais brasileiros. O contratado debutou com a partida em que o São Paulo goleou o Criciúma por 4–0, no Morumbi, válida pela fase de grupos do torneio. A ocasião foi amplamente divulgada pela emissora. Nos principais jornais daquele dia, havia o anúncio da partida com o slogan “O jogão do Galvão!”.
O sucesso do São Paulo na Libertadores colocava a Rede OM à frente de emissoras como SBT, Manchete, Band e Record. A cada avanço do Tricolor na competição, a audiência da emissora paranaense crescia um pouco mais.
Com o fim da Libertadores, a Rede OM se virava como podia com outros eventos esportivos. Chegou a transmitir, inclusive, o Campeonato Nacional de Rodeios para todo o Brasil. Galvão Bueno participou até da transmissão de um evento de lutas chamado “Os Campeões do Ringue”. A emissora acabou sendo prejudicada pelo envolvimento do proprietário no escândalo PC Farias, que derrubaria Fernando Collor da presidência do país. As dificuldades financeiras que vieram depois disso provocaram demissões no jornalismo e denúncias de salários atrasados. Galvão seguia no comando e a área representava 60% do faturamento total da emissora, conforme informou a Folha de S.Paulo em 15 de novembro de 1992.