Gastão de Orléans, Conde d'Eu (em francês: Louis Philippe Marie Ferdinand Gaston d'Orléans; Neuilly-sur-Seine, 28 de abril de 1842 — Oceano Atlântico, 28 de agosto de 1922), foi um príncipe e militar francês, casado com a herdeira do trono brasileiro, a Princesa Isabel. Era o filho mais velho do príncipe Luís de Orléans, Duque de Némours e da princesa Vitória de Saxe-Coburgo-Koháry e, portanto, membro da Casa de Orléans — como neto do rei Luís Filipe I da França. Foi capitão de cavalaria na Guerra Hispano-Marroquina, e comandante-chefe do exército imperial, durante a Guerra do Paraguai.
Com a queda da Monarquia de Julho, sua família foi exilada da França e passou a viver no Palácio de Claremont, perto de Londres, cedido pela Rainha Vitória, prima de sua mãe. O Conde d’Eu estudou na Espanha, onde frequentou a Academia Militar de Segóvia. Participou da guerra contra os mouros de Marrocos, ganhando o posto de capitão de cavalaria e algumas medalhas.
Casou-se, em 1864, com a herdeira do trono brasileiro, a Princesa Isabel, com quem teve quatro filhos: Luiza Vitória, Pedro de Alcântara, Luiz e Antônio. Foi promovido a comandante geral de artilharia e presidente da comissão de melhoramentos do Exército, quando iniciou a Guerra do Paraguai. Em 1869, foi nomeado substituto do Duque de Caxias, na condição de comandante-chefe dos Exércitos Aliados – Brasil, Argentina e Uruguai. Com o fim do conflito, em 1870, o Conde d’Eu decretou, com a permissão do Imperador, o fim da escravidão no Paraguai.
Luís Filipe Maria Fernando Gastão de Orléans nasceu em 28 de abril de 1842, no Castelo de Neuilly, Neuilly, França, sendo filho do príncipe Luís de Orléans, Duque de Némours, e da princesa Vitória de Saxe-Coburgo-Koháry. Seus avós paternos eram o rei Luís Filipe I de França, e a princesa Maria Amélia de Nápoles e Sicília, e seus avós maternos eram o príncipe Fernando de Saxe-Coburgo-Gota e a princesa Maria Antônia de Koháry. Como membro da Casa Real da França, Gastão fazia parte da Casa de Orléans, ramo cadete dos Bourbon, que por sua vez descendia da dinastia capetiana. Príncipe francês de nascimento, recebeu o título de Conde d'Eu. Recebeu uma educação refinada graças aos seus mestres Júlio Gauthier e o historiador Auguste Trognon, vindo a aprender diversas línguas, como latim, inglês, alemão, português e francês, este como língua materna.
Seu avô foi destronado graças à Revolução de 1848 e, com apenas cinco anos de idade, Gastão partiu para o exílio na Grã-Bretanha. Retornou a sua terra natal somente em 1878. Sua família logo se estabeleceu num antigo casarão chamado Claremont House, na região sul da Inglaterra, onde viveriam por vários anos. Aos treze anos de idade, em 1855, iniciou sua carreira militar fazendo o curso de artilharia, o qual concluiria na Escola Militar de Segóvia, Espanha, onde obteve a patente de capitão. A razão pela qual se mudou para a Espanha foi a orientação de seu tio, o príncipe Antônio de Orléans, Duque de Montpensier, que lá vivia após ter-se casado com a infanta Luísa Fernanda da Espanha, irmã da rainha Dona Isabel II da Espanha. Em 1857, aos 15 anos, perdeu a mãe, a princesa Vitória de Saxe-Coburgo-Koháry, pertencente à Casa de Saxe-Coburgo-Koháry, um ramo católico da Casa de Saxe-Coburgo-Gota, prima direta da rainha Vitória do Reino Unido e de seu marido, o príncipe consorte Alberto de Saxe-Coburgo-Gota, e irmã de D. Fernando II, Rei consorte de Portugal, casado com a rainha D. Maria II, irmã mais velha do imperador brasileiro Dom Pedro II.
Pela família paterna de sua mãe, Gastão era sobrinho da rainha Vitória do Reino Unido e de seu marido, o príncipe consorte Alberto de Saxe-Coburgo-Gota, visto que a mãe da rainha e o pai do príncipe consorte (a duquesa Vitória de Saxe-Coburgo-Saalfeld e Ernesto I, Duque de Saxe-Coburgo-Gota), eram irmãos do avô materno de Gastão (o príncipe Fernando de Saxe-Coburgo-Gota). Isso fez de Gastão um primo, em segundo grau, do rei Eduardo VII do Reino Unido e da imperatriz consorte da Alemanha e rainha da Prússia, Vitória Alexandra (ambos filhos da rainha Vitória). Além de sobrinho do rei Leopoldo II da Bélgica.
A Espanha decidiu declarar guerra ao Marrocos após longos anos de problemas na fronteira — tentativas de invasões mal sucedidas. O jovem Gastão foi enviado como oficial subalterno para participar do conflito ao lado das forças espanholas, que consistiam em cerca de 45 mil soldados, contra as tropas marroquinas que, por sua vez, possuíam mais de 14 mil homens. Ele participou das batalhas e, após o término da Guerra do Marrocos, em 1860, retornou à Espanha com renome militar. Anos depois, foi aconselhado pelo tio, D. Fernando II de Portugal, a analisar a possibilidade de casamento com uma das filhas do imperador D. Pedro II do Brasil. Aceitou a proposta, contanto que pudesse conhecê-la antes de tomar qualquer decisão. A irmã de D. Pedro II, D. Francisca de Bragança, Princesa de Joinville, casada com Francisco de Orléans, Príncipe de Joinville, tio de Gastão, assim o descreveu em carta ao imperador brasileiro: "Se pudesse agarrar este para uma das tuas filhas, seria excelente. Ele é robusto, alto, boa figura, boa índole, muito amável, muito instruído, estudioso e, além do mais, possui uma pequena fama militar".
Desembarcou no Rio de Janeiro em 2 de setembro de 1864 na companhia do primo, o príncipe Luís Augusto de Saxe-Coburgo-Gota, Duque de Saxe. A seguir, os jovens dirigiram-se ao Palácio de São Cristóvão para conhecer a família imperial do Brasil. Entretanto, Gastão não se entusiasmou com as duas princesas — considerou-as "feias". Coincidentemente, o mesmo ocorreu quando o pai das moças conheceu sua própria noiva. De início, o conde estava prometido à princesa Leopoldina e seu primo, à princesa Isabel. Mas, depois de conhecê-los melhor — Gastão era mais velho, mais maduro e responsável — o imperador D. Pedro II resolveu inverter os pares. Gastão foi agraciado com a grã-cruz da Imperial Ordem do Cruzeiro pouco tempo após chegar ao Brasil e, dias depois, proposto como presidente honorário do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. O casamento com a princesa herdeira do trono ocorreu em 15 de outubro de 1864. Décadas mais tarde, em 1892, Alfredo d'Escragnolle Taunay, Visconde de Taunay, relembraria a sua opinião a respeito dos dois primos, relatando que o duque de Saxe: "Só mostrava gosto e vocação para passar a vida folgada e divertida, muito amante de caçadas, apreciador acérrimo da Europa e dos muitos gozos que lá se podem desfrutar à farta, ao passo que o conde d'Eu, com todos os defeitos que lhe possam apontar, estremecia viva e sinceramente pelo Brasil e, acredito bem, ainda hoje o ame com intensidade e desinteresse".
O conde d'Eu e D. Isabel, princesa imperial do Brasil, estavam viajando pela Europa em lua-de-mel, quando forças paraguaias invadiram as províncias brasileiras de Mato Grosso e Rio Grande do Sul. D. Pedro II enviou uma carta ao casal, em 1865, exigindo a presença de Gastão no Brasil e que se deslocasse para a cidade de Uruguaiana, no sul do país, para lá se encontrar com ele, com o duque de Saxe e o exército brasileiro. Uruguaiana havia sido conquistada pelo exército paraguaio e as tropas brasileiras, além das aliadas argentinas e uruguaias, haviam criado um cerco à cidade, esperando a rendição ou a derrota, em batalha da força inimiga. Dessa ocasião, o visconde de Taunay, em suas memórias, escreveria: "Enquanto Gastão patenteava, em todas as ocasiões, grande interesse pelas coisas do Brasil, observando, perguntando, tudo visitando e tratando de colher minuciosas e exatas informações, o outro, Luís Augusto, duque de Saxe, não mostrava senão desapego e indiferença". Conde d'Eu foi nomeado Comandante Geral da Artilharia e presidente da Comissão de Melhoramentos do Exército, em 19 de novembro de 1865.
Por duas vezes, ao longo do conflito, Gastão enviou uma solicitação, por carta, a D. Pedro II para que o autorizasse a combater no Paraguai mas, em ambas as ocasiões, para sua grande decepção, o Conselho de Estado votou contra seus desejos de participar diretamente dos conflitos. A razão para a primeira recusa era evitar que a presença do príncipe no conflito pudesse significar, no exterior, um desejo de conquistar os territórios vizinhos e, para a segunda, não ser aceitável que o esposo da herdeira do trono estivesse subordinado a um militar argentino – neste caso, Bartolomé Mitre, Presidente da Argentina, nomeado comandante e chefe das forças aliadas, de acordo com o tratado da Tríplice Aliança. Entretanto, por ser um oficial de alto escalão, com suficiente prestígio e notória capacidade, foi convocado para liderar, como comandante-em-chefe, os exércitos aliados, em 1869, após o marquês de Caxias ter-se demitido da função. O conde, entretanto, não possuía mais vontade de partir para o teatro de operações — não por covardia, mas por considerar indigno e desnecessário continuar a guerra somente para caçar Francisco Solano López, o ditador paraguaio (opinião compartilhada por boa parte dos brasileiros). Mesmo assim, sua nomeação, aos 27 anos, em 22 de março de 1869, como novo comandante-em-chefe, reanimou a opinião pública brasileira. Quando chegou ao Paraguai, reorganizou o exército brasileiro e demitiu oficiais acusados de saques no território inimigo.