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Garcia Rodrigues Pais

Garcia Rodrigues Pais (Serro talvez, mas não se conhece onde, na verdade; em todo caso, antes da data 1660 - Paraíba do

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Garcia Rodrigues Pais (Serro talvez, mas não se conhece onde, na verdade; em todo caso, antes da data 1660 - Paraíba do Sul, 7 de março de 1738) foi sertanista, primogênito de Fernão Dias Pais Leme e de sua mulher Maria Garcia Betim, filha por sua vez de Garcia Rodrigues Velho e de Maria Betinck ou Betim. Seu corpo deve estar inumado no mosteiro de São Bento, em São Paulo, reconstruído às custas do pai para que a família ali tivesse sepultura.

Cunhado dos bandeirantes Domingos Rodrigues da Fonseca Leme, Francisco Pais de Oliveira Horta e do Guarda-Mor Manuel Borba Gato. Garcia Rodrigues Pais Leme casou-se com a prima D. Maria Antônia Pinheiro da Fonseca. Partiu com o pai aos 13 anos. Em 1674 integrou a bandeira que percorreu os sertões por quatro anos. Morto o pai em 1681, foi ao arraial do rio Paraopeba, encontrar D. Rodrigo de Castelo Branco, a quem entregou as amostras das esmeraldas e transmitiu a posse da mina onde haviam sido encontradas. Depois ficou numerosos dias no rio das Velhas, fazendo sondagens, até encontrar o cadáver do pai, naufragado quando transportado em canoa para o Sumidouro.

As amostras de esmeraldas foram divididas entre ele e Francisco da Cunha, para as apresentarem à câmara de São Paulo. Outros pormenores se podem ler no verbete dedicado a D. Rodrigo de Castelo Branco. Datado de 18 de novembro de 1681 guardou-se um atestado do Padre Domingos Dias, reitor do Colégio dos jesuítas, a Garcia Rodrigues Pais, para obter o foro de fidalgo. Diz o padre: «Certifico eu que é verdade manifesta e notória a todos os moradores da dita vila de São Paulo que o governador Fernão Dias Pais, que Deus haja em sua glória, foi um dos homens mais notáveis e principais desta capitania, assim por seus avós como pelos cargos mais honrosos que serviu nesta república, sempre com notável satisfação e inteireza». Seus ossos, trazidos pelo filho, dormiam no mosteiro beneditino em São Paulo.

No dia 11 de dezembro de 1681, Garcia se apresentou perante oficiais da Câmara de São Paulo e expôs as esmeraldas descobertas pelo pai, «as quais eram o resto das que tinha entregue ao administrador D. Rodrigo de Castelo Branco para as remeter a Sua Alteza, e que trazia para serem vistas, contadas e pesadas porque tencionava ir pessoalmente levá-las a Sua Alteza, para consignar o desinteresse com que servia.»

Mostrou 47 esmeraldas (na realidade se verificaria posteriormente serem turmalinas verdes, rejeitadas pelos lapidários da Corte como as colhidas por Tourinho, Adorno e Marcos de Azeredo o velho). Mas eram grandes e pequenas, transparentes, pesando 133 oitavas ou seja todas juntas um arrátel e cinco oitavas; mais outro saco de pedras miúdas imperfeitas, e nove grandes, três arráteis e um quarto (um arrátel 26 oitavas); e outro de miúdas com dois arráteis e oito oitavas. Mais uma pedra sextavada, seis oitavas; em sacos de tafetá encarnado, todas, metidos em dois sacos de chamalote também encarnado…»

Em Lisboa - e de retorno ao Brasil

Garcia e seu tio o Padre João Leite da Silva foram ao Reino representar a El-Rei sobre recompensas que eram devidas ao Governador das Esmeraldas, levando amostras da pedra; que também foram repudiadas, como ele mesmo escreve - então «se ofereceu de novo a continuar nessa diligência, profundando mais a terra por se entender que se achariam mais perfeitas, e com diferente bondade, em razão das que trouxe serem da superfície da terra e deixando em Lisboa ao dito seu tio, se embarcou antecipadamente para o Rio de Janeiro e fez duas entradas ao serro de Sabaraboçu, que hoje chamam Minas dos Cataguazes ou Serra das Esmeraldas. Sendo a primeira entrada para efeito de reformar as plantas e feitorias, que por morte do dito seu pai e do administrador geral D Rodrigo de Castelo Branco haviam ficado desbaratadas e consumidas, em que no deserto gastou dois anos com grande risco de sua pessoa por causa do gentio bárbaro e da peste de que tinha falecido o dito seu pai, e depois de recolhido a povoado, chegando-lhe as ordens reais de Vossa Majestade que lhe levou o dito padre João Leite da Silva seu tio, da Corte, em que Vossa Majestade foi servido provê-lo nos cargos de capitão-mor e administrador da entrada e descobrimento das ditas minas, fez uma segunda entrada a elas, com dispêndio considerável de sua fazenda, que fez em mantimentos, carnes, farinhas, comprando muitos cavalos para carruagem, levando homens, escravos, índios do seu serviço, com capelão para a tropa tudo pago à sua custa, em que qual entrada gastou cinco para seis anos fazendo exatas diligências, empinando a Serra, cavando até o centro.»

O testemunho dos oficiais da Câmara da Parnaíba

Desde 20 de dezembro de 1681 haviam os oficiais da Câmara da Vila de Parnaíba escrito extenso memorial: «Nós os oficiais da câmara da vila de Parnaíba que servimos neste presente ano de 1681 abaixo assinados, certificamos que o governador Fernão Dias Pais, conhecendo que o descobrimento das esmeraldas totalmente se ia reduzindo a termo inaccessível pelo infeliz exemplo de ficarem frustradas as mais poderosas diligências, como foram as do almirante João Correia de Sá e a do governador Agostinho Barbalho Bezerra e outros muitos, se resolveu a consegui-lo em tempo que seus anos pediam a continuação do sossego que lograva em sua pátria e não a resolução de descortinar a terrível aspereza daqueles desertos, atropelando as dificuldades em que visivelmente arriscava seu credito e a mesma vida, com dispêndio da maior parte da sua fazenda que, sendo grossa, lhe não era necessária menos para os aprestos sem fazer gastos à Fazenda Real, como fazem os mais que andam no serviço da Coroa e para efeito de conseguir a jornada pela impossibilidade de alguns homens que o queriam acompanhar, lhes deu todo o necessário de sua própria fazenda e lhes deus índios alugados à sua custa, sem embargo da ordem que tinha do governador-geral para levar os que fossem necessários, o qual lhe passou patente de governador daquele descobrimento, e lhe escreveu cartas muito honrosas aprovando-lhe o seu zelo e intento, assegurando-lhe felicidade e reais mercês, gratificando-lhe outrossim o serviço que tinha feito a Sua Majestade, que Deus guarde, assim na gente que mandou à conquista dos bárbaros, que por roubarem irreparavelmente aos moradores da Bahia, faziam muitas mortes no contorno daquela cidade como no empréstimo que fez do seu dinheiro a alguns cabos, que partiram desta Capitania para a mesma conquista, e por haver tradição e constar entre nós de que há minas de prata no serro do Sabarabossu, empreendeu o dito governador Fernão Dias Pais este descobrimento por lhe ficar em caminho na viagem para as esmeraldas, para o que se situou na passagem do Sumidouro, onde assistiu três ou quatro anos sem poder conseguir a averiguação da verdade, por falta de mineiros, sendo bem sobradas as suas diligências, e porque os homens de sua tropa, prevendo a dilação que pedia uma e outra empresa, se despediram da sua companhia e obediência, atentas a suas particulares necessidades e ficou o sobredito Fernão Dias Pais com a companhia de seu filho Garcia Rodrigues Pais e seu genro Manuel de Borba Gato, e os seus serviços e familiares, e pela falta de mineiros cuja tardança inutilizava suas diligências, se resolveu prosseguir no descobrimento das esmeraldas, e havendo já mandado a esse fim fabricar outra feitoria em Tucambira, e deixando no Sumidouro ao dito seu genro Borba Gato, passou muito além de Tucambira e se situou em Itamirindiba, de onde, depois de fazer repetidas diligências pela vastidão daqueles estéreis desertos, descobriu as esmeraldas na mesma mina de Marcos de Azevedo passados sete anos que estava ausente de sua pátria e casa, sem ter outro cuidado em todo este tempo mais que a execução do serviço real que tinha empreendido.

«E depois de mandar tirar das minas as pedras que bastassem para as amostras, recolhendo-se para o Sumidouro, faleceu de peste e grande parte de seus índios, e ainda depois de morto o perseguiram as calamidades ordinárias do sertão porque o seu cadáver e as amostras das esmeraldas padeceram naufrágio no rio que chamam das Velhas em que se perderam as armas e tudo quanto trazia de seu uso e se afogou a gente, porque os índios nadadores se ocuparam em salvar as próprias vidas e a acudir as amostras, como em sua vida lhes tinha recomendado o seu senhor, cujo corpo se achou depois de muitos dias à diligência de seu filho Garcia, que o tinha ido socorrer e chegou aí depois de sua morte e recolhendo-se para o Sumidouro recebeu carta do administrador D. Rodrigo de Castelo Branco, que nestes dias chegara a Parnaíba, para onde o sobredito Garcia Rodrigues Pais trouxesse as amostras, para que mandassem fazer termo de manifestação delas e as remetesse a Sua Alteza com brevidade que ele não podia fazer por os seus índios estarem ainda assustados.

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