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Geórgia

País no Cáucaso

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Geórgia (em georgiano: საქართველო, transl Sak'art'velo, pronunciado: [sɑkʰɑrtʰvɛlɔ] ()) é um país transcontinental localizado na fronteira entre a Europa Oriental e a Ásia Ocidental. Limita-se com a Rússia a norte e a leste, a sul com a Turquia e a Arménia, a leste e a sul com o Azerbaijão e a oeste com o mar Negro. Sua capital é Tiblíssi, que também é sua maior cidade. O país é uma república unitária, semipresidencial, com o governo eleito através de uma democracia representativa. Seu território é de 69 700 km² e sua população, conforme estimativas de 2017, é de cerca de 3,718 milhões de habitantes. Mais de um quarto da população vive na região de Tiblíssi, com outras grandes cidades sendo Cutáissi, Batumi e Rustavi.

Durante a era clássica, reinos independentes estabeleceram-se no que hoje é a Geórgia. Os reinos da Cólquida e Ibéria, cujas orientações religiosas vinham do paganismo georgiano com posterior influência zoroastriana, adotaram o cristianismo no início do século IV. O Reino da Geórgia atingiu o auge de sua força política e econômica durante o reinado de Davi IV e Tamara I, nos séculos XI e XII. No início do século XIX, a Geórgia foi anexada pelo Império Russo. Depois de um breve período de independência, após a Revolução Russa de 1917, a Geórgia foi ocupada pela União Soviética em 1921, tornando-se a República Socialista Soviética Geórgia e parte da União Soviética. Após a independência, em 1991, a Geórgia pós-socialista sofria de distúrbios civis e de crise econômica na maior parte do século XX. Isso durou até a Revolução Rosa de 2003, depois que o novo governo introduziu reformas democráticas e econômicas.

Seu relevo se caracteriza por regiões muito montanhosas, abrigando a maior cordilheira do Cáucaso que serve como limite de fronteira com a Rússia. Na parte norte, há vários pontos que ultrapassam os quatro mil metros de altitude, no que é conhecido como Grande Cáucaso. A Geórgia possui uma cultura bastante peculiar, sendo o único Estado no mundo a ter a língua georgiana como oficial, a principal entre as cartevélicas. Os georgianos, etnicamente, não se encaixam em nenhuma das etnias predominantes da Europa ou Ásia, e eram chamados na Antiguidade de colcos ou iberos.

Possui duas regiões independentes de facto, a Abecásia e a Ossétia do Sul, que obtiveram reconhecimento internacional limitado após a Guerra Russo-Georgiana. O Estado, e grande parte da comunidade internacional, considera as regiões como parte integrante de seu território soberano, sob ocupação militar russa. A Geórgia é atualmente um membro do Conselho da Europa, da Organização de Cooperação Econômica do Mar Negro, da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), e do Eurocontrol. A nação também aspira aderir à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e à União Europeia (UE).

Os georgianos chamam-se a si mesmos de ქართველები (kartvelebi) e a sua língua de ქართული (kartuli). Estes termos derivam do nome de um lendário chefe pagão, Kartlos, de quem se diz ser o "pai" dos georgianos. A denominação estrangeira Geórgia, utilizada por grande parte das línguas do mundo, vem do grego γεωργ- (geōrg-), o que levou a acreditar que o nome derivaria do seu santo padroeiro, São Jorge, ou do termo grego para cultivar, γεωργία (gueōrguía).

O nome nativo é Sakartvelo (საქართველო; "terra dos kartvelebi"), derivado da região georgiana núcleo central de Cártlia, gravado a partir do século IX, e no uso prolongado referindo-se a todo o reino medieval da Geórgia por volta do século XIII. A autodesignação usada por pessoas de etnia georgiana é kartvelebi (ქართველები) As crônicas medievais georgianas apresentam um ancestral homônimo dos Kartvelebi, Kartlos, um bisneto de Jafé. O nome Sakartvelo (საქართველო) consiste em duas partes. Sua raiz, kartvel-i (ქართველ-ი), especifica um habitante da região georgiana centro-leste do núcleo de Cártlia, ou Ibéria, como é conhecido em fontes do Império Romano do Oriente.

Os Gregos antigos (Estrabão, Heródoto, Plutarco, Homero, etc.) e os Romanos (Tito Lívio, Tácito, etc.) referem-se aos Georgianos antigos ocidentais como colcos, e aos Georgianos orientais como Iberos (Iberoi em algumas fontes gregas). Na Antiguidade, os habitantes da Geórgia eram também denominados iberos, em razão do Reino da Ibéria, que muito confundia os geógrafos antigos, que pensavam que este termo só se aplicava aos habitantes da Península Ibérica.

O território da atual Geórgia era habitado por Homo erectus desde o Paleolítico. As tribos proto-georgianas apareceram pela primeira vez na história escrita no século XII a.C. Os primeiros indícios de vinho foram encontrados até hoje na Geórgia, onde jarros de vinho datados de 8 000 anos foram descobertos. Achados arqueológicos e referências em fontes antigas revelam elementos de formações políticas e estaduais, caracterizados por uma avançada metalurgia e técnicas de ourivesaria que remontam ao século VII a.C. Na verdade, a prática da metalurgia na Geórgia iniciou-se durante o sexto milênio a.C., como uma forma de associação com a Cultura de Shulaveri-Shomu.

O primeiro povo conhecido da história da Geórgia são os Diauehi (século XXIII a.C.). Muitos séculos depois surgem os primeiros Estados da região: Cólquida (século VII a.C.), Sispiritis (século VII a.C.) e Ibéria (século VI a.C.). No século IV a.C., um reino unificado da Geórgia - um exemplo precoce da avançada organização estatal sob um rei e uma hierarquia aristocrática – foi estabelecido.

Na mitologia grega, Cólquida era o local do Velocino de Ouro procurado por Jasão e os Argonautas em Apolônio de Rodes, no conto épico Argonáutica. A incorporação do Velocino de Ouro no mito pode ter derivado da prática local de utilização de lã para peneirar pó de ouro dos rios. Conhecido por seus nativos como Egrissi ou Lázica, Cólquida também foi o campo de batalha da Guerra Lázica, travada entre o Império Bizantino e o Império Sassânida da Pérsia.

Depois que o Império Romano completou sua breve conquista da região do Cáucaso, sobre seu arquirrival, o Império Parta, os reinos da Geórgia foram, de forma intermitente, aliados dos romanos por quase 400 anos. Desde o século I, o culto de Mitra, crenças pagãs e o zoroastrismo eram comumente praticados na Geórgia. Em 337, o rei Meribanes III (r. 284–361) declarou o cristianismo como religião oficial do Estado, dando um grande estímulo para o desenvolvimento da literatura, artes, e, finalmente, resultando numa significativa ação na formação da nação georgiana unificada.

A aceitação do cristianismo por parte do rei Meribanes efetivamente mostrou a forte influência do reino vizinho sobre a Geórgia, perdurando por quase um milênio, determinando muito do seu presente e de sua identidade cultural. A aceitação levou ao declínio do zoroastrismo, embora de forma lenta, que até o século V, parece ter se tornado algo como uma segunda religião estabelecida na Ibéria (Geórgia Oriental), e foi amplamente praticada lá.

Os primeiros reinos desintegraram-se em várias regiões feudais por volta dos primeiros anos da Idade Média. Isso facilitou a conquista dos árabes da maior parte do território oriental georgiano no século VII. A partir deste período ao século X, a Geórgia estava envolta na influência e domínio do Império Cazar. As várias regiões independentes não se uniram em um único reino até o início do século XI.

Embora os árabes tenham capturado a cidade capital de Tiblíssi em 645, Ibéria manteve considerável independência sob governantes árabes locais. O príncipe Asócio I - também conhecido como Asócio Curopalata - tornou-se o primeiro integrante da Dinastia Bagrationi a governar o reino. A dinastia manteve seu reinado por um período de quase mil anos, durante o qual o Bagrationi, como a casa nobre era conhecida, governou boa parte do território que hoje é a república da Geórgia. Pancrácio III uniu a Geórgia Ocidental e Oriental.

O Reino da Geórgia atingiu o seu apogeu no início do século XII. Este período, durante os reinados de David IV (também chamado David Builder) e sua neta Tamara, tem sido amplamente denominado como a Idade de Ouro da Geórgia ou da Renascença georgiana. Este início do renascimento georgiano, que precedeu o seu análogo da Europa Ocidental, foi caracterizado por vitórias militares impressionantes, expansão territorial e um renascimento cultural em arquitetura, literatura, filosofia e as ciências. A Idade de Ouro georgiana deixou um legado de grandes catedrais, poesias românticas e literatura, e o poema épico "O Cavaleiro na Pele de Pantera".

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