García Hurtado de Mendoza y Manrique (Cuenca, 21 de julho de 1535 - Madrid, 19 de maio de 1609) foi um militar espanhol, Governador do Chile e vice-rei do Peru (de 8 de janeiro de 1589 a 24 de julho de 1596). Muitas vezes, conhecido simplesmente como "Marquês de Cañete".
Era filho de Andrés Hurtado de Mendoza, terceiro marquês de Cañete - também um vice-rei do Peru - e Magdalena Manrique, filha do Conde de Osorno. Seus pais pertenciam a algumas das famílias mais importantes da aristocracia espanhola.
Em 1552, Hurtado de Mendoza fugiu de casa com a intenção de servir a seu rei, Carlos I (imperador Carlos V), em uma expedição que se preparava contra Córsega. Ele demonstrou grande valor nesta campanha e também em Toscana, quando o ducado tentou dissolver o Estado Imperial. Fez parte do exército imperial em Bruxelas e estava com Carlos V quando este foi derrotado na batalha de Renty.
Ao saber que seu pai tinha sido nomeado vice-rei do Peru, ele retornou à Espanha e pediu para ser enviado para a América. Durante a viagem conheceu Jerónimo de Alderete, que tinha sido escolhido pelo rei para ser o sucessor de Pedro de Valdivia como governador do Chile. Aconteceu que Alderete ficou doente e morreu durante a viagem. O pai de Hurtado reuniu um grupo de representantes chilenos e, depois de terem decidido que nem Francisco de Aguirre ou Francisco de Villagra eram qualificados como um sucessor para o cargo, nomeou o seu próprio filho. Esperava que seu filho iria trazer mais espanhóis para o Chile e, adicionalmente, seria capaz de unir as duas facções lutando para o cargo de governador do Chile. Também esperava-se que seria capaz de lidar com sucesso com os índios rebeldes.
Hurtado, em seguida, partiu para o Chile, com apenas 21 anos, com grande audácia. Ele era arrogante, orgulhoso de sua linhagem e inteligência, de aspecto autoritário e sujeito a reações violentas. Seu caráter fez inimigos, muitos deles dentro de seu próprio círculo de pessoas.
Hurtado de Mendoza deixou o Peru e foi para o Chile à frente de uma força de 500 espanhóis. Uma parte dessa força viajou por terra sob o comando de Luis de Toledo e Pedro de Castillo. Esse grupo partiu em janeiro de 1557. A outra parte, sob o comando do novo governador, viajou por mar, partindo em fevereiro do mesmo ano. O vice-rei deu um banquete para seu filho, depois que a frota saiu do porto ao som de marchas militares e uma salva de canhões.
Hurtado de Mendoza navegou com uma comitiva de homens ilustres, incluindo Alonso de Ercilla y Zúñiga, Francisco de Irarrázaval y Andía, Fráncisco Pérez de Valenzuela, Frade Gil González de San Nicolás, o franciscano Juan Gallegos e o jurista Hernando de Santillán. A expedição parou em Arica em 5 de abril de 1557 e lá permaneceu por quatro dias.
Continuando a viagem para o sul, eles desembarcaram em La Serena em 23 de abril de 1557. Os pobres de Coquimbo foram surpreendidos com o maior contingente de soldados - mais de 500 - já visto naquela região, armados com arcabuzes e canhões, usando armadura e elmos de plumas. Eles logo ganharam o apelido de emplumados.
Francisco de Aguirre e Francisco de Villagra
Francisco de Aguirre recebeu o novo governador hospitaleiramente em La Serena. Quase ao mesmo tempo, Francisco de Villagra chegou em La Serena por terra. Sabendo da aversão entre Aguirre e Villagra com relação a suas aspirações para o governo do Chile, García Hurtado não hesitou em prendê-los em La Serena, isolando-os em um navio. Este ato foi considerado injusto pelos colonizadores espanhóis no Chile.
Mariño de Lobera relata em sua crónica que Aguirre, já a bordo, cumprimentou Villagra em sua chegada, apertou sua mão e disse:
Veja, Meritíssimo, Señor General, como são as coisas do mundo: ontem nós dois não cabíamos em um mesmo reino e hoje Don García nos fez caber em uma simples prancha.
O governador chegou a Santiago com a chegada do inverno. O cabildo estava se preparando para recebê-lo, mas Hurtado decidiu prosseguir por mar para Concepción, apesar dos conselhos contrários de quem conhecia os perigos do clima nesta estação.
Em Coquimbo, Hurtado enviou a cavalaria por terra, partindo em 21 de junho de 1557, em pleno inverno.
Relações com os povos indígenas
Ele chegou oito dias depois na baía de Concepción no meio de uma estação perigosa. As tropas desembarcaram na ilha de La Quiriquina durante uma chuva torrencial e ergueram um acampamento provisório. Uma vez instalado em Concepción, Hurtado tentou uma política amigável com os índios, que aceitaram as regras do governador, mas não estavam dispostos a aceitar a ocupação de seus territórios pelos espanhóis recém-chegados.
Lincoyan e outros líderes indígenas sabia que a cavalaria estava vindo por terra de Santiago, e elaborou um plano para atacá-los em Andalicán, perto de Concepción. Hurtado soube do plano dos indígenas e foi informado de que os mapuches interpretaram sua atitude como um sinal de fraqueza e medo, ele decidiu, portanto, mudar radicalmente a sua atitude para com eles.
Ele ordenou que a fortaleza de San Luis de Toledo fosse construída imediatamente em Araucana para frustrar a iniciativa indígena, mas o forte foi logo atacado pelos mapuches. Eles foram derrotados e o governador contra-atacou com canhões e mosquetes.