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George Best

Futebolista norte-irlandês (1946–2005)

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George Best (Belfast, 22 de maio de 1946 – Londres, 25 de novembro de 2005) foi um futebolista norte-irlandês que atuou como ponta-direita.

Consagrou-se no time inglês do Manchester United, sendo considerado um dos maiores ídolos dos Diabos Vermelhos de todos os tempos e o melhor jogador irlandês e britânico da história. Seu talento foi reconhecido além da Europa; o jornalista e técnico brasileiro João Saldanha, indagado em 1981 para escalar seu time dos sonhos, colocou Best entre os titulares e a revista Placar descreveu-o em 1970 como "um jogador brasileiro nascido na Irlanda do Norte".

O significado de seu sobrenome, em inglês, é "melhor", o que gerou um ditado popular em sua terra natal: "Maradona good. Pelé better. George Best (Maradona, bom. Pelé, melhor. George, 'O' melhor)".

George Best nasceu na capital da Irlanda do Norte, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial. Era tão fanático por futebol quando criança que dormia com uma bola na cama. Aos 15 anos, foi treinar no Manchester United, descoberto por um olheiro do clube que o vira atuar por um time amador de Belfast, os Cregagh Boys. Em 1963, aos 17 anos, estreou como profissional. Era magro e franzino, mas demonstrava grande velocidade e domínio de bola. O clube ainda vivia no luto causado pela morte, em acidente aéreo, de alguns integrantes da jovem e brilhante equipe que encantara o futebol inglês nos anos 1950, os Busby Babies, os "bebês" do técnico Matt Busby, um dos sobreviventes do desastre.

Tendo continuado no comando do time, Busby aprovaria a contratação do gênio anunciado. Em sua primeira temporada, Best participou do título da FA Cup.

Não demoraria a explodir: driblador, provocador e dono de um talento irrepreensível dentro de campo (o que lhe rendeu comparações a Garrincha), formou um lendário trio com o inglês Bobby Charlton e o escocês Denis Law. Com eles, conquistou o Campeonato Inglês em 1965, o sexto título da história do clube na competição. Credenciado para a Copa dos Campeões da UEFA de 1966, o United cruzou nas quartas-de-final com o forte Benfica de Eusébio, Coluna e José Torres, clube cuja equipe-base fora bicampeã do torneio em 1961 e 1962.

Após vitória apertada por 3–2 em Old Trafford, Busby determinou cautela e estudo do adversário nos primeiros quinze minutos da partida de volta, em Lisboa. Best o desobedeceu e em doze minutos já havia marcado duas vezes. Os Red Devils fariam 5–1 (com ele marcando um terceiro gol) em pleno Estádio da Luz. No dia seguinte, ele era manchete nos jornais ingleses com o título mais cultuável possível pela juventude inglesa daqueles tempos: "O Quinto Beatle". O sonho do troféu europeu naquela temporada, entretanto, acabaria nas semifinais, onde os mancunianos foram eliminados pelos iugoslavos do Partizan.

O apelido ganhou força de qualquer forma, e também devido à vida de Best fora de campo, onde era frequentemente visto com belas mulheres e carros de último tipo, despertava histeria nas adolescentes com seus cabelos longos e esvoaçantes e seu rosto de galã de cinema, metendo-se em altas festas. Tal comportamento boêmio o levaria ao alcoolismo que acabaria com a sua carreira. Com certa frequência, também atrasava-se ou não comparecia a treinos, o que o fez levar inúmeras multas e suspensões.

Ainda assim, sua capacidade devastadora de furar defesas e seu grande carisma esgotavam a imaginação da imprensa europeia, que a cada nova grande exibição procurava um novo adjetivo para qualificá-lo. Após voltar de uma de suas suspensões, que durou 28 dias, marcou os seis gols da vitória por 8–2 sobre o Northampton Town.

Em 1967, veio novo título inglês. O tri quase veio em 1968: Best terminou o campeonato como artilheiro com 28 gols, mas a conquista ficou com o rival Manchester City por dois pontos de diferença. Paralelamente, em nova chance na Copa dos Campeões, o United encarou outra vez o Benfica, desta vez na final, disputada no mítico Wembley. Best marcou o terceiro gol na vitória por 4–1 driblando toda a defesa adversária, fazendo do United o primeiro inglês a vencer o mais importante troféu europeu de clubes.

Ao final daquela arrasadora temporada, recebeu a Bola de Ouro da France Football como o melhor jogador europeu do ano. É até hoje o único de todos os irlandeses agraciado com o prêmio. No clube que aprendeu a amar, marcaria 179 gols em 470 jogos, tendo sido artilheiro do time em seis temporadas seguidas.

Cada vez mais explorado nas colunas sociais, seu rendimento em campo começou a cair justamente logo após o auge de sua consagração. O United chegou a passar cinco anos sem assumir a liderança do campeonato inglês, até consegui-la temporariamente na temporada 1971-72. Nesse período, perdeu o Mundial Interclubes de 1968 para o Estudiantes de La Plata (Best chegou a ser expulso no jogo de volta, em Old Trafford - os argentinos haviam vencido em casa e empataram fora), não conseguia mais troféus. Matt Busby, um dos poucos no clube a aturar o temperamento de Best, aposentaria-se de vez em 1971, após ter chegado a deixar o cargo em 1969. Não ajudavam as aparições de Best bêbado nos tablóides ingleses. Tinha a vida cada vez mais questionada em cada detalhe pela mídia, que o tratava como celebridade tal como a um músico ou um diplomata. "Eu sou o cara que levou o futebol das páginas internas para a capa dos jornais", teria dito.

Em 1972, declarou-se aposentado do futebol, mas voltou ao United na seguinte pré-temporada, até deixar o clube de vez em 1973, no meio da campanha desastrosa que culminaria no rebaixamento do clube, decretado em derrota para os rivais do City. De início, havia declarado naquele mesmo mês que encerraria a carreira. "Estou sem jogar há oito meses, mas não deixaria de vir à festa do Eusébio", afirmou no fim de setembro daquele ano na ocasião do amistoso em que o craque português se despediu festivamente do Benfica contra um combinado internacional. Alfredo Di Stéfano, em entrevista naquela época à Revista Placar, relatou ao repórter sobre Best, que encontrava-se no mesmo recinto, que "vou apresenta-lo, mas não sei inglês e não posso servir de intérprete. Depois, nem sei se ele vai querer falar, é um louco".

Ficou um tempo emprestado ao insignifcante Dunstable Town. No ano seguinte, foi para o não muito maior Stockport County. Na época, convivia com ameaças dos terroristas do IRA por ser protestante. Sua irmã chegou a levar um tiro na perna em um atentado. Curiosamente, do Stockport iria para uma equipe católica, o Cork Celtic, da própria República da Irlanda. Jogaria em outro clube alinhado a católicos posteriormente, o Hibernian, da Escócia.

Best chegou a reaparecer na elite inglesa ao passar uma temporada no Fulham, onde atuou ao lado de Bobby Moore. Mas resolveu esconder-se no futebol dos Estados Unidos, à procura de abafar sua decadência. O Fulham chegou a acionar a FIFA para puni-lo, acusando-o de ter se transferido ilegalmente para os EUA. A entidade anistiou o norte-irlandês. Se na América do Norte ele, que estaria há quatro meses sem consumir álcool, chegou a jogar ao lado de Gerd Müller e Teófilo Cubillas no Fort Lauderdale Strikers, jogou também no time da Prisão Ford, onde ficou preso por oito semanas por dirigir embriagado e bater em um policial.

Em 1979, já passava anos não durando mais de uma temporada nas equipes que lhe empregavam. Fez fé pública de sua recuperação como atleta e como pessoa, oferecendo seus serviços a qualquer equipe, disposto a contratos de risco. Iria ao Southend United, da terceira divisão inglesa, mas não foi liberado pelo Fulham, que ainda era o dono do passe de Best. Conseguiu então ir ao Hibernian, na época o último colocado do Campeonato Escocês. Best aceitou com a contrapartida de que, se despertasse interesse de algum clube inglês, fosse imediatamente liberado. Mas os problemas com o alcoolismo persistiram e fariam-no ser expulso do time em 1980. Após a dispensa, internou-se imediatamente em uma clínica de reabilitação, Angela MacDonald-James, sua esposa, afirmou na época que "tínhamos decidido formar uma família. Mas com tudo isso, não quero correr o risco. Não creio que isso seria bom, tendo em vista o estado de George".

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George Best | World in Stories